
Para quem não se apercebeu da lambança (calma, nem tanto), o Botafogo perdeu 300 gols e empatou com a Cabofriense - um botou fogo e outro esfriou o jogo, disse um repórter, exercitando o mau gosto; o Santos não saiu do zero a zero com o Bragantino, classificado para as finais do paulistão na bacia das almas; o poderoso São Paulo, sua estrutura, elenco e goleiro artilheiro, empatou com o São Caetano, rebaixado à série B do Campeonato Brasileiro; o Cruzeiro não passou pelo Tupi (fala sério); e o poderoso Grêmio, a melhor campanha do início de temporada tomou uma sapatada do Caxias de três a zero. É mole?
Dito isso, eis que os inefáveis comentaristas de uma bola só querem uma explicação. Não aceitam o resultado por si só. Desconhecem o imponderável no futebol e caçam um motivo a torto e a direito. Parecem físicos, engenheiros, gente que soma um mais um e acha dois como resultado. Só que futebol nem sempre é assim; na verdade quase nunca é. Questionado sobre o assunto, o astuto goleiro Fábio Costa não titubeou: cravou que foi por causada mudança da regra dentro de uma mesma competição. Para ele, nos pontos corridos o time do Santos se lançava à frente, ciente de que, se a derrota viesse, havia como se recuperar mais adiante. Na fase de semifinais, ainda segundo o goleirão, isso é impossível.
Estranho essa lógica vir justamente de um dos ícones da equipe do técnico que prega o planejamento e que cunhou, entre outras pérolas a de que o time que tem medo de perder perde a coragem para vencer - ou algo que o valha. Trocando em miúdos, Fábio disse que no sábado passado o Santos estava com medo de perder, e, conseqüentemente, não teve forças para vencer. Já o Bragantino fez a parte dele: adiou a decisão para o segundo jogo. Digo isso adotando a lógica colocada pelo técnico Cuca, no mesmo programa em que o goleiro santista estava participando. Ele armou o Botafogo para ampliar a vantagem que tem (não só de dois empates, mas a de ser o Botafogo e a Cabofriense não), e o adversário, segundo ele, para transferir a decisão em uma semana. Sob essa ótica, Bragantino, São Caetano, Cabofriense e Tupi venceram. E o Caxias, então, é praticamente um dos finalistas do Campeonato Gaúcho.
Disse isso (assisti a menos de dez minutos de TV ontem à noite) para entrar nessa seara de pontos corridos x mata-mata. Porque sou do tempo em que ia para o estádio ver o meu time vencer, independente da regra da competição envolvida. Depois do jogo, sim, ia para a tabela de classificação, para ver se o resultado era bom ou não, e quais as chances de ser o campeão. Porque, meus amigos, acreditem, se no fim das contas o que conta é o título, nos intestinos do campeonato o que conta é a vitória, jogo após jogo, desde a mais sombria pelada no aterro, até a clássica pelada no Maracanã, como aquela disputada entre Vasco e Botafogo na quarta passada. Tem que vencer a cada jogo, que no final das contas, no somatório, o time é o campeão. Ou se classifica para a fase seguinte, para vencer tudo e ficar com o título. Pouco importa o regulamento: é vencer ou vencer e ponto final.
A declaração de Fábio Costa soou, para mim, como a mais esfarrapadas das desculpas. Tecnicamente falando, mesmo sem ter visto a partida, cravo que o Santos perdeu porque o time é mesmo ruim (digo isso desde o início do ano) e porque o Bragantino, se a memória não me falha a melhor defesa de todo o campeonato, montou um ferrolho suíço para adiar, como disse o Cuca, a decisão para domingo. E estendo esse raciocínio para a equipe do São Paulo também, outro time ruim que tem vencido (sem convencer) pelo conjunto da obra de um clube organizado. E para todos os outros que tropeçaram, incluindo o Grêmio, e colocando o Botafogo como exceção. Não venceu por incompetência de seus finalizadores mesmo, com a contribuição de Diguinho, que falhou nos dois gols da equipe de Cabo Frio.
Se me permitem o exercício da adivinhação, e da certeza futebolística, já adianto que todos esses grandes passarão por esses menores, talvez até o Grêmio, basta lembrar a “batalhada os Aflitos”, que virou filme e tudo. Porque o pequeno deve assim permanecer, é desse jeito que o futebol funciona. Podem apontar as exceções que elas só fazem é confirmar a regra. E aí quero ver se esse assunto de “no mata-mata é diferente” rende mais que uma semana de prosa futebolística.
Até a próxima que com o Celso Roth o gol mil emperrou de vez!!!