Bola e Bola Mesmo
11 de setembro de 2007
Mais uma lambança
Desastrosa arbitragem de São Paulo não permite crescimento de time carioca. Um filme que estamos cansados de ver.

Não é muito agradável, semana após semana, ficar falando mais ou menos as mesmas coisas. Ainda mais numa coluna que foi criada justamente para tratar do futebol sob um olhar diferente. Mas como ficar imune ante as lambanças patrocinadas pelos homens de preto? Sim, meus amigos, o Botafogo voltou a ser roubado inapelavelmente no domingo, e dessa vez a explicação deste que vos escreve – se é que existe uma – é outra. Ou quase outra. O Botafogo é que não pode, segundo o técnico Cuca, ser o time do “quase”. Também acho.

Há os que dizem que o placar sofrido pelo alvinegro fala por si só: quatro a um é uma lavada que não permitiria choro. Mas como não admitir que o autor dos quatro gols do Náutico, o uruguaio Acosta, deveria ter sido expulso antes de fazer dois deles? Se não fosse ele, outro jogador teria feito os dois gols? Talvez, sobretudo o de pênalti, mas vai saber. O fato é que o árbitro Rodrigo Cintra (conhecido como “expulsinho”, dada a ânsia pela exclusão de jogadores em uma partida) mandou Jorge Henrique mais cedo para o chuveiro (vermelho direto) e aliviou para o uruguaio grandalhão. Erro crasso, mas que tem explicação.

Antes, no entanto, um outro erro, também gravíssimo, ajudou a detonar o Fogão. Um pênalti que não aconteceu foi marcado com uma convicção resoluta. A poucos metros do lance, o bem preparado fisicamente juiz apontou para a marca da cal com uma animação dos diabos. Pela TV, de cara, tive dúvidas. Com um replay atestei mais uma lambança. Mas como? Se o árbitro estava tão perto do lance? Difícil de acreditar. Assim como é inacreditável que o goleiro Max tenha tomado um frango numa cobrança de pênalti. Só com o Botafogo mesmo...

A explicação para erros desse tipo – além da história de que todo juiz é um ladrão vocacional, que volta e meia eu conto – está na antiga rivalidade entre os clubes do Rio e de São Paulo, coisa também já destrinchada em outras colunas. Em termos de Campeonato Brasileiro, os clubes dessas duas cidades têm se revezado no comando. Até há pouco tempo o número de títulos somados de cada clube dessas cidades apontava para um empate, mas nos últimos anos ocorre um domínio das equipes além Dutra. Isso a ponto de a crônica paulistana insistir numa crise do futebol carioca. Ocorre que, nesse ano, com ou sem crise, os cariocas começaram o campeonato na parte de cima da tabela, à exceção do incorrigível Flamengo. Fato que desperta certa indignação por todo mundo lá em São Paulo, incluindo crônica, dirigentes, jogadores, torcedores e – óbvio – sopradores de apito. Sim, meus amigos, os caras simplesmente não aceitam ficar por baixo, mesmo que tenham que contrariar os fatos.

É daí que vem a explicação para o desastre de Rodrigo Cintra no domingo passado. Não que ele tenha entrado determinado a roubar, ou que tenha sido coagido por este ou aquele fulano. Nada disso. Não há complô nem teoria da conspiração. O fato é que está incutido nele essa indignação com a melhora dos clubes cariocas, a ponto de ele agir quase que por extinto, de modo a, na dúvida, apitar contra o Botafogo. Só isso explica a marcação com tamanha convicção daquele pênalti, duvidoso até pela TV, antes do replay. Só isso explica a expulsão só do jogador do clube carioca, numa jogada violenta de parte a parte. Assim como a antiga arbitragem caseira, que, na dúvida, fica com a equipe mandante, a paulistana, em jogo de time carioca, fica sempre a favor do adversário.

Concordem ou não, seria sensato que a Comissão de Arbitragem evitasse levar juízes da Federação Paulista para o sorteio de árbitros para jogos envolvendo clubes cariocas. Evitaria esse tipo de teoria que desenvolvi, seja ela plausível, uma unanimidade ou não. Não importa. O fato é que o Botafogo continua sendo roubado, e é preciso fazer algo. O técnico Cuca já percebeu que essas lambanças destroem o esquema que ele monta, uma vez que os jogadores se descontrolam infantilmente. Cuca precisa, também, convencer os dirigentes do clube da General Severiano a parar com isso de reclamar o tempo todo, porque isso tá virando desculpa para as mazelas dos jogadores em campo. E o Botafogo não pode, mesmo, ficar no “quase”. Tem que passar por cima de tudo isso. Aos dirigentes cabe toda e qualquer ação legal, seja na justiça desportiva ou comum. Chega de choro.

Até a próxima que no Flamengo é o craque que atrapalha!!!

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