Bola e Bola Mesmo
28 de agosto de 2007
O caos está instalado
Erros de arbitragem instituem a bagunça generalizada no campeonato brasileiro.

Falar de erros de arbitragem depois de uma rodada em que os homens de preto transformaram o Campeonato Brasileiro num inexorável pardieiro é de fato um grande lugar comum. E por isso mesmo o assunto não deveria ter destaque num espaço que se propõe como uma alternativa ao blá blá blá da imprensa esportiva. Mas como ficar imune a fatos tão contundentes? No Maracanã, um jogador de linha tirou a bola das mãos do goleiro (o que já seria falta se fosse com o pé) com a mão, e valeu. No Beira-Rio, um jogador colorado caiu a quase um metro fora da área e o sujeito apontou para a marca da cal. Em seguida, não aplicou a lei da vantagem e impediu o tento de empate do Atlético do Paraná. Só dois exemplos que se salientam dentre uma lambança generalizada.

Citei os dois (três, na verdade) lances porque foram os juízes responsáveis por eles os punidos pela Comissão de Arbitragem da CBF – Paulo César Oliveira (no Rio) e Luís Antonio da Silva (em Porto Alegre). Acuado pelos fatos, o Presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Sérgio Corrêa, teve que fazer alguma coisa, além de empurrar outros juízes para a tal geladeira e para jogos da terceira divisão. A medida, no entanto, se rigorosa, bem intencionada e acertada, de outro lado soa como admissão dos grotescos erros e acabam dando razão aos clubes (dirigentes, treinadores e atletas) que tanto reclamaram no pós-jogo, e foram ridicularizados pela crônica como incorrigíveis chorões. Mais: admite ainda um problema estrutural e generalizado, que não pode só ser resolvido à palmatória.

Eu fico muito à vontade para tocar no assunto, pois há tempos venho reclamando dos juízes e bandeirinhas, e, também, da crônica esportiva, que em geral minimiza o fato alegando que todos os clubes têm erros de arbitragem “contra” e “a favor”, como se isso fosse de possível mensuração. Alegam os entendidos que o clube que quer ser campeão tem que superar os adversários e ainda os erros de arbitragem. Ou que a tal equipe que se sente prejudicada nem reclamaria, se obtivesse um placar mais elástico. Ou, por último, que os treinadores acabam escondendo os erros de sua equipe, atrás dos erros (humanos, claro) dos juízes. A argumentação pode até fazer sentido, mas a quantidade desses reclamões aumentou tanto, em número e intensidade, que até um basbaque percebe que há algo de errado nessa história.

Em defesa dos juízes há aqueles que acham que é a tecnologia que permite que a televisão mostre lances que o árbitro (humano) não consegue ver. Não foi, absolutamente, o caso dos lances desse final de semana. O golpe que o zagueiro Fábio Luciano, do Flamengo, aplicou no atacante do Goiás pode ser visto a mil léguas de distância. A cortada que o jogador do Grêmio deu na bola que estava segura nas mãos de Fernando Henrique, o goleiro do Fluminense, foi claramente vista pelo bandeirinha, que, dizem, debochou da reclamação da zaga carioca. E que o jogador do Inter estava fora da área ao ser levado ao chão, é de uma unanimidade inquestionável.Todo mundo viu, de primeira, sem câmera lateral ou replay.

Os juízes têm um poder muito grande no futebol para serem tão mal preparados. É preciso prepará-los melhor e tirar um pouco desse poder excessivo também. Ao entrar em campo, um juiz tem que saber (como em grande parte das profissões) que se errar vai ser advertido, punido ou mandado embora. Funciona assim o mercado de trabalho e deve se dessa forma com os árbitros também. No futebol é assim: zagueiro que fura perde a vaga, goleiro frangueiro vai para o banco e atacante que perde gol não veste a camisa nove. E com o juiz ladrão, nada acontece?

Volto à crônica esportiva para ratificar o que venho repetindo “ad eternum” a cada terça-feira. Assim como castigam treinadores, jogadores e equipes inteiras, a custa de análises muitas vezes subjetivas, nossos comentaristas precisam detonar com veemência a forma como esses homens de preto (e amarelo) vêm atuando. Da mesma forma que pegam jogadores pra Cristo, devem caçar o juiz ladrão com o rancor da mulher desprezada. Se um erro de arbitragem, por menor que seja, deve ser condenado como se tivesse uma importância colossal, quiçá as lambanças espetaculares como as que tivemos nesse final de semana.

Resta saber agora, como diria o sábio Lobão, quem é que vai pagar por isso. Quantos pontos os clubes deixaram de ganhar por causa desses erros? Quem os ressarcirá? Aquele que, por conta disso perder uma vaga numa competição internacional vai deixar de faturar uma grana preta. O que por ventura for rebaixado, sofrerá com os cortes nas cotas de TV, menores na série B. E só estou falando de grana, nem computei a questão esportiva, os títulos e tudo o que envolve uma competição desse nível, num país que ainda é o maior vencedor do futebol mundial.

Até a próxima, que vai faltar juiz para apitar no brasileirão!!!

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