
Apresentadas em dupla, a razoável “Minimal” e “Shopping”, chatinha que só ela, ganharam sobrevida graças às projeções que formavam seus respectivos títulos no fundo do palco. O clima ficou pesado quando “Dreaming of The Queen”, em homenagem a Lady Di, foi executada com imagens do enterro dela; se valeu o tributo, errou-se na medida e na forma. Neil Tennant canta bem e a plenos pulmões, mas no meio de tantos recursos eletrônicos, pré-gravados ou acionados por Lowe, fica a dúvida se é tudo feito ao vivo mesmo. Ainda mais em “Where The Streets Have No Name”, quando Tennant canta juntinho com uma imagem gigante da cabeça dele, na tela.
A música do U2 nem precisaria figurar no repertório do Pet Shop Boys – e é até lamentável que essa desvirtuação tenha acontecido, mas há que se valorizar a capacidade de Bono e sua turma de fazer músicas tão senso comum que até um duo que mal toca instrumentos consegue tirar proveito. Lugar comum são ainda as cenas de torcida filmadas no Maracanã e na Argentina, projetadas em “Paninaro”, mas que funcionam que é uma beleza.
Os dançarinos são uma atração à parte, trocam de figurino praticamente a cada música: são street boys, generais russos, soldados americanos (a guerra foi criticada ao menos uma vez, em “I’m With Stupid”), chicanos floridos e assim por diante. Com agasalhos esportivos eles lembram os Beastie Boys, no hit “Domino Dancing”, que ganhou uma versão mais lenta e foi incapaz de levantar o público como prometia. A tarefa coube, então, a “Always On My Mind”, que, enfim, sacudiu a platéia pra valer. Retirada do fundo do baú, “West End Girls” se juntou a “boring” “Sodom And Gomorrah Show” para fechar o set. E nada de “Being Boring”.
No bis, ”So Hard” veio fria e foi salva pela cantora (de novo), anticlímax ideal para “It’s a Sin” levar o público aos píncaros da animação, de forma definitiva. No final, as sempre dispensáveis apresentações dos integrantes – ainda mais quando só dois é que importam. Depois de um show quase sem músicos no palco, o que fica é a certeza de que, se música mecânica agrada e faz dançar, não arrebata como o rock, tocado com alma e suor. Nem quando se tem um punhado de boas músicas como o Pet Shop Boys.
Saudações, Marcos! Sou fã incondicional dos Pet Shop Boys, motivo pelo qual estou sempre buscando na net algo que traga novidades a respeito deles. A razão é que uma boa parte das músicas dos Boys representam momentos muito especiais da minha vida, desde o início da carreira deles. Fiquei muito triste por saber que, mais uma vez, eles vieram por aqui e eu só fiquei sabendo quando eles haviam partido. Já faz algum tempo que você fez os comentários acima citados e devo lhe dizer que você os fez de modo inteligente mas, a meu ver, com ressalvas. Em se tratando das "alegorias" que comumente vemos no palco quando o Tennant e o Lowe mostram o que eles têm de melhor (o talento), nada mais são que mero complemento. Creio que você deva ter visto partes dos shows onde o Neil senta em um banquinho, pega a guitarra e mostra versões acústicas de antigos sucessos. Isto é, para mim, a prova mais concreta que os Boys não necessitam de toda aquela parafernália de equipamentos e dançarinos. Eles apenas acrescentam um toque de alegria, energia e surrealismo que levam a platéia ao delírio. Quanto ao rock? Bom, existem gostos e estilos bastante diversificados. Na minha "cedeteca" aqui em casa tem: rock, new age, tecno, romântica, nacional, internacional... São estilos totalmente diferentes, cada qual com a sua energia. E posso lhe afirmar que, apesar desta diversidade aqui em casa, eu não sou tão eclético assim pois, existem certos estilos que eu simplesmente não suporto.
Um forte abraço, Marcos.
Manoel