Bola e Bola Mesmo
25 de março de 2008
Tabela da discórdia
Bom desempenho dos clubes cariocas não tem a anuência da crônica esportiva, que usa os resultados para criticar a fórmula de disputa.

Se tem uma expressão que vai ser lembrada ao final desta temporada é o tal do chororô. Tanto já se falou que não há quem agüente tocar no assunto, já que a chance de se repetir é bastante grande. E eu aproveito a deixa para falar de uma reclamação que tem sido constante desde o início do Campeonato Carioca: a de que a fórmula de disputa é ruim. Mas tão ruim, que os clássicos, ao final de cada turno, acabam não valendo nada, a ponto de os grandes clubes pouparem vários jogadores. Vejam bem, não sou eu quem está dizendo, mas a crônica esportiva e seu intangível senso comum.

Mas nem sempre foi assim. Até o início do campeonato, dizia-se ser essa, a fórmula com dois turnos de tiro curto, semifinais e finais, a mais emocionante. Tal avaliação foi feita tendo-se como base, também, a chegada de times pequenos a todas as finais, desde 2001. A dificuldade de um grande chegar às finais era, então, tratada na crônica esportiva com regozijo. Acontece que, nesse ano, os grandes estão ganhando todas (ou quase) com facilidade (ou sem) e os pequenos estão se destruindo uns aos outros. Resultado: disparam os grandes, tornando óbvias as semifinais.

Mas por que diabos isso aconteceu? Há várias explicações. Uma delas é que um acordão digno de Congresso Nacional proibiu os jogos nos estádios dos clubes pequenos. Digo um acordão porque os tais pequenos participaram da negociação, e cederam mediante o recebimento de cotas de transmissão esportiva (ou renda). Outra, é que, com quatro clubes a mais (de 12 passou para 16) o campeonato teria ficado inchado, a ponto de os clubes pequenos, contando com a mesma quantidade de pangarés, ficarem incrivelmente enfraquecidos. E, por último, mas uma coisa difícil de a crônica admitir, é que os clubes grandes de fato estão bem melhores do que em outros anos. Aprenderam a se preparar e são, sim, bem melhores. Sobretudo a dupla Fla-Flu, que, classificada para a Copa Libertadores, está de olho na grana que tem a receber a cada partida e avançar de fase.

Se nossos cronistas têm, via de regra, se transformado em comentaristas de resultado, no que tange à análise de cada partida, agem da mesma forma nessa questão. Ora, antes de a bola começar a rolar, a fórmula era linda, e agora, da metade para o fim do segundo turno, virou mal feita? Qualquer tabela que deseje proporcionar o mínimo de emoção coloca os clássicos, as disputas entre os times grandes, de maior torcida, para o final, não é mesmo? Vejam em São Paulo, por exemplo. A intenção de colocar os quatro grandes nas finais é tão grande que lá eles criaram um “torneio do interior” para os demais terem o que fazer durante a fase decisiva do campeonato. Ninguém esperava o ingresso (ao menos até agora) dos interioranos intrusos Ponte Preta e Guaratinguetá.

Ainda no mesmo tema, outro incômodo para este que vos escreve é quando a crônica vem falar de time misto, alternativo ou de reservas, enfim. Me incomoda simplesmente porque essa mesma crônica vive dizendo e desdizendo que na Eupora isso não existe, que o elenco de cada clube é bom, grande e planejado para que haja revezamento entre os jogos do campeonato nacional de cada país e as copa continentais. Lá, colocar craques como Kaká, Ronaldinho ou Pato no banco é estratégia. Mas aqui, Flamengo e Fluminense pouparem jogadores para partidas mais importantes, pela Libertadores, é “jogar com time reserva”. Dois pesos e duas medidas, não?

Eu, como torcedor, tenho o direito de preferir ver meu time jogar com este ou aquele jogador, mas não podemos fechar os olhos para os clubes que estão aprendendo a se planejar formando elencos fortes em qualidade e quantidade, para ter bom desempenho em todas as competições que disputam. E isso não é só no Rio, não. Vejam o caso do Palmeiras, Inter, São Paulo e Cruzeiro. Que time misto que nada.

Até a próxima que Leandro Amaral é um chato de galochas!!!

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