O Homem Baile
23 de fevereiro de 2008
Deep Purple traz de volta o bê-á-bá do rock
De volta ao País pela terceira vez na turnê do último álbum, grupo inglês, que completa quarenta anos, faz boa apresentação no Citibank Hall, no Rio.

“Desculpe, estamos atrasados”, disse Ian Gillan logo no início do show. Ele se referia à espera de quase duas horas imposta ao público pela produção do show, que não conseguiu liberar o equipamento da banda na Alfândega e teve que alugar outro às pressas. Contudo, uma atmosfera muito boa tomou conta do Citibank Hall ontem à noite, no Rio. Foi talvez o menor público que o grupo reuniu no Brasil desde que começou a freqüentar estas plagas, em 1991, e lá se vão 17 anos...

Foi divulgado que o show dessa turnê teria o repertório do DVD/CD ao vivo “Live In Montreux 2006”, mas às vésperas da apresentação, em entrevistas, o baixista Roger Glover desmentiu tudo, colocando uma pulga atrás da orelha dos fãs. Afinal, o que esperar do terceiro show no Brasil da mesma turnê, a do álbum “Rapture Of The Deep”? No mínimo uma renovação do repertório, sem mexer muito nos clássicos, claro – quebra-cabeça que deve ser praxe numa banda de 40 anos de estrada. Pouca coisa mudou em relação ao show de 2005 (confira abaixo o set list e compare com o anterior) e ao repertório do DVD, mas o grupo parecia muito mais disposto, incluindo Gillan, que hoje é o foco de risco no Deep Purple, pois sua voz já não suporta muito arrojo como há, digamos trinta e poucos anos.

Uma das surpresas foi “Into The Fire”, logo a terceira, onde o vocalista mandou muito bem, mostrando que não estava para brincadeira. Aliás, o começo foi arrasador, com quatro músicas coladas umas nas outras, incluindo “Things I Never Said”, do último disco, que não desandou. Em “Strange Kind Of Woman”, a última desse bloco, Gillan foi muito bem, revivendo com Steve Morse (do jeito que deu) o duelo de vocal/guitarra registrado com Ritchie Blackmore no fabuloso “Made In Japan”. Mais tarde, “Mary Long”, um single oculto dos tempos do “Machine Head” foi desenterrado, e o set teve um momento de tranqüilidade com músicas mais recentes, dos dois últimos discos, compostas por essa e para essa formação veterana.

Outra novidade, “The Battle Rages On”, depois de um empolgante solo de Morse, foi a senha para o desfile de clássicos que dificilmente saem do repertório dos shows do Purple. O solo de Don Airey, que surpreendentemente não incluiu o tema de Mr. Crowley, de Ozzy, sua grande criação, foi ensanduichado por “Lazy” e “Perfect Srangers”. O início é perfeito, e Gillan se supera, num esforço dos diabos para cantar o refrão. A música é uma das que mais agita o público, e talvez a única, de fora do repertório dos anos 70, que consegue essa unânime façanha. A missão de fechar o set ficou para a dobradinha “Highway Star” e “Smoke On The Water”.

Na primeira, Ian Gillan entrega os pontos: não consegue cantar as partes mais altas, se esconde no canto do palco e faz Morse e Glover “bangear” no centro. Gillan foi aos camarins se aliviar e quase não voltou a tempo de reinicias sua parte depois do solo de guitarra. “Smoke On The Water” teve o tradicional início disfarçado dessa formação e realçou a perícia técnica de Steve Morse, que, se pouco inventivo no Purple, faz o feijão com arroz muito bem. A de Ian Paice pode ser vista em todo o set, sobretudo em “Highway Star”. É impressionante como ele, prestes a completar 60 primaveras, não pede a pegada. No bis, Hush foi limada (Gillan teria pedido?) e sobrou para “Black Night”, já cantarolada pela platéia, a tarefa de encerrar uma noite evidentemente clássica.

Set List
1- Pictures Of Home
2- Things I Never Said
3- Into The Fire
4- Strange Kind Of Woman
5- Rapture Of The Deep
6- Mary Long
7- Kiss Tomorrow Goodbye
8- Well Dressed Guitar
9- The Battle Rages On
10- Lazy
11- Solo de Don Airey
12- Perfect Strangers
13- Space Truckin'
14- Highway Star
15- Smoke On The Water
Bis
16- Black Night

O Deep Purple continua sua turnê pelo Brasil. Toca hoje em Curitiba, no Hellooch, e no Credicard Hall, domingo, em São Paulo.

em fevereiro 23, 2008 02:29 PM [Carlos]

Estive ontem na Barra para ver o Deep Purple. Os caras seguraram bem e demonstraram profissionalismo, falo isso porque foram bem prejudicados pela organização da casa. A iluminação estava um lixo, principalmente em "Smoke on the Water" e Ian Paice ficou limitadíssimo com a bateria que lhe arranjaram. Deu até para entender o encerramento apenas com "Black Night". Mas valeu a pena assim mesmo, é sempre bom ouvir Deep Purple. Foi uma noite clássica mesmo, clássico pelo Purple e clássico pela organização nacional.



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