O Homem Baile
16 de fevereiro de 2008
Equipe inexperiente faz show do My Chemical Romance no Rio começar duas vezes
Grupo americano iniciou turnê sul-americana ontem à noite, no Vivo Rio, e se deparou com platéia enlouquecida e chorona.

Um passinho pra trás, por favor, já dizia o cobrador. Foi quase isso que a equipe responsável pela produção do show do My Chemical Romance pediu ao ralo público que compareceu ao Vivo Rio ontem à noite, e isso depois de a apresentação ter iniciado. Ao fim da segunda música, “Dead!” (de um começo não muito animador) o vocalista pediu que as pessoas que estavam junto à grade se afastassem para trás, e depois deixou o serviço para a equipe brasileira, cujo “líder” solicitou que todos dessem cinco(!) passos para trás, já que o local estava vazio. Depois de quase quinze minutos de espera e gritos pedindo a expulsão dos que se entulhavam junto às grades, estas é que foram retiradas e tudo se acomodou com a dinâmica do show, como, em geral, sempre acontece. Oxalá a produção tenha aprendido a lição, porque os dois shows de São Paulo têm ingressos esgotados...

O reinício se deu de onde o show havia parado, e o My Chemical Romance pode mostrar que, apesar da identificação com aquilo que envolve o termo emo, há luz no fim do túnel, graças a uma certa vocação para o rock de arena que pontua os melhores momentos do repertório. Músicas com bons refrões, levadas pegajosas e solos de guitarra envolventes garantem que o grupo vai, logo, logo, se livrar das amarras do subgênero do rock mais renegado de que se tem notícia. A boa “I’m Not Okay (I Promise)”, a contagiante “Mama”, uma balada que vai do country ao reggae sem que se perceba a diferença entre eles, e “The Sharpest Lives”, só pra ficamos com três, são exemplos de como o grupo pode arrastar multidões sem apelar para o chororô teen.

O choro marcou presença na platéia, que não passou de metade da lotação da casa, e isso sem descontar a boa presença dos pais e responsáveis. Antes mesmo do primeiro acorde soar das guitarras, meninos e meninas com semblante triste circulavam aqui e acolá, e vibravam com a simples entrada de um roadie para ajustar um microfone. Era, sem dúvida, o primeiro show da grande maioria que ali estava. Jogo ganho para o MCR, mesmo considerando a fraca presença de palco do simpático Gerard Way. Mesmo assim, ele se superou em momentos de certa catarse, nos hits “Teenagers” e “Helena”, e ainda num melancólico final de show, com “Sleep” e “Cancer”, quando ficou sozinho e emendou o bis sem aquele tradicional intervalo.

Apesar da tristeza, mais estética do que verdadeiramente emocional, contraditoriamente o público se divertiu a valer. Cantou – muitas vezes à capela, como em “Mama” -, gritou, pulou, subiu no palco e saiu carregado por seguranças como criança, e, no fim, se extasiou. Mesmo em músicas mais porradas, como ”My Way Home Is Through You” e “Headfirst For Halos”, essa do primeiro disco do grupo, ninguém recuou um milímetro sequer. Tendo ainda como referência o poppy punk do Green Day, mas sem cair em descartabilidades à Blink 182, o My Chemical Romance projeta, ao contrário de seus fãs, efêmeros que só eles, um futuro que pode ser promissor. É só seguir a tal vocação para o rock de arena. Quem banca as apostas?

O My Chemical Romance segue a turnê pelo Brasil amanhã, dia 17, no Hellooch, em Curitiba, e nos dias 18 e 19 em São Paulo, no Via Funchal. Mais detalhes aqui.

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