O Homem Baile
29 de outubro de 2007
Em plena forma, Glenn Hughes revive grandes sucessos do Deep Purple e mostra exemplar fusão de rock, funk e soul
Baixista mantém a voz aguda que o consagrou; Ian Gillan e David Coverdale que se cuidem. Veja também as coberturas dos shows do Tim Festival e do Napalm Death.

Pode parecer démodé, a essa altura do campeonato, trinta anos após o auge da banda, um show de um dos ex-baixistas do Deep Purple. Mas como deixar passar a oportunidade de ver Glenn Hughes interpretando grandes clássicos do rock, sendo que ele participou de tudo? Foi pensando assim que um público apenas razoável compareceu ontem ao Circo Voador, e não se arrependeu. Hughes, no alto de seus 56 anos, mantém um apuro vocal impecável, de longe melhor que David Coverdale e Ian Gillan, ambos também com passagem pelo Purple.

A noite começa sem a menor cerimônia: de cara os acordes iniciais da excelente “Stormbringer” são reconhecidos pelo público, jogando fora qualquer desconfiança quanto ao caráter histórico da noite. A seguinte é “Might Just Take You Life”, e logo Glenn Hughes mostra o alcance de sua voz nas notas mais altas, sem deixar de mandar muito bem nas partes mais graves e ásperas. Ele está muito bem e não para de se derreter em amores pelo Rio, chamando o tempo todo o público de “brothers and sisters”. O baixista nunca tinha tocado na cidade, mas esteve aqui a passeio outras vezes, a ponto de contar uma história de um certo romance que viveu no passado com uma brasileira.

Em certos aspectos o show é uma espécie de aula de história do rock, com Hughes no papel de Forrest Gump. Foi assim que ele contou como foi feita a primeira música do Deep Purple depois que Ian Gillan e Roger Glover saíram, lembrando em detalhes Ritchie Blackmore mostrando umas partes de guitarra para ele começar a fazer as de baixo. Era “Mistreated”, anunciada em meio a arroubos de felicidade na platéia. Pouco importa se os créditos vão para Coverdale e Blackmore, o que conta é que Hughes estava lá. No meio da música um cabeçote de amplificador pifa e Hughes trata de mandar novos exercícios vocais para entreter o público. Já antes de anunciar “Gettin’ Tighter”, ele cita a parceria com Tommy Bolin – e fãs vibram. A música abre espaço para uma série de solos de cada um dos integrantes, e Glenn Hughes surpreende pelos efeitos eletrônicos inseridos no baixo.

Além do apoio vocal fundamental cedido ao Purple em contraponto à voz rascante de David Coverdale (ambos substituíram Ian Gillan muito bem), o que marcou a carreira de Glenn Hughes foram as levadas de funk rock que ele introduziu ao grupo. Pode ser pouco, mas elas estão lá, com brilhantismo nos álbuns “Stormbringer” e “Burn”, e no show aparecem em quase todas as músicas de sua carreira solo. Ele próprio chega a anunciar o tal funk rock para o público (“Can you feel the funk?”), como um James Brown desbotado, antes de detonar evoluções extremamente cativantes, em geral sustentadas por riffs de guitarra de igual valia.

As duas horas e pouco de show são coroadas pelo óbvio (porém não menos acachapante) bis com “Burn”, talvez a música símbolo da fase Hughes/Coverdale no Purple. É impressionante como depois de tanto tempo, e a despeito das evoluções tecnológicas, a música continua atualíssima, em termos de peso a agressividade. O fechamento ideal para uma noite inesquecível. Para brothers e para sisters.

em novembro 9, 2007 11:05 AM [Tiago Matias]

Eu sou fã desse cara! Essa pegada 'funkie' dele é muito foda! Fez um bem danado ao Purple!!!!



ESCREVA UM COMENTÁRIO

Nome
Email
Site
Salvar informações pessoais?
Sim       Não
Comentário (you may use HTML tags for style)















desenvolvido por
Gabriel Lupi / zupa.net

ilustrações por
Flávio Flock


© 2005 - 2006 - Rock em Geral: gardenal.org/rockemgeral
Os textos publicados em Rock é Rock Mesmo podem ser reproduzidos total ou parcialmente, desde que sejam citados fonte, autoria e endreço do site. O sistema de comentários disponibilizado aos leitores do Rock em Geral é exclusivamente para a publicação de opiniões e comentários relacionados ao conteúdo deste site. Todo e qualquer texto publicado na internet através deste sistema, assim como os links oferecidos, não refletem, necessariamente, a opinião de seu autor. Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso, e podem ser excluídos, a critério do autor do site.