Pra que se reinventar? Para o Autoramas, basta continuar gravando as bem sacadas composições de Gabriel Thomaz e seguir em frente. Como definir músicas como “Mundo moderno”, “O inesperado” e “Marketeiro”, senão como algo tipicamente Autoramas? A marca já está criada e inclui os ingredientes indispensáveis ao conjunto da obra: guitarra limpa, baixo distorcidão, bateria dançante à anos 80, um Devo aqui, uma surf music acolá, letras das quais escorrem certo veneno e assim por diante. De diferente nesse quarto disco, há uma dose a mais de jovem guarda (influência dos Tremendões?), sobretudo em “A 300 KM/H”. “Guitarrada” amplifica o regionalismo paraense, há a quase blues “Eu mereço” e uma estranha incursão ao universo de Fausto Fawcett: “Digoró”. No mais, é o sempre bom e velho Autoramas. Ainda bem.