O Homem Baile
24 de março de 2007
Roger Waters recria Pink Floyd em espetáculo exuberante
Em show irretocável, baixista abusou das projeções e efeitos visuais. Nem “apagão” de dez minutos atrapalhou a noite histórica. Fotos: Marcelo Rossi / Divulgação Media Mania

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Roger Waters canta com o Coral de Crianças da UFRJ: Teatcher, leave your kids alone!

Aquele que por ventura passasse ontem, nos arredores do Sambódromo, no Rio, anotaria com toda a convicção que o Pink Floyd estaria se apresentando na Praça da Apoteose. Ao invés da consagrada banda inglesa, Roger Waters, baixista e membro fundador, é que estava lá, com o show “The Dark Side Of The Moon”, que tem o disco de mesmo nome tocado na íntegra. Apenas 40 minutos das quase três horas de show que incluíram ainda outros clássicos do Pink Floyd, além de duas solitárias músicas da carreira solo de Roger. Era ou não era para confundir os transeuntes menos informados?

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Waters virou a voz ofical do Pink Floyd
O show, conceitual, começa antes de si próprio. Um telão gigante de altíssima definição mostra em close um rádio da década de sessenta, posicionado no quarto de um sujeito perturbado que fuma, bebe e troca de estação sem parar – em todo o show o universo deprê desse cubículo seria exibido. As músicas do tal rádio se sucedem e variam entre clássicos do rock e as correntes que o fundaram. Até que “In The Flesh”, a mesma que abriu o show de 2002, é iniciada com muita pirotecnia e os martelos de “The Wall” estilizados marchando no telão. O impacto visual é impressionante. A sensível “Mother” se ambienta no quarto bagunçado do tal sujeito, até que “Set The Controls For The Heart Of The Sun” começa a realçar a boa banda recrutada por Waters. Primeiro um belo solo de clarinete, depois um dos três guitarristas manda um excelente solo de guitarra, que, aliás, daria a tônica em todo o show. Nesse momento o telão começa “pegando fogo”, mostra uma versão moderna das antigas bolhas de óleo e água dentro de uma calota de vidro, e imagens antigas da banda ainda com Syd Barret.

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As bolhas de óleo na água foram atualizadas
É a deixa para que se inicie praticamente um bloco especial em homenagem ao guitarrista, falecido em junho do ano passado. Se o álbum “Wish You Were Here”, de 1975, foi todo dedicado a ele, que foi fundo na viagem das drogas e não voltou, ontem a seqüência “Shine On You Crazy Diamond” / “Have a Cigar” / “Wish You Here” (a música) se prestou muito bem a este papel. A imagem do guitarrista ainda novo, cenas de velas acesas sendo substituídas por pétalas de rosas e até uma metáfora com o paraíso garantiram um dos momentos mais belos e emocionantes da noite. A bem da verdade “Wish You Were Here” encanta não só pela beleza da canção, mas porque não é possível o ser humano sem o sentimento de perda e da respectiva saudade, e certamente não existe uma música que melhor represente isso. Os cerca de 40 mil que lotaram a Apoteose que o digam.

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O baixista também tocou violão
em algumas músicas
Chega a hora em que Waters se aprofunda no seu tema predileto: as guerras e as conseqüências para a sociedade como um todo. Os detratores do músico podem taxá-lo de paranóico, mas poucos artistas em todo o mundo foram tão contundentes com as mazelas do poder em todas as sociedades. Assim ele antecipou a queda do muro, com “The Wall”, e nunca mais deixou o tema de lado. Em “Fletcher Memorial”, por exemplo, imagens de Bush, Saddam, Reagan, Pinochet, Thatcher e similares são mostradas no telão, enquanto a letra da música condena quem manda inocentes para os campos de batalhas. Ela foi tocada logo depois de “Southampton Dock”. As duas, do fraco “The Final Cut”, o último disco com a formação clássica do Pink Floyd, foram praticamente ignoradas pelo público, até então bastante participativo. Durante “Perfect Sense”, a seguinte, o que era para ser uma grande explosão causada por um míssil disparado no telão, acabou pifando a energia do palco, que levou dez minutos para ser restabelecida. Na volta Waters “culpou” a energia do público pela pane, em tom de brincadeira. “Livin Beirut” conta uma historinha de um jovem Waters sendo bem recebido no oriente médio e é a deixa para mais ataques a Bush, tudo explicado em forma de quadrinhos no telão. A música que encerra a primeira parte do show (cerca de 1h25m) é “Sheep”, que leva o porco aos céus. O inflável, rosa choque, foi levado por dois incautos que seguravam as cordas no meio do público.
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Vista do palco com o porco indo pelos ares
As frases escolhidas através de uma promoção de um jornal carioca refletiram a preocupação com a violência (“Hey killers, leave our kids alone”), educação (“All we need is education”) e antiamericanismo (“Bush, não estamos à venda”), entre outros temas. No final da música o porco é solto em definitivo aos ares. O público delira, e a parte principal ainda nem havia começado.

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Esplêndida vista da arquibancada da Praça da
Apoteose
Além da parafernália visual, o que contribui para o espetáculo é a qualidade do som “quadrafônico” que insere o público dentro das músicas, assim como as imagens que parecem sair da tela e chegar até a platéia. Foi o que aconteceu com a peça “The Dark Side of The Moon”, carregada se sons de fundo como helicópteros, despertadores, moedas e gargalhadas. Waters fez questão de tocar tudo igualzinho ao disco, tanto que a duração, ao vivo, foi praticamente a mesma do vinil, cerca e 43 minutos. Mesmo que pequenas alterações se evidenciassem (como um certo molho eletrônico em “On The Run”), as 11 músicas foram, em conjunto, bem fiéis às versões originais. “Money” foi cantada por um dos guitarristas, e “Us And Them” (com nova citação a George Bush), pelo tecladista, mostrando outra diferença em relação ao show de 2002, quando Waters cantava tudo. Em “Any Color”, um prisma gigante se salienta no topo do palco, e feixes de raio laser com as cores do espectro iluminam as arquibancadas, num efeito muito bonito.

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A imponência do telão sobre o palco
Para o bis, a estrela foi “The Wall”, a começar por “Another Brick In The Wall Part II”, que contou com o coral de crianças da UFRJ, anunciado pelo próprio Waters, num português lido em um pedaço de papel. Na tela, dois muros e duas épocas: o de Berlim, posto abaixo em 1989, e o da Faixa de Gaza, erguido em pleno século 21. Duas músicas daquelas que “compõem o elenco” precederam o final com “Confortably Numb”, quando o telão volta a exibir o sujeito perturbado em seu quarto, até que o rádio reaparece indicando o final do jeito que começou. Numa palavra? Inesquecível.

Repertório completo

In The Flesh
Mother
Set The Controls For The Heart Of The Sun
Shine On Your Crazy Diamond
Have a Cigar
Wish You Were Here
Southampton Dock
Fletcher Memorial
Perfetc Sense
Leavin Beirute
Sheep

Intervalo

Speak To Me
Breathe
On The Run
Time
The Great Gig IN The Sky
Money
Us And Them
Any Color
Brain Damage
Eclipse

Bis

Happiest Days
Another Brick In The Wall Parte II
Vera
Bring Boy Back
Confortably Numb

em janeiro 23, 2008 07:02 PM [sabrina de souza pires ]

Eu nunca tive a oportunidade de ir a um sow deles, mas sou muito fã deles e sem dúvida é e sempre será a melhor banda de rock clássico o mundo... É eterna!



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