Som na Caixa
24 de março de 2007
The Who – Endless Wire
Universal. Publicado na Outracoisa 19, de fevereiro de 2007

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O chato de esperar trezentos anos para ouvir um álbum de inéditas do Who é descobrir que o tal disco simplesmente não é The Who. Ou, por outra, é o Who, sim, mas não aquele que se esperava. Desde que a banda voltou a tocar a torto e a direito, este disco é aguardado; mas por incrível que pareça a coisa só andou depois que John Entwistle partiu dessa para a melhor. Ou seja, Pete Townshend fez do Who sua própria empreitada, ou, na melhor das hipóteses, se fincou na fase/fração da banda pela qual, por hora, ele mais se interessa. A constatação surge antes mesmo de se concluir a primeira audição do disco. “Endless wire” se divide em duas partes, a primeira com nove músicas, e a segunda uma pretensiosa “mini-ópera” chamada “Wire & glass”. Musicalmente, não há sinal de que exista uma conexão entre as partes, tampouco entre as músicas, uma a uma. Todas compostas por Townshend e gravadas separadamente durante quatro anos, as canções não têm (nem de longe) a força daqueles rockões que marcaram a carreira do grupo. À vezes, dada a economia de instrumentações e de arranjos, tem-se a impressão de que estamos diante de um ensaio gravado para uma peça de demonstração para músicos e produtores interessados em gravar o disco de verdade. Lampejos de Who pra valer podem ser encontrados, com boa vontade, em “Black widow’s eyes” e “It’s not enough”. Na tal mini-ópera, a coisa parece que vai embalar, mas logo tudo volta à calmaria do início. Mais que um dinossauro esfacelado, o The Who de “Endless wire” soa como um funcionário de repartição que mal consegue cumprir as tarefas repetitivas do dia-a-dia.
em maio 21, 2007 03:44 PM [Alberto]

Creio que, para os dias atuais, considerando-se ser um banda de Rock, está muito bom o disco em questão.

Falta-lhe algo, mas tem mais a ver com a qualidade de gravação (apenas mediana) do que com os arranjos em si. Para quem possui equipamentos de áudio Hi Fi e Hi End não esperem lá espetaculares audições (excetuando-se a faixa 8), mesmo considerando-se o encarte, onde foram descritos todos os equipamentos de áudio e gravações utilizados para a gravação do disco (incluindo-se aí os sonofletores Dynaudio e microfones AKG)

Em minha opinião, a voz de Daltrey continua "pela ordem do dia" e a capacidade de Townshend em compor realmente é fantástica.

No restante os outros músicos tentam cumprir o papel da difícil tarefa em substituir Moon e Entwistle. Mas o fazem com competência. O baixo está lá na dose certa, pulsante e pesado.

Valeu a pena e espero, sinceramente, que venham com mais uma outra obra (de estúdio) logo, logo.

Saudações

Alberto Cucio



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