Desde que disseram para os caras do Deftones que o som que eles faziam era nü-metal, a banda desandou a tentar provar o contrário a cada disco. É assim desde “White poney”, de 2000, e o artifício se repete neste “Saturday night wrist”. O minimalismo da guitarra de “Hole in the earth”, por exemplo, chega a lembrar os anos 80 e já mostra que, em termos de buscar novos caminhos, dessa vez o Deftones não está para brincadeira. Consegue fazer música esporrenta, sim, mas ao mesmo tempo agradável aos ouvidos pouco familiarizados com o som do grupo. Nesse sentido, se os vocais gritados em “Rapture” e “Combat” incomodam, os riffs que os acompanham são colantes o bastante para fazer disso um reles detalhe. Acontece que em boa parte do disco as músicas caem numa tristeza de fazer inveja a banda indie escocesa, como em “Beware” e “Cherry waves”. Em alguns trechos, Chino Moreno chega a lembrar Smashing Pumpkins ou mesmo Jane's Addiction, assim como a guitarra de Stephen Carpenter aparece carregada com um sotaque indie sem precedentes no meio – talvez só o Staind tenha se aproximado da faceta. Há trechos porradas, sobretudo da metade para o fim, mas isso aqui parece algo sem prioridade, ante a experimentação predominante. Num disco de difícil assimilação, eles deixaram o nü-metal de lado e agora tentam ser post alguma coisa. O que, exatamente, só o tempo vai dizer.