O Homem Baile
23 de abril de 2007
Em espetáculo bem ensaiado, Evanescence coloca sucesso à prova e supera expectativas
Cerca de 15 mil pessoas vibraram com a banda de Amy Lee ontem à noite, no Rio Centro. Luxúria mostrou força na abertura, e Silicon Fly passou batido. Fotos (do show de SãoPaulo): MarceloRossi / Divulgação Media Mania. Confira também os outros shows internacionais do final de semana: Keane e Jethro Tull.

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O Evanescence entrou no palco a mil por hora

Um dos shows mais esperados dos últimos anos passou pelo Rio ontem. O Evanescence fez mais ou menos aquilo que se esperava: arrastou uma multidão de adolescentes que não estão nem aí para a choradeira emo (muito embora a emoção tenha sido a tônica do espetáculo) e preferem a curiosa mistura de gothic metal com nu-metal – ou, se preferirem, gothic metal à americana. E ainda, sobretudo, o carisma de Amy Lee, tida e reconhecida como a dona da banda, e não que isso seja um injustiça.

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Amy Lee: uma 'uninvited guest'
que dá conta do recado
A moça detém as atenções do público em todo o show, seja soltando a voz, tocando piano ou saracoteando de um lado a outro do palco com uma boa desenvoltura. Simpática, conversa com o público com intimidade de amigos de longa data e compensa a falta de vocação para o posto de ocupa com muita simplicidade, e, claro, com uma voz afinada. Amy sabe que é uma espécie de “uninvited guest”, está ali quase por acaso, não planejou para si o sucesso mundial, não paga de sensual, exibe uns quilinhos a mais difíceis de serem mantidos e faz disso tudo um trabalho muito bem cumprido. Atrás dela uma banda de anônimos muito bem ensaiada, que garantem o peso necessário à música da banda, sem cometer exageros.

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Terry Balsamo fez solos
surpreendentes e mandou
bons riffs

O show começa sem grandes introduções (como é comum no gênero), com Amy andando para a borda do palco e cantando “Sweet Sacrifice”, a que abre o último disco, “The Open Door”. Talvez de olho na manutenção das colossais vendagens do álbum anterior, mais da metade das músicas são deste, e nenhuma do primeiro, sepultado definitivamente nesta turnê. Antes de “Going Under”, o primeiro grande hit do repertório, Amy dá um simpático boa noite e o público delira. O riff thrash de “The Only One” fecha a primeira parte do set realçando as guitarras de Terry Balsamo e John LeCompt, e o verdadeiro massacre imposto pelo baterista Rocky Gray. Um piano é montado para Amy na frente do palco e o show dá uma caída que poderia ter sido evitada se o artifício fosse realizado mais tarde – em “Good Enough” ela até “coçou” a voz.

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Amy Lee em posição de ataque
solta o vozeirão
Nesse sentido, “The Haunted” faz o show retornar ao normal com um certo alívio por parte do público, que volta a participar decisivamente. A dobradinha do segundo disco com “Tourniquet” se sai muito bem ao vivo, e Amy Lee evolui rodopiando pelo palco enquanto o Terry faz um solo espetacular em “The Haunted”. Mas é o maior hit da carreira da banda, “Bring Me To Life” que faz o público explodir. A versão é um pouco diferente da original, mais pesada, com ênfase no pára-continua típico do nu-metal. Nem uma falha no início de “Whisper” atrapalha o clima do show, e Amy até faz piada. Algumas músicas de “The Open Door”, ao vivo, ganham muito em peso e dramaticidade, como “All That I’m Living For” (que inicia com Amy verificando o calor do Rio: “é quente aqui ou o quê?”) e “Lacrymosa” que proporcionou um final de show excelente, com precisamente uma hora de palco.

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John LeCompt foi mais discreto,
mas fez bases fundamentais
para o desempenho do
Evanescence
Na volta, emocionada, Amy conclui que o “Brasil rocks!” e toca, ao piano, “My Immortal”, outro hit, e ainda “Your Star”, encerrando a noite precocemente, com pouco mais de 70 minutos. Muito pouco se consideramos a estrutura trazida ao Brasil: um palco gigante com panos de fundo e laterais, cortinas, canhões de luz específicos para Amy Lee e luzes verticais. Foi praticamente um set desses para os grande festivais europeus, onde o Evanescence não é headliner. Mostrou, contudo, uma correção técnica impressionante, que, somada à involuntária desenvoltura de Amy, fazem valer o desempenho do Evanescence mundo afora.

Na abertura, o Luxúria provou de seu sucesso e foi muito bem recebido pelo público, que cantou junto em praticamente todas as músicas, especialmente nas que tiveram execução nas rádios comerciais. A vocalista Meg não amarelou ante a multidão, e o saldo foi bem positivo. Já o Silicon Fly, desconhecida banda uruguaia, passou praticamente desapercebida, e encerrou o show antes do previsto, para não pagar um mico ainda maior.

EM SÃO PAULO, AS MESMAS MÚSICAS, MAS NO RIO O SHOW FOI MELHOR

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Em São Paulo a animação do
público foi maior, mas o show
do Rio, com som e palco
superiores, foi melhor
Sobre o show em São Paulo, bem... O do Rio foi melhor. Os mais engraçadinhos dirão “claro, estava cheio de paulistas!”, mas não é (só) isso. Por sinal, a platéia paulistana estava bem mais animada que a do Rio, mais gente vibrando e cantando as músicas, e, por incrível que pareça, um público mais velho. Foi um contraste com a criançada que foi ao show no Rio, levando os pais (coitados) arrastados, tornando o público um pouco variado demais e atrapalhando o trânsito na hora de ir embora - uma van escolar foi vista buscando um grupo, pasmem. Ainda assim, o show no Rio foi melhor. O som em São Paulo estava muito baixo, era possível ouvir a voz da belíssima vocalista Amy Lee e do público entusiasmado, quase na mesma altura. Além disso, o palco em São Paulo era mais baixo que o do Rio, dificultando a visão total da banda.

O set list foi igualzinho, assim como em todos os quatro shows realizados no Brasil, não mudaram nem a ordem. Um show ensaiado com rigor inglês, mesmo a banda sendo americana. O público permaneceu empolgado na grande maioria das músicas, cantando tão ensaiado quanto a banda, sobretudo em músicas como “Lithium” e “Good Enough”, ambas do novo disco, nas quais Amy Lee entrava apenas com piano e voz. Além disso, entre “Lacrymosa” e “My Immortal”, tanto no Rio como em São Paulo, aconteceram tentativas (frustradas) do público de cantar musicas antigas da banda, na expectativa de influenciar no repertório. Em São Paulo foi “Anywhere”, do primeiro álbum, “Origin”, mas as 25 mil pessoas não acompanharam a meia dúzia que se esforçou. No Rio a escolhida foi “Missing”, lançada no CD/DVD “Anywhere But Home”, em 2004, mas também não deu certo.

Quanto às 25 mil pessoas, esperava-se mais para um show de tão grande porte, mas serviu para impressionar Amy Lee. “I wasn’t expecting so many of you”, disse ela, entre um sorrisinho doce e um olhar comovido. Bem, nós estávamos esperando por ela. (Júlia Bragatto)

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Amy cantou muito, mas
dezesseis músicas não
foram o bastante para uma
banda de tanto sucesso
Repertório completo

1. Sweet Sacrifice
2. Weigth Of The World
3. Going Under
4. The Only One
5. Lithium
6. Good Enough
7. Haunted
8. Tourniquet
9. Call Me When You're Sober
10. Imaginary
11. Bring Me To Life
12. Whisper
13. All That I'm Living For
14. Lacrymosa

Bis

15. My Immortal
16. Your Star

em abril 25, 2007 03:28 PM [Tamires(ssa-BA)]

Fui ao show de São Paulo, foi fantástico, mas rápido demais! Ela possui ótima presença de palco, anima muito, a qualidade da voz dela é incrivel! Mas o som estava realmente baixo, mesmo assim foi perfeito e espero o próximo!



em agosto 21, 2007 03:48 PM [leonardo]

Eu acho engano deles se separarem!



em outubro 8, 2008 12:15 AM [Alessandra ]

Depois de muitos obstáculos, enfim consegui, com muito esforço, ir ao show do Evanescence. Mas vamos combinar que mais de dez horas de fila e sol na cabeça valeram e muito á pena!
Na minha opinião, a banda poderia trazer mais hits ao palco. Achei pouca a quantidade de músicas apresentadas no show. Porém, a qualidade das músicas não deixou a desejar. É muito bom quando você se sacrifica para ir prestigiar sua banda favorita. E é melhor ainda quando você vê que seus ídolos se esforçaram pra dar o melhor da banda ao seu público.
E foi isso que aconteceu com o Evanescence.
A Amy Lee é perfeita e tem a voz mais linda que eu já ouvi. Vê-la de perto foi emocionante e maravilhoso.
Resumindo: O show foi de ótima qualidade, o melhor que eu já fui, e aguardo ansiosamente o retorno da banda. Que não demore para acontecer de novo.



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