Toni Platão tinha tudo para ser sempre lembrado como o eterno vocalista do Hojerizah, mesmo com dois álbuns solos editados desde o fim da banda que o projetou. Tinha, porque, ao que parece, Platão optou, enfim, por enfatizar seu lado intérprete, investindo num repertório pra lá de diversificado, puxando para si a responsabilidade de dar uma “cara” às canções. E ele conseguiu, mesmo porque o conjunto de músicas gravadas neste CD foi testado em várias temporadas durante o ano passado na noite carioca. O agora cantor (não mais vocalista) faz de sua banda, sutilmente, acompanhantes de luxo – são a voz e o pulmão dele os elementos principais. Por isso, músicas de origem tão díspares, como o brega de Antonio Marcos (“Eu não vou mais deixar você tão só”) e Márcio Greyck (“Impossível acreditar que perdi você”) dialogam sem problemas com RPM (“Louras geladas”) e (Jards Macalé e Capinam) “Movimento dos Barcos”. Há também versões de inglês para português que completam o formato cuidadosamente selecionado – como “In my secret life”, de Leonard Cohen, que virou “Em Segredo”. O único problema é que o disco, no fim das contas, soa demasiadamente triste e pode comprometer esteticamente essa nova fase do cantor. Mas Toni Platão, revigorado, já pensa em partir para um novo trabalho em um formato semelhante: árido, sim, só que formado por composições próprias. Tomara.