Bola e Bola Mesmo
17 de abril de 2007
Deu a louca nos “timaços”
Nas fases finais dos campeonatos regionais, grandes tropeçam nos pequenos. Mera casualidade, claro.

Nunca foi tão fácil articular idéias em torno de uma manchete na crônica esportiva brasileira. É que na reta final nos campeonatos regionais os grandes times, aqueles que vinham fazendo campanhas extraordinárias nas fases de classificação, tropeçaram como se houvesse uma combinação, ao se depararem com equipes, além de pequenas, notadamente mais fracas. Coincidência? Como explicar o fenômeno?

Para quem não se apercebeu da lambança (calma, nem tanto), o Botafogo perdeu 300 gols e empatou com a Cabofriense - um botou fogo e outro esfriou o jogo, disse um repórter, exercitando o mau gosto; o Santos não saiu do zero a zero com o Bragantino, classificado para as finais do paulistão na bacia das almas; o poderoso São Paulo, sua estrutura, elenco e goleiro artilheiro, empatou com o São Caetano, rebaixado à série B do Campeonato Brasileiro; o Cruzeiro não passou pelo Tupi (fala sério); e o poderoso Grêmio, a melhor campanha do início de temporada tomou uma sapatada do Caxias de três a zero. É mole?

Dito isso, eis que os inefáveis comentaristas de uma bola só querem uma explicação. Não aceitam o resultado por si só. Desconhecem o imponderável no futebol e caçam um motivo a torto e a direito. Parecem físicos, engenheiros, gente que soma um mais um e acha dois como resultado. Só que futebol nem sempre é assim; na verdade quase nunca é. Questionado sobre o assunto, o astuto goleiro Fábio Costa não titubeou: cravou que foi por causada mudança da regra dentro de uma mesma competição. Para ele, nos pontos corridos o time do Santos se lançava à frente, ciente de que, se a derrota viesse, havia como se recuperar mais adiante. Na fase de semifinais, ainda segundo o goleirão, isso é impossível.

Estranho essa lógica vir justamente de um dos ícones da equipe do técnico que prega o planejamento e que cunhou, entre outras pérolas a de que o time que tem medo de perder perde a coragem para vencer - ou algo que o valha. Trocando em miúdos, Fábio disse que no sábado passado o Santos estava com medo de perder, e, conseqüentemente, não teve forças para vencer. Já o Bragantino fez a parte dele: adiou a decisão para o segundo jogo. Digo isso adotando a lógica colocada pelo técnico Cuca, no mesmo programa em que o goleiro santista estava participando. Ele armou o Botafogo para ampliar a vantagem que tem (não só de dois empates, mas a de ser o Botafogo e a Cabofriense não), e o adversário, segundo ele, para transferir a decisão em uma semana. Sob essa ótica, Bragantino, São Caetano, Cabofriense e Tupi venceram. E o Caxias, então, é praticamente um dos finalistas do Campeonato Gaúcho.

Disse isso (assisti a menos de dez minutos de TV ontem à noite) para entrar nessa seara de pontos corridos x mata-mata. Porque sou do tempo em que ia para o estádio ver o meu time vencer, independente da regra da competição envolvida. Depois do jogo, sim, ia para a tabela de classificação, para ver se o resultado era bom ou não, e quais as chances de ser o campeão. Porque, meus amigos, acreditem, se no fim das contas o que conta é o título, nos intestinos do campeonato o que conta é a vitória, jogo após jogo, desde a mais sombria pelada no aterro, até a clássica pelada no Maracanã, como aquela disputada entre Vasco e Botafogo na quarta passada. Tem que vencer a cada jogo, que no final das contas, no somatório, o time é o campeão. Ou se classifica para a fase seguinte, para vencer tudo e ficar com o título. Pouco importa o regulamento: é vencer ou vencer e ponto final.

A declaração de Fábio Costa soou, para mim, como a mais esfarrapadas das desculpas. Tecnicamente falando, mesmo sem ter visto a partida, cravo que o Santos perdeu porque o time é mesmo ruim (digo isso desde o início do ano) e porque o Bragantino, se a memória não me falha a melhor defesa de todo o campeonato, montou um ferrolho suíço para adiar, como disse o Cuca, a decisão para domingo. E estendo esse raciocínio para a equipe do São Paulo também, outro time ruim que tem vencido (sem convencer) pelo conjunto da obra de um clube organizado. E para todos os outros que tropeçaram, incluindo o Grêmio, e colocando o Botafogo como exceção. Não venceu por incompetência de seus finalizadores mesmo, com a contribuição de Diguinho, que falhou nos dois gols da equipe de Cabo Frio.

Se me permitem o exercício da adivinhação, e da certeza futebolística, já adianto que todos esses grandes passarão por esses menores, talvez até o Grêmio, basta lembrar a “batalhada os Aflitos”, que virou filme e tudo. Porque o pequeno deve assim permanecer, é desse jeito que o futebol funciona. Podem apontar as exceções que elas só fazem é confirmar a regra. E aí quero ver se esse assunto de “no mata-mata é diferente” rende mais que uma semana de prosa futebolística.

Até a próxima que com o Celso Roth o gol mil emperrou de vez!!!

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