Bola e Bola Mesmo
01 de maio de 2007
As bolas de Fábio, o exagero da imprensa e a crise dos grandes paulistas
Sem marcar gols, Santos periga ter fracasso histórico. Enquanto isso a imprensa olha para as lambanças de goleiros como o Fábio, do Cruzeiro, que sofreu uma espécie de apagão no domingo.

Se o cidadão não acompanhou nadica de nada de futebol no último final de semana, e deixou para se interar de tudo na imprensa – sou do tempo que não existia mídia – deu de cara com um final de semana de fracassos para os goleiros. Até o programa do Galvão Bueno foi lá em Brasília buscar o ex-goleiro Paulo Vítor (do Fluminense e da Seleção Brasileira) para falar do assunto, e ele, como comentarista, é realmente um grande arqueiro. A imagem mais emblemática foi a do número 1 do Cruzeiro, Fábio, saindo de dentro das redes segurando duas bolas, dos terceiro e quarto gols do Atlético - um de pênalti cometido por ele próprio e outra quando ele simplesmente caminhava de costas para o jogo. Inacreditável.

Afora essa lambança do Fábio, há que se registrar que houve um certo exagero por parte da crônica esportiva. Porque goleiro falhando tem a torto e a direito. É verdade que há no meio jornalístico a tendência de se buscar um lead, aquilo que é mais importante, aquilo que é comum a várias situações, nesse caso especificamente. Nem sempre, no entanto, esse olhar é lançado com precisão, de tal forma que erros acontecem. Eu, por exemplo, diria que o mais importante, a notícia de verdade, é a equipe do Santos, que tem o ataque mais positivo do paulistão, ficar nada menos que três jogos sem sair do zero, sendo que os últimos três foram contra times pequenos – Bragantino duas vezes e São Caetano. Ou, ainda, que neste mesmo Campeonato Paulista, nenhum time da capital chegou na final, e olha que o título de campeão do interior é outro. Por muito menos (quando um pequeno chega na final) a imprensa além Dutra decreta sucessivas crises no futebol carioca. E agora nada.

Outra notícia relevante? O poderoso Cruzeiro, do singelo Paulo Autuori, caindo de quatro ante o recém repromovido à time grande Atlético – e aí pouco importa a vacilação do Fábio. Autuori pediu as contas e detonou geral, ou seja, nesse mato tem cachorro. No Rio, sobretudo, a crônica esportiva foi cruel com o goleiro Júlio César, do Botafogo. Atribuíram a ele a culpa pela cessão do empate, numa jogada rápida em que toda a defesa alvinegra comeu mosca. Como pensar tanta coisa no segundo em que tem que sair do gol para executar a tarefa precípua do arqueiro, que é justamente evitar o tento? E ainda disseram que o garoto cometeu o pênalti por ser muito jovem. E quando Rogério Ceni cometeu infração semelhante e também foi expulso, na tarde em que o Vasco aplicou uma goleada de sete sobre o São Paulo? Que falha que nada, aquilo foi uma circunstância do jogo, isso sim.

Falando em São Paulo, o clube vive um novo “momento meu mundo caiu”, após sucumbir ante ao fraco São Caetano, e não conseguir vencer sequer um tal de Audax Italiano, que por sinal é chileno. O resultado é que vai ter que encarar um Grêmio aguerrido e que, de uma semana para a outra, passa a ser certamente o favorito para o embate. Curva descendente bem inclinada para o São Paulo. Não é opinião, é fato.

Quem acha que o Botafogo jogou um tempo e o Flamengo, outro, está redondamente enganado. O rubro-negro não jogou bem tempo nenhum, não teve raça nem outra coisa senão a sorte como companheira. As chances criadas pelo time treinado por Ney Franco foram diminutas, e os dois gols saíram de forma fortuita. O que mudou o jogo e enfraqueceu o Botafogo foi a expulsão do goleiro titular, o que obrigou o técnico Cuca a sacar Lúcio Flávio, um dos criadores da meia cancha alvinegra. Pouco mérito teve o Flamengo nessa jogada, exceto pelo passe de Souza para Renato - a que ponto chegamos...

A torcida do Flamengo, que também se ilude com a campanha do time na Libertadores, deve, por isso mesmo, por a barba de molho.O time do Flamengo é ruim, mal escalado e pensa que é bom. Deve, logo, logo tomar uma cipoada e cair fora da Libertadores, com o rabo entre as pernas. Se passar pelo Defensor, perde para o vencedor de Grêmio ou São Paulo. Podem anotar. No carioca, mesmo jogando quase nada, pode vencer o Botafogo, sim, por uma questão de camisa e de igualdade entre os grandes clássicos brasileiros. Mas sou mais o bi do Botafogo. Com pênaltis e tudo, para dar mais emoção.

Até a próxima que o placar, de agora em diante, é contado por bolas deixadas no fundo da rede!!!

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