
Podem lembrar os mais atentos que os caras têm lançado álbuns com certa freqüência e que até algumas dessas músicas foram apresentadas ontem no Circo, mas o que entrará para a história é saraivada de clássicos absolutos que banda tocou. Clássicos não do Buzzcocks ou do punk rock, mas daqueles que movimentaram as gerações que se sucederam levando novos garotos a montar bandas, e assim tem caminhado a humanidade no rock. Um observador ainda mais milimétrico, porém, deve ter enxergado ali, bem à sua frente, em cima do palco, a gênese do hardcore, do hardcore melódico, do poppy punk, de setores da música pop... E não sem razão.
Como explicar clássicos em profusão daqueles que às vezes não se sabe o nome, mas tem-se a percepção de sermos íntimos dele? Ou do tipo que não se conhece mesmo, mas, após duas vezes o refrão, passa a ser a música mais conhecida depois que o gramofone foi inventado? É o mínimo que se pode falar de músicas como “Ever Fallen In Love”, “What Do I Get”, “Autonomy”, “Harmony In My Head” e até da inusitadamente incluída “Fast Cars”, entre as vinte tocadas nessa noite memorável. O público, que demorou, mas acabou se fazendo representar bem, se entregava a plenos cantarolares quase involuntários, mas jamais interrompidos.
Não foi a primeira vez que o Buzzcocks esteve no Rio, mas nas outras duas não teve direito a um local minimamente razoável para e apresentar. O heróico Garage e o inadequado Cine Íris não permitiram o espetáculo de ontem. A coisa era tão boa que era possível ver, por exemplo, um Steve Diggle muito à vontade, empunhando guitarra, falando com o público, curtindo o show adoidado. Ou o sisudo Pete Shelley, que circulava no meio do público preocupado antes do show, sorrir como uma criança. Eles também sabiam o que estava acontecendo naquela menos de uma hora. Veículos do próprio rock, cumpriram muito bem o papel que lhes é cabido.
Na abertura, o Carbona serviu de chamariz para quem estava do lado de fora, desperdiçando um bom repertório. E o Lambrusco Kids, ao contrário, tocou para um bom público, mas não cativou ninguém. Mero detalhe de coadjuvantes de luxo uma noite inesquecível.
Esse texto sobre o Buzzcocks merece 10, nota 10 !
Eu estava lá, quase não bebi, eu vi isso mesmo...
Algumas fotos da "social" que compareceu ao show do Circo estão no meu flog.
Abraços!
Eu também estava lá e concordo com o que você escreveu. Apenas discordo quando você diz que o Lambrusco Kids "não cativou ninguém". Eu, meu namorado e nossos amigos NUNCA tínhamos nem ouvido falar da banda. Fomos lá pra ver o Buzzcocks mesmo e pra curtir a night. Mas depois deste show ficamos todos fãs do Lambrusco Kids, compramos CDs na barraquinha da banda, conversamos com o baixista e com o vocalista, que se mostraram pessoas simpaticas e sem frescuras (ao contrario de caras de muitas bandas que tocam no Rio). As letras deles são excelentes e as músicas todas com rítmos diferentes umas das outras, enfim, uma banda rara na cena punk rock hoje em dia. Falar da apresentação deles da forma que você falou é simplesmente desrespeitar o trabalho de uma grande banda. Você poderia pelo menos comentar sobre as músicas, em vez de apenas abordar o fator "cativação". Porque se você é carioca sabe que aqui no Rio é foda pra agradar. Fui! Angela