
Números e contabilidades à parte, a compilação serve, de cara, para se observar a evolução do Police, entre 1978, ano do primeiro álbum, “Outlandos D’Amour”, e 1983, o do quinto e último, o já citado “Synchronicity”. De um punk rock cheio de nuances do reggae, o grupo atingiu uma maturidade musical extraordinária, sobretudo graças a uma evolução de Sting como compositor, que se reflete num disco conceitual e definitivo para a história do rock. E vale lembrar – voltando aos números – que Sting fez sozinho 25 das 28 faixas do CD, outras duas em parceria com Stewart Copeland e Andy Summers, sendo só uma, justamente “Fall Out”, a cereja do bolo, a única de Copeland. Era de se esperar, portanto, que Sting saísse realmente em carreira solo, como aconteceu em 1985.
Acontece que, num mundo onde tudo se baixa gratuitamente na Internet, como produto este CD duplo tem pouco a oferecer. A única coisa que poderia seduzir os fãs é o encarte que se abre e revela a reprodução do pôster de uma aparição da banda em duas rádios americanas, em 1979. A gravadora poderia aproveitar a oportunidade e lançar algo mais substancial, na linha da espetacular caixa “Message in a Box”, editada lá fora em 1993 e jamais lançada por aqui. O mais provável é que um certo apuro gráfico e histórico saia mesmo no DVD que certamente será lançado após essa turnê de reunião. Quanto a essa coletânea, só atenderá a fãs de última hora mesmo.