O eterno desafio para quem fez grande sucesso com uma única música é provar que pode ter uma sobrevida maior que aquela que todos prevêem quando fazem uso do termo “one hit band”. É o que vem fazendo o Uns e Outros, grupo que marcou época com “Carta aos Missionários” no ocaso da década de 80, mas que nunca parou de tocar. Neste novo álbum, o primeiro em quatro anos, o grupo ainda aposta, esteticamente, na decadência deprê do pós punk da época em que se projetou, atitude destacada já no título do álbum e ainda tema principal em boa parte das 12 músicas. Quase sempre tratada em primeira pessoa, a poesia do grupo expõe o vocalista Marcelo Hayena ao divã de música pop. Musicalmente, o que marca o disco é a indecisão: como ser (ainda) anos 80, em meio a um revival do gênero? Tudo bem que o revival lá de fora (revigorante, atualizador) nada tem a ver com o daqui (repetitivo, demodê), mas nostalgia é nostalgia. Por isso, há peso e riffs dos nossos tempos, como os de “Por um fio” e “Eu matei o amor”, e a melancolia representada em baladas e violões pinçados de algum lugar do passado – caso da bela “Tão longe do fim”. Só que faltou uma certa medida na hora de fazer essa mistura, e um pouco mais de precisão ao compor, de fato, boas canções. Marcado pela irregularidade, “Canções de amor e morte” periga passar batido e reafirmar, isso, sim, a relevância do único sucesso do Uns e Outros.