
Foi divulgado que o show dessa turnê teria o repertório do DVD/CD ao vivo “Live In Montreux 2006”, mas às vésperas da apresentação, em entrevistas, o baixista Roger Glover desmentiu tudo, colocando uma pulga atrás da orelha dos fãs. Afinal, o que esperar do terceiro show no Brasil da mesma turnê, a do álbum “Rapture Of The Deep”? No mínimo uma renovação do repertório, sem mexer muito nos clássicos, claro – quebra-cabeça que deve ser praxe numa banda de 40 anos de estrada. Pouca coisa mudou em relação ao show de 2005 (confira abaixo o set list e compare com o anterior) e ao repertório do DVD, mas o grupo parecia muito mais disposto, incluindo Gillan, que hoje é o foco de risco no Deep Purple, pois sua voz já não suporta muito arrojo como há, digamos trinta e poucos anos.
Uma das surpresas foi “Into The Fire”, logo a terceira, onde o vocalista mandou muito bem, mostrando que não estava para brincadeira. Aliás, o começo foi arrasador, com quatro músicas coladas umas nas outras, incluindo “Things I Never Said”, do último disco, que não desandou. Em “Strange Kind Of Woman”, a última desse bloco, Gillan foi muito bem, revivendo com Steve Morse (do jeito que deu) o duelo de vocal/guitarra registrado com Ritchie Blackmore no fabuloso “Made In Japan”. Mais tarde, “Mary Long”, um single oculto dos tempos do “Machine Head” foi desenterrado, e o set teve um momento de tranqüilidade com músicas mais recentes, dos dois últimos discos, compostas por essa e para essa formação veterana.
Outra novidade, “The Battle Rages On”, depois de um empolgante solo de Morse, foi a senha para o desfile de clássicos que dificilmente saem do repertório dos shows do Purple. O solo de Don Airey, que surpreendentemente não incluiu o tema de Mr. Crowley, de Ozzy, sua grande criação, foi ensanduichado por “Lazy” e “Perfect Srangers”. O início é perfeito, e Gillan se supera, num esforço dos diabos para cantar o refrão. A música é uma das que mais agita o público, e talvez a única, de fora do repertório dos anos 70, que consegue essa unânime façanha. A missão de fechar o set ficou para a dobradinha “Highway Star” e “Smoke On The Water”.
Na primeira, Ian Gillan entrega os pontos: não consegue cantar as partes mais altas, se esconde no canto do palco e faz Morse e Glover “bangear” no centro. Gillan foi aos camarins se aliviar e quase não voltou a tempo de reinicias sua parte depois do solo de guitarra. “Smoke On The Water” teve o tradicional início disfarçado dessa formação e realçou a perícia técnica de Steve Morse, que, se pouco inventivo no Purple, faz o feijão com arroz muito bem. A de Ian Paice pode ser vista em todo o set, sobretudo em “Highway Star”. É impressionante como ele, prestes a completar 60 primaveras, não pede a pegada. No bis, Hush foi limada (Gillan teria pedido?) e sobrou para “Black Night”, já cantarolada pela platéia, a tarefa de encerrar uma noite evidentemente clássica.
Set List
1- Pictures Of Home
2- Things I Never Said
3- Into The Fire
4- Strange Kind Of Woman
5- Rapture Of The Deep
6- Mary Long
7- Kiss Tomorrow Goodbye
8- Well Dressed Guitar
9- The Battle Rages On
10- Lazy
11- Solo de Don Airey
12- Perfect Strangers
13- Space Truckin'
14- Highway Star
15- Smoke On The Water
Bis
16- Black Night
O Deep Purple continua sua turnê pelo Brasil. Toca hoje em Curitiba, no Hellooch, e no Credicard Hall, domingo, em São Paulo.
Estive ontem na Barra para ver o Deep Purple. Os caras seguraram bem e demonstraram profissionalismo, falo isso porque foram bem prejudicados pela organização da casa. A iluminação estava um lixo, principalmente em "Smoke on the Water" e Ian Paice ficou limitadíssimo com a bateria que lhe arranjaram. Deu até para entender o encerramento apenas com "Black Night". Mas valeu a pena assim mesmo, é sempre bom ouvir Deep Purple. Foi uma noite clássica mesmo, clássico pelo Purple e clássico pela organização nacional.