
O fato é que pouco me valeu a atenção dispensada. Ou, por outra, valeu, sim, ao mesmo para reafirmar o óbvio. Que nossos comentaristas, apresentadores, cronistas, afamados até, se limitam a comentar a tabela de classificação do campeonato brasileiro, e não o futebol propriamente dito. E explico. Em vez de o fulano assistir a uma determinada partida e analisar aspectos positivos e negativos de uma equipe, para depois, ao colocá-los na balança, chegar a conclusão sobre o resultado, faz exatamente o contrário. Olha para a tabela de classificação, atesta a posição dessa equipe como verdade absoluta e faz a partir dali as suas considerações. O leitor de longa data já deve ter lido aqui mesmo constatação semelhante, ontem reavivada em minha memória com a clareza do sol.
Por isso, talvez, que algumas questões simplórias – se a análise fosse feita no jogo de bola e não a partir da tabela de classificação -, como o declínio do Botafogo, que de líder e dono de um futebol sensacional foi a nocaute para a quarta posição, não tenham sido explicadas nesses programas. Nem mesmo foram motivo de análise ou discussão. Nada. Ninguém, meus amigos, eu disse ninguém, ousou sequer palpitar sobre o assunto. Assim como também não explicaram como times ruins se assentam bem na tal tabela de classificação. Caso do Vasco e do São Paulo, atual líder, só para ficarmos com dois exemplos.
Sou do tempo, acreditem, em que um Ruy Porto da vida tinha uma coluna no Jornal dos Sports chamada “Ataque e Defesa” e nela explicava tudo, timtim por timtim. O próprio Ruy Porto comentava jogos no rádio e também participava de mesas redondas na TV, fazendo análises técnicas e táticas – numa época em que eu sequer sabia o significado do termo. Imagino que as novas gerações também não saibam, mesmo porque chamam, hoje em dia, de “jogador tático” aquele cabeça de bagre que vive a impedir o jogo bonito do adversário e não aparece para a torcida. Salvo raras exceções, os comentaristas de hoje são reles “entretenedores” que tratam o telespectador como elemento padronizado, esteja ele interessado em novelas, notícias filmes ou mesmo por futebol.
Digo isso em tom de desabafo, sim, mas também como uma constatação inapelável: a de que o futebol mudou – sabe-se lá pra que lado – e a crônica esportiva também, só que esta, para pior, muito pior. Porque sai a análise e entra o vil entretenimento. Talvez seja o sinal dos tempos, da velocidade e do excesso de informação, quando as emissoras se vêem obrigadas a falar de toda e qualquer partida (já que as transmissões são basicamente globais), mas não dispõe de estrutura – mão de obra mesmo - para isso. Ou seja, o tal comentarista tem que falar de todos os jogos da rodada, mas como boa parte deles acontece simultaneamente, acaba que não vê um sequer. Porque quem vê todos não vê nenhum. E pior, quando eu digo “ver”, me refiro a acompanhar tudo por monitores de TV, já que poucos, muito poucos, vão aos estádios hoje em dia. Não por acaso, toda vez que tenho a oportunidade de ver um jogo inteiro, acuso de imediato as falhas no comentário, nos programas pós-jogo, ou até no dia seguinte, quando, ao menos, esses profissionais poderiam ter tempo dever a fita da tal partida.
Falando um pouco de futebol – ou quase – me surpreendi com o técnico Cuca vindo a público para pedir para a diretoria o retorno de Zé Roberto à equipe do Botafogo. Ora bolas, se Cuca quer a volta do meia, por que diabos não pediu diretamente aos dirigentes, numa reunião no clube ou algo que o valha? Dá a entender que o mini Felipão quer é pressionar seus superiores, usando a imprensa e a opinião pública. Ou ainda se explicar por causa dos resultados ruins que tiraram o Botafogo da liderança isolada e folgado e o colocaram num modesto quarto lugar. E Zé Roberto, sabemos todos, não é salvador de pátria nenhuma.Ou seja, como sempre o problema do Botafogo é o próprio Botafogo.
Até a próxima, que quem tem pena é galinha!!!