
Só quem não pode entrar nessa é o próprio Botafogo. De tanto reclamar da arbitragem, na grande parte das vezes e forma justíssima, diga-sede passagem, os dirigentes alvinegros acabam já, de antemão, arranjando um álibi para um possível fracasso, em campo, de seus atletas. É só o Botafogo perder que a culpa é do juiz. No domingo, contra o Figueirense, foi assim. Mas e quando não for? Na quarta, contra o São Paulo, não foi. É verdade que houve roubo escandaloso no segundo gol da equipe do Morumbi, mas àquela altura a vaca já tinha ido para o brejo mesmo. A gritaria dos cartolas botafoguenses em nada ajuda – por que não agir silenciosamente, nos Tribunais? – e ainda por cima acirra tanto o ânimo dos jogadores, que eles se desesperam (como contra o São Paulo) e quase partem para as vias de fato, caso do jogo de domingo, como um lúcido Cuca reconheceu ainda dentro do gramado.
Já que concordamos todos que os juízes são ladrões, que paguem pelos seus erros. É preciso que a Comissão de Arbitragem puna severamente esses erros primários como o de domingo contra o Botafogo, assim como fez com a desinibida Ana Paula, ex-bandeirinha e atual celebridade (é mole?). Ainda que os clubes não consigam o reparo desses erros escandalosos como o de domingo, é preciso que profissionais incompetentes paguem exemplarmente pelos seus erros. É a única forma para que esse tipo de coisa seja, ao menos, minimizada.
Tenho dito muita coisa, meus amigos, e disse também que só o São Paulo poderia derrubar o Botafogo, como, de fato, aconteceu na ultima quarta. Sábado, o time paulista venceu mais uma, no domingo o Botafogo foi garfado, e pronto: para os alvissareiros de plantão o São Paulo já é o campeão. Calma, meus amigos, muita calma nessa hora. Primeiro porque o time do São Paulo é ruim, não tem sequer bons jogadores, e vive – aí está o grande mérito – do excelente trabalho de um treinador que sabe fazer dos limões uma limonada, e de uma competente (e bem capitalizada) diretoria. O resto, repito, não é nada. Digo isto desde o ano passado, quando o São Paulo foi campeão, e continuo a dizer, mesmo porque o time piorou bastante – é só ver que o destaque é a espetacular defesa, que só levou 7 gols em 19 jogos (a segunda, do Fluminense, tem 14 em 18).
Não há, absolutamente, um grande escrete nesse campeonato brasileiro. Poderia se o Botafogo, caso não fosse tomado pelo descontrole do qual já falei. Não é, também, o favorito (nisso, concordo) São Paulo, sem ter um único jogador de armação. Não é o Vasco, desprovido de craques, nem o Cruzeiro goleador com o ataque mais positivo até aqui. E, dali pra baixo, na tabela de classificação, é tudo japonês. Que podem, sim, chegar ali em cima, como essas equipes chegaram. Contrariando a lógica dos alvissareiros, me permito afirmar que o campeonato está aberto, nem os times que estão hoje lá na zona de rebaixamento hoje, estão condenados ao descenso. Há escapatória para todos, podem anotar.
Não, não vou me esquivar do Fla-Flu de amanhã. O maior clássico do futebol em todos os tempos volta a acontecer e tem o Fluminense como grande favorito. Sim, porque tem mais time, mais elenco, joga completo e está bem melhor, em termos técnicos, psicológicos e emocionais do que o grande rival. Não há dúvida: a equipe tricolor é bem melhor. Só uma coisa o Flu não tem e o Flamengo possui: um armador de jogadas. E não venham me falar do bom Tiago Neves, que no domingo nada armou, apenas finalizou – e muito bem, diga-se – um preciso lançamento de Júnior César e um joelhaço do outro lateral, Rafael. Ele pode decidir o jogo amanhã? Pode. Mas ele é pouco para um Fluminense endinheirado e que precisa vencer sempre, como conta sua tradição.
Dou outro lado, repito, há Roger. Sabemos que o garoto mimado só joga às vezes; na maioria dos jogos, some. E se amanhã for o dia de ele aparecer? Define o jogo e ponto final, como fez sábado no apagar das luzes contra o Náutico, num passe nem tão brilhante para o garnizé Leo Moura. Mas resolveu, decidiu, e isso pode acontecer amanhã, sim. Só o fato de o Flamengo não ter Renato Augusto, já é uma vantagem. E explico. O jogador, criado nas divisões de base do Flamengo (cuja fama de má formação é notória) não sabe onde jogar, e nenhum técnico, até hoje descobriu a posição do rapaz. Sinal evidente de que, chamado de “jóia”, craque ele não é. Deixe o garoto nas mãos do papai e da mamãe, ou na de um terapeuta, até ele decidir ser grande ou jogara toalha desse negócio de jogar bola. Por hora, é melhor assim para o rubro-negro.
Não, sem pipocagem. O Fluminense ganha o jogo, é favorito e tem que vencer.
Até a próxima, que Luxemburgo jogou a toalha!!!