
O reinício se deu de onde o show havia parado, e o My Chemical Romance pode mostrar que, apesar da identificação com aquilo que envolve o termo emo, há luz no fim do túnel, graças a uma certa vocação para o rock de arena que pontua os melhores momentos do repertório. Músicas com bons refrões, levadas pegajosas e solos de guitarra envolventes garantem que o grupo vai, logo, logo, se livrar das amarras do subgênero do rock mais renegado de que se tem notícia. A boa “I’m Not Okay (I Promise)”, a contagiante “Mama”, uma balada que vai do country ao reggae sem que se perceba a diferença entre eles, e “The Sharpest Lives”, só pra ficamos com três, são exemplos de como o grupo pode arrastar multidões sem apelar para o chororô teen.
O choro marcou presença na platéia, que não passou de metade da lotação da casa, e isso sem descontar a boa presença dos pais e responsáveis. Antes mesmo do primeiro acorde soar das guitarras, meninos e meninas com semblante triste circulavam aqui e acolá, e vibravam com a simples entrada de um roadie para ajustar um microfone. Era, sem dúvida, o primeiro show da grande maioria que ali estava. Jogo ganho para o MCR, mesmo considerando a fraca presença de palco do simpático Gerard Way. Mesmo assim, ele se superou em momentos de certa catarse, nos hits “Teenagers” e “Helena”, e ainda num melancólico final de show, com “Sleep” e “Cancer”, quando ficou sozinho e emendou o bis sem aquele tradicional intervalo.
Apesar da tristeza, mais estética do que verdadeiramente emocional, contraditoriamente o público se divertiu a valer. Cantou – muitas vezes à capela, como em “Mama” -, gritou, pulou, subiu no palco e saiu carregado por seguranças como criança, e, no fim, se extasiou. Mesmo em músicas mais porradas, como ”My Way Home Is Through You” e “Headfirst For Halos”, essa do primeiro disco do grupo, ninguém recuou um milímetro sequer. Tendo ainda como referência o poppy punk do Green Day, mas sem cair em descartabilidades à Blink 182, o My Chemical Romance projeta, ao contrário de seus fãs, efêmeros que só eles, um futuro que pode ser promissor. É só seguir a tal vocação para o rock de arena. Quem banca as apostas?
O My Chemical Romance segue a turnê pelo Brasil amanhã, dia 17, no Hellooch, em Curitiba, e nos dias 18 e 19 em São Paulo, no Via Funchal. Mais detalhes aqui.