
Fica um pouco difícil, no entanto, mudar pra valer, quando, em sua gênese, a banda parece ter feito tudo num formato ultralimitado, como se quisesse mais ser – repita-se – um Joy Division contemporâneo do que construir uma carreira um pouco (só um pouquinho) mais própria. De modo que é difícil escutar a voz de Paul Banks sem que venha imediatamente à cabeça a figura sombria de Ian Curtis. A coisa se agrava quando músicas como a animadinha (tanto que saiu em single) “The Heinrich Maneuver” e sua guitarra minimalista; e “Pioneer To The Falls”, que inicia o disco sem negar a referência, só para ficamos com dois exemplos, trazem também (musicalmente falando) a atmosfera pós-punk. E atmosfera parece ser mesmo a palavra que os rapazes do Interpol precisam ter em mente para sair desse beco sem saída.
E às vezes eles conseguem. No refrão de “Pace Is The Trick”, por exemplo, uma simples impostação de voz de Banks já ajuda, embora a guitarra minimalista esteja lá. O descompromisso de “Rest My Chemistry”, uma baladinha pouco triste, boa para se tocar em rádio, à sua maneira, também ajuda. Ou ainda outra festiva, “Who Do You Think”, que coloca o grupo mais próximo das bandas de sua geração do que do passado grudento. Mas tudo soa bem pontual, de modo que, no conceito, o Interpol continua vivendo de sua semelhança-símbolo. Só que, aqui, parece viver certa indecisão, ao tentar (sem conseguir) andar com as próprias pernas. Talvez por isso este seja o disco mais fraco do Interpol, do qual o que fica é que é preciso seguir em frente, atrás de uma identidade nunca adquirida. E, honra seja feita, a belíssima capa.