Bola e Bola Mesmo
04 de setembro de 2007
Em terra de time ruim, quem tem o mínimo de estrutura é líder
Num campeonato nivelado por baixo e marcado pela irregularidade, líderes apenas razoáveis dominam a tabela de classificação. Mas emoção não falta, e público percebe e comparece.

Não é possível saber exatamente o porquê, mas a rodada do final de semana (podem incluir a de quarta e quinta também) não teve maiores problemas no quesito arbitragem. Ou, por outra, não houve roubo. Ontem vi os caras do Palmeiras reclamando na televisão, mas a real é que o placar maioral que o Cruzeiro enfiou no time do Parque Antarctica não carece de explicação. Um sonoro cinco a zero fala por si só. É ou não é?

Falando em goleadas, o ataque do São Paulo, ao que parece, desencantou. Onze gols em dois jogos não é para qualquer um, não. Se continuar assim, ainda mais sem tomar gols, o saldo do clube paulistano vai crescer assustadoramente. Eu, pessoalmente, não acredito. Não só porque o ataque (e o time todo) do São Paulo é ruim, mas porque a lógica diz que, quando uma equipe está há muito tempo sem perder, é aí que a derrota está mais próxima. Simplesmente porque nenhum time ganha (ou perde) pra sempre. Ainda mais em tempos de flagrante irregularidade nas campanhas.

Mas o fato é que o São Paulo é o time a ser batido. E o candidato imediato a batê-lo é, quem diria, o Vasco de Celso Roth. Sem perder há um ano no alçapão de São Januário, o Clube da Colina tem tudo para derrotar o São Paulo, já no próximo sábado. Não acho que o Vasco tenha time para isso, mas as condições do jogo o favorecem e, sentencio, o São Paulo não sai de São Januário com os três pontos. Se bobear não vence nem o também irregular Atlético amanhã, no Mineirão. Como percebem os amigos, não acredito nesse time do São Paulo.

O problema, então, passa a ser acreditar nos outros. E a tabela de classificação sugere que o caçador da vez é o Cruzeiro. Está oito pontos atrás, mas com um jogo a menos – passa pra cinco. Se vencer o confronto direto, no Morumbi, cai para dois, o que significa um reles empate num dos outros dois clássicos que o time paulista tem contra Corinthians e Santos. Parece fácil. E o Cruzeiro é um time que joga no embalo. Vai pra cima, faz muitos gols e leva mais um punhado, exatamente como gostam os mais antigos e saudosistas comentaristas. É o ataque mais positivo (54) e a quinta defesa mais vazada (37, empatado com o Sport). Dá pra confiar nesse Cruzeiro? Não, mas, em termos de caçada ao líder, é o que há.

E lá embaixo, hein? As coisas parecem que estão se definindo, e, assim como no ano passado, apontam para mais um rebaixamento dos sonhos, só com times pequenos. O América já foi (nem era para ter vindo), e Náutico e Juventude estão bem encaminhados. Paraná, dono do pior campo da história, e Figueirense estão interessados. Lindo isso, mas o Flamengo é que se cuide – e está se cuidando, apesar do empate xôxo de sábado.

Voltando aparte de cima, não é nada agradável constatar que os líderes da competição são times ruins. O aclamado Botafogo está perdidaço, e, dizem, teme-se em General Severiano que o time sequer vá à Libertadores no ano que vem. A equipe do Vasco padece já na escalação, muito embora Conca e Leandro Amaral (o rei do travessão) têm salvado a lavoura. Cruzeiro e São Paulo vão no embalo, mas nem de longe têm os escretes de outrora. Dali pra baixo é tudo queniano. Ou, melhor, tudo japonês. Até chegar na chamada zona da degola.

A constatação, se percebe a falta de qualidade técnica das equipes, não retira do certame o quesito emoção e, por conseguinte, o interesse do torcedor. Tanto que o público tem aumentado nos estádios, e com razão. Jogos como as goleadas aplicadas por Cruzeiro e São Paulo, no final de semana, ou por Fluminense e Vasco no meio, ou ainda o empate entre os dois cariocas no domingo, são exemplos de jornadas com certa emoção de parte a parte. De agora em diante, toda e qualquer partida envolvendo os líderes (sobretudo o São Paulo, repito, o time a ser batido) deve ser emocionante. Sem falar que o Corinthians, mas uma vez, renasce das cinzas, assim como acontece com o Flamengo do esbravejador Joel Santana. Ou seja, tá ruim, mas tá bom.

Até a próxima que lugar de treinador, agora, é na arquibancada!!!

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