No Mundo do Rock
02 de abril de 2007
Com bom gosto, Scar Symmetry reinventa subgêneros do metal e vira sensação no meio
Grupo sueco surpreende com disco temático misturando death metal, metal melódico e prog metal. Fotos: Nuclear Blast / Divulgação.

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Scar Symmetry: peso, agressividade, melodia e temas futuristas

No mundo do heavy metal é assim. Quando todo mundo fala que o gênero se esgotou e de onde menos se espera é que algo de novo pega a todos de surpresa. Seja misturando os subgêneros do próprio metal ou mesmo se apropriando de tendências da música pop como um todo, é do solo mais árido que floresce o novo. E o novo hoje vem da Suécia e atende pelo nome de Scar Symmetry.

Embora formada por integrantes de outros grupos do metal extremo, a banda é relativamente nova, sua formação data de 2004, e logo de cara resultou no lançamento do álbum “Symmetric In Design“, no ano seguinte. Editado por uma gravadora de pequeno porte (a também sueca Cold Records), o disco não atingiu a dimensão esperada, mas serviu para a Nuclar Blast, principal selo europeu especializado em heavy metal, descobrir o grupo. Por ela, o Scar Symmetry lançou, no ano passado, o extraordinário “Pitch Black Progress”, e, aí sim, as coisas começaram a acontecer.

O álbum revela um talento incomum que a banda tem em circular pelos estilos mais diversos, a começar por Christian Älvestam, que mistura, na mesma música, vocais guturais e limpos, e com timbre de voz e afinação sui generis. Musicalmente a banda faz referência ao death metal, metal melódico e prog metal, em doses acertadas e sob uma temática futurista/decadente que se encaixa perfeitamente no chamado conjunto da obra. O disco vem tendo boa aceitação no meio garantiu ao Scar Symmetry a presença nos prinicipais fetivais europeus. Completam a banda Jonas Kjellgren e Per Nilsson (guitarras), Kenneth Seil (baixo) e Henrik Ohlsson (bateria). Foi com Henrik que fizemos esta entrevista exclusiva, via e-mail, que você confere agora:

Rock em Geral: O Scar Simmetry é uma banda bem nova na cena européia, como vocês estão se saindo? A recepção tem sido boa?

Henrik Ohlsson: Está tudo indo muito bem, obrigado. Estamos na ativa desde 2004 e lançamos dois discos, mas a coisa só começou a acontecer com o lançamento do segundo disco. Fizemos alguns shows na Suécia para lançarmos o primeiro, “Symmetric In Design”, mas é muito mais legar tocar fora porque a resposta da platéia é, em geral, melhor em outros países. Temos feito muitos shows bem sucedidos na Europa, graças às duas turnês que fizemos, incluindo os festivais de verão. Na última, com o Communic de co-headliner, tivemos a oportunidade de tocar um set list longo e vimos que existem muitos fãs do Scar Symmetry. Demos muitos autógrafos todas as noites e vendemos muito merchandise. Isso quer dizer que temos uma boa resposta de todos os cantos do mundo do metal.

RG: Sobre o público, você acha que ele vem das outras bandas em que vocês tocavam, ou são fãs tão novos quanto o próprio Scar Symmetry? É que há muitas guitarras melódicas no som do Scar Symmetry, o que pode desagradar os fãs das antigas...

Henrik: Acho que há muitos fãs bem novos que estão curtindo o Scar Symmetry, e meu sentimento é que eles não estão nem aí para as nossas outras bandas, antigas ou atuais. Claro que há aqueles que nos acompanham há algum tempo, nós encontramos todo o tipo de gente, e temos públicos bem variados.

RG: Como Nuclear Blast descobriu a banda?

Henrik: Eles souberam de nós graças ao primeiro álbum, “Symmetric In Design”, lançado pela Cold Records, em parceria com a Metal Blade. Os caras da Nuclear fizeram uma proposta irrecusável para a Cold, e nos tirou de lá.

RG: Existe algum significado especial no nome Scar Symmetry?

Henrik: Ele tem uma conexão como a idéia do yin/yang, o equilíbrio dos opostos no universo. “Scar” pende para os aspectos desconstrutivos, enquanto “symmetry” representa os princípios construtivos. Os dois são necessários num mundo de dualidades. E o significado do nome se conecta com a música da banda também, já que usamos elementos agressivos e também melódicos.

RG: Vocês têm tocado em outras bandas por muito tempo.Quando formaram o Scar Symmetry, planejaram fazer exatamente esse tipo de som?

Henrik: Não, nós realmente não planejamos as coisas nessa banda. Simplesmente vamos para o lado que a banda nos leva. Foi exatamente a mesma coisa com o desenvolvimento do nosso som. Tínhamos vagas idéias sobre como soaríamos, mas nunca imaginamos que seria como este “produto final”.

RG: O vocalista Christian Älvestam usa vocais sujos e limpos ao mesmo tempo. Nas outras bandas dele, como ele cantava? No disco parece que há dois vocalistas...

Henrik: Ele sempre usou as duas formas de cantar em suas bandas anteriores, mas talvez tenha misturado a voz mais do que nunca no Scar Symmetry. Muitas pessoas acham que temos dois vocalistas, mas Christian pode cantar de várias maneiras diferentes e ele faz isso.

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"(O nome) tem uma conexão como a idéia do yin/yang, o equilíbrio dos opostos no universo. 'Scar' pende para os aspectos desconstrutivos, enquanto 'symmetry' representa os princípios construtivos""

RG: O Christian tem uma voz bem característica, por que vocês não decidiram usaros vocais limpos o tempo todo, em todas as músicas?

Henrik: Bem, temos uma história no metal extremo e adoramos vocais sujões! No início víamos a banda com vocais estritamente sujos, mas já que o Christian é muito bom com os vocais limpos, incorporamos isso ao nosso som.

RG: Ainda sobre o vocalista, como é ter esses dois tipos de vocalizações juntos, numa única música, especialmente quando tocam ao vivo?

Henrik: Em geral funciona muito bem. Per, Jonas e Kenneth fazem backing vocals quando há harmonias ou vários estilos vocais cantados simultaneamente. Não é uma coisa fácil ficar trocando de vocalizações quando se toca ao vivo, logo os acordes vocais ficam confusos. Mas o Christian faz os procedimentos de aquecimento e tem suas manhas para manter a voz em forma.

RG: Vocês se consideram parte da cena do death metal melódico? Há um bom número de bandas desse gênero na Suécia hoje em dia?

Henrik: Estamos inseridos nessa categoria do death metal melódico, e eu acho que pertencemos a ela, mas não é algo em que nós pensamos tanto assim. Só tentamos fazer a melhor música possível. É algo que tem a ver com o death metal melódico como um todo, mas não temos consciência disso. Muitos jornalistas dizem que as pessoas estão cansadas desse tipo de música, mas os fãs provam que eles é que estão errados. Há muito interesse nesse tipo de música, ao que parece.

RG: Ao mesmo tempo, podemos identificar elementos de outros subgêneros do metal, como prog metal, por exemplo. Como você vê esse tipode mistura na banda?

Henrik: Prog metal pode ser incrivelmente bom ou incrivelmente chato. Nós incorporamos elementos do rock progressivo aqui e ali na nossa música porque gostamos da boa música progressiva, e é uma boa maneira de deixarmos as coisas interesantes nas músicas.

RG: Fale sobre os sintetizadores usados junto com as guitarras:

Henrik: Há muitos teclados nas músicas, mas eles tocam partes separadas da música, não são usados apenas para duplicar os riffs de guitarra.

RG: “Slaves to The Subliminal” parece ser a música mais colante no disco, você concorda? Conte como ela foi feita:

Henrik: É uma música muito boa e colante, concordo com isso. O Jonas tinha uma penca de riffs e um dia ele foi até a minha casa e nós colocamos juntos quatro, cinco músicas durante essas sessões. Uma delas foi “Slaves to The Subliminal”. As letras são parte do tema do “Pitch Black Progress” mostrado no disco, e nesse caso falam sobre a elaboração de manipulação da mente, através de mensagens subliminares.

RG:“The Kaleidoscopic God” é a música mais longa do disco, mas parece acabar depressa, porque também é uma das faixas mais interessantes. Sobre o que essa música fala e como foi composta?

Henrik: Essa música foi escrita pelos dois guitarristas, Jonas e Per. Eles se reuniram na casa do Per e ficaram tocando junto com o computador dele. As letras tratam das possibilidades de como podemos criar nossa própria vida, de que há a possibilidade de sermos todos deuses. E nesse caso temos a habilidade de criar visualizando em nossas mentes o que nós queremos no mundo físico, manifestando de acordo com o princípio que faz este mundo vir para dentro da existência humana. Se somos as fagulhas da força criativa do universo, deveríamos ter as mesmas habilidades que esta força tem.

RG: A faixa-título é mais agressiva (em termos de vocais) que as outras músicas do disco. Quando vocês preparam o material para gravar um disco, vocês em geral pensam em colocar músicas mais agressivas e outras menos?

Henrik: Como te disse antes, raramente planejamos como o nosso material deve soar, apenas tentamos escrever as melhores músicas que podemos, e aí gravamos sem pensar muito sobre isso. Esse é o jeito que trabalhamos desde o começo, e tem sido um método vencedor para nós. Na música “Pitch Black Progress” há somente vocais sujos, é verdade, porque o Christian achou que seria esta a melhor forma para esta música em particular.

RG: Fale sobre o primeiro álbum, “Symmetric In Design”, como podemos compará-lo com este segundo? Você vê uma certa evolução de um para o outro?

Henrik: O primeiro disco definiu o nosso som, nos fez entender que tipo de banda nós éramos. Nós realmente não tínhamos certeza dos ingredientes chave para o nosso som, até o “Symmetric In Design” ser gravado e ficar pronto para a prensar. A evolução do “Symmetric…” para o “Pitch Black Progress” é bem óbvia, fizemos as coisas uns passos mais adiante no segundo álbum, e experimentamos mais com a música.

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"Estamos inseridos nessa categoria do death metal melódico, e eu acho que pertencemos a ela, mas não é algo em que nós pensamos tanto assim"

em abril 19, 2007 05:14 PM [Daniel]

A melhor banda no estilo que eu ja escutei.
E o Christian ARREBENTA no vocal, minha inspiração.

Boa entrevista, abraço



em maio 20, 2007 09:29 PM [tarles ]

Realmente a banda é extremanente ótima, em todos os aspectos. Os músicos são bastante tecnicos e profissionais... Eu realmente espero que essa banda faça décadas de existência, pois é uma das melhores bandas que eu já ouvi, se não for a melhor!

Parabens pela entrevista Rock em Geral, e espero mais notícias sobre o Scar Symmetry por vocês...
Abraço!!!



em novembro 10, 2007 04:30 PM [mayra priscila]

Adoro rock, eu adoro NX Zero, todas as bandas de rock em geral, 100% rock na veia, rock é bom e eu gosto. Valeu.



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