
Há os que dizem que o placar sofrido pelo alvinegro fala por si só: quatro a um é uma lavada que não permitiria choro. Mas como não admitir que o autor dos quatro gols do Náutico, o uruguaio Acosta, deveria ter sido expulso antes de fazer dois deles? Se não fosse ele, outro jogador teria feito os dois gols? Talvez, sobretudo o de pênalti, mas vai saber. O fato é que o árbitro Rodrigo Cintra (conhecido como “expulsinho”, dada a ânsia pela exclusão de jogadores em uma partida) mandou Jorge Henrique mais cedo para o chuveiro (vermelho direto) e aliviou para o uruguaio grandalhão. Erro crasso, mas que tem explicação.
Antes, no entanto, um outro erro, também gravíssimo, ajudou a detonar o Fogão. Um pênalti que não aconteceu foi marcado com uma convicção resoluta. A poucos metros do lance, o bem preparado fisicamente juiz apontou para a marca da cal com uma animação dos diabos. Pela TV, de cara, tive dúvidas. Com um replay atestei mais uma lambança. Mas como? Se o árbitro estava tão perto do lance? Difícil de acreditar. Assim como é inacreditável que o goleiro Max tenha tomado um frango numa cobrança de pênalti. Só com o Botafogo mesmo...
A explicação para erros desse tipo – além da história de que todo juiz é um ladrão vocacional, que volta e meia eu conto – está na antiga rivalidade entre os clubes do Rio e de São Paulo, coisa também já destrinchada em outras colunas. Em termos de Campeonato Brasileiro, os clubes dessas duas cidades têm se revezado no comando. Até há pouco tempo o número de títulos somados de cada clube dessas cidades apontava para um empate, mas nos últimos anos ocorre um domínio das equipes além Dutra. Isso a ponto de a crônica paulistana insistir numa crise do futebol carioca. Ocorre que, nesse ano, com ou sem crise, os cariocas começaram o campeonato na parte de cima da tabela, à exceção do incorrigível Flamengo. Fato que desperta certa indignação por todo mundo lá em São Paulo, incluindo crônica, dirigentes, jogadores, torcedores e – óbvio – sopradores de apito. Sim, meus amigos, os caras simplesmente não aceitam ficar por baixo, mesmo que tenham que contrariar os fatos.
É daí que vem a explicação para o desastre de Rodrigo Cintra no domingo passado. Não que ele tenha entrado determinado a roubar, ou que tenha sido coagido por este ou aquele fulano. Nada disso. Não há complô nem teoria da conspiração. O fato é que está incutido nele essa indignação com a melhora dos clubes cariocas, a ponto de ele agir quase que por extinto, de modo a, na dúvida, apitar contra o Botafogo. Só isso explica a marcação com tamanha convicção daquele pênalti, duvidoso até pela TV, antes do replay. Só isso explica a expulsão só do jogador do clube carioca, numa jogada violenta de parte a parte. Assim como a antiga arbitragem caseira, que, na dúvida, fica com a equipe mandante, a paulistana, em jogo de time carioca, fica sempre a favor do adversário.
Concordem ou não, seria sensato que a Comissão de Arbitragem evitasse levar juízes da Federação Paulista para o sorteio de árbitros para jogos envolvendo clubes cariocas. Evitaria esse tipo de teoria que desenvolvi, seja ela plausível, uma unanimidade ou não. Não importa. O fato é que o Botafogo continua sendo roubado, e é preciso fazer algo. O técnico Cuca já percebeu que essas lambanças destroem o esquema que ele monta, uma vez que os jogadores se descontrolam infantilmente. Cuca precisa, também, convencer os dirigentes do clube da General Severiano a parar com isso de reclamar o tempo todo, porque isso tá virando desculpa para as mazelas dos jogadores em campo. E o Botafogo não pode, mesmo, ficar no “quase”. Tem que passar por cima de tudo isso. Aos dirigentes cabe toda e qualquer ação legal, seja na justiça desportiva ou comum. Chega de choro.
Até a próxima que no Flamengo é o craque que atrapalha!!!