O Homem Baile
15 de março de 2007
Sem músicos, Pet Shop Boys agrada, mas não arrebata
Em show apenas razoável, duo inglês se vale de recursos visuais e de da performance de dançarinos para conquistar público; poucos hits crescem ao vivo.

Um show do Pet Shop Boys é basicamente um espetáculo visual, e isso não estamparia a manchete de nenhum jornal. Mas ontem, no Citibank Hall (ex-Claro Hall), no Rio, às vezes o duo formado por Neil Tennant e Chris Lowe parecia mera figuração entre ágeis dançarinos e projeções de dimensões espetaculares. O telão no fundo do palco era tão grande e interagia tanto com os artistas que em muitas situações quem olhava para as imagens geradas ao vivo nos telões laterais tinha melhor noção do que se passava no palco. Ao menos quando Tennant não iniciava um hit esmagador, ou ainda um meia boca, caso de “Suburbia”, no qual a boa vocalista de apoio, com penteado à Benedita da Silva, quase entra numa de roubar a cena.

Apresentadas em dupla, a razoável “Minimal” e “Shopping”, chatinha que só ela, ganharam sobrevida graças às projeções que formavam seus respectivos títulos no fundo do palco. O clima ficou pesado quando “Dreaming of The Queen”, em homenagem a Lady Di, foi executada com imagens do enterro dela; se valeu o tributo, errou-se na medida e na forma. Neil Tennant canta bem e a plenos pulmões, mas no meio de tantos recursos eletrônicos, pré-gravados ou acionados por Lowe, fica a dúvida se é tudo feito ao vivo mesmo. Ainda mais em “Where The Streets Have No Name”, quando Tennant canta juntinho com uma imagem gigante da cabeça dele, na tela.

A música do U2 nem precisaria figurar no repertório do Pet Shop Boys – e é até lamentável que essa desvirtuação tenha acontecido, mas há que se valorizar a capacidade de Bono e sua turma de fazer músicas tão senso comum que até um duo que mal toca instrumentos consegue tirar proveito. Lugar comum são ainda as cenas de torcida filmadas no Maracanã e na Argentina, projetadas em “Paninaro”, mas que funcionam que é uma beleza.

Os dançarinos são uma atração à parte, trocam de figurino praticamente a cada música: são street boys, generais russos, soldados americanos (a guerra foi criticada ao menos uma vez, em “I’m With Stupid”), chicanos floridos e assim por diante. Com agasalhos esportivos eles lembram os Beastie Boys, no hit “Domino Dancing”, que ganhou uma versão mais lenta e foi incapaz de levantar o público como prometia. A tarefa coube, então, a “Always On My Mind”, que, enfim, sacudiu a platéia pra valer. Retirada do fundo do baú, “West End Girls” se juntou a “boring” “Sodom And Gomorrah Show” para fechar o set. E nada de “Being Boring”.

No bis, ”So Hard” veio fria e foi salva pela cantora (de novo), anticlímax ideal para “It’s a Sin” levar o público aos píncaros da animação, de forma definitiva. No final, as sempre dispensáveis apresentações dos integrantes – ainda mais quando só dois é que importam. Depois de um show quase sem músicos no palco, o que fica é a certeza de que, se música mecânica agrada e faz dançar, não arrebata como o rock, tocado com alma e suor. Nem quando se tem um punhado de boas músicas como o Pet Shop Boys.

em outubro 7, 2007 09:22 PM [Manoel]

Saudações, Marcos! Sou fã incondicional dos Pet Shop Boys, motivo pelo qual estou sempre buscando na net algo que traga novidades a respeito deles. A razão é que uma boa parte das músicas dos Boys representam momentos muito especiais da minha vida, desde o início da carreira deles. Fiquei muito triste por saber que, mais uma vez, eles vieram por aqui e eu só fiquei sabendo quando eles haviam partido. Já faz algum tempo que você fez os comentários acima citados e devo lhe dizer que você os fez de modo inteligente mas, a meu ver, com ressalvas. Em se tratando das "alegorias" que comumente vemos no palco quando o Tennant e o Lowe mostram o que eles têm de melhor (o talento), nada mais são que mero complemento. Creio que você deva ter visto partes dos shows onde o Neil senta em um banquinho, pega a guitarra e mostra versões acústicas de antigos sucessos. Isto é, para mim, a prova mais concreta que os Boys não necessitam de toda aquela parafernália de equipamentos e dançarinos. Eles apenas acrescentam um toque de alegria, energia e surrealismo que levam a platéia ao delírio. Quanto ao rock? Bom, existem gostos e estilos bastante diversificados. Na minha "cedeteca" aqui em casa tem: rock, new age, tecno, romântica, nacional, internacional... São estilos totalmente diferentes, cada qual com a sua energia. E posso lhe afirmar que, apesar desta diversidade aqui em casa, eu não sou tão eclético assim pois, existem certos estilos que eu simplesmente não suporto.
Um forte abraço, Marcos.
Manoel



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