
O leitor mais observador já deve ter percebido que vou me referir aos erros que a bandeirinha Ana Paula Oliveira cometeu no clássico de domingo, mas usei o fato apenas como ponto de partida, ou, como se diz na linguagem jornalística, como gancho. Disse bandeirinha e repito: ban-dei-ri-nha. Porque, para mim, não adianta a FIFA falar, não adianta o camarada contar passos numa falta próxima à lateral do campo ou dedurar o zagueiro que deu um soco na cara do atacante, que isso não o promove a auxiliar. Para mim, será sempre um bandeirinha, aquele que levanta o bastão com um pano atravessado para indicar uma irregularidade – em geral um impedimento. Tanto bandeirinha não é juiz que não apita. Nasce, cresce e morre bandeirinha. E não há demérito algum nisso.
Disse, também, juiz. Os experts vão dizer que o certo é árbitro, e é verdade, mas eu prefiro – e insisto – no juiz. Sim, aquele todo vestido de preto que se diferencia de todo e qualquer jogador. Sim, do bom e velho juiz ladrão. Porque, para mim, já disse, todo juiz é ladrão. Não no sentido dá má intenção à Edílson, o nefasto apostador, mas ladrão no sentido esportivo de se roubar no jogo. Porque juiz não erra, rouba mesmo. Ou, por outra, até quando erra está a garfar alguém. E se todo juiz é ladrão, os banderinhas são seus comparsas, pouco importa se é a bela Ana Paula que está em questão.
Ana Paula é, sim, uma boa banderinha (sem trocadilhos), mas cometeu um erro crucial em sua carreira. Aceitou o convite para ser comentarista de arbitragem no Sportv. Digo isso porque não é possível (eticamente) ser bandeirinha e comentarista de arbitragem ao mesmo tempo. Além de comprometer sua carreira, o fato constrange profissionais do canal de esportes da Globo, que têm que se posicionar com isenção ante as suas atuações. Admira-se, inclusive, que os editores do Sportv, experientes até o último fio de cabelo, tenham sido seduzidos pela idéia de ter a bela na tela. E nem vamos falar que, para ter a moral de ser comentarista, Ana Paula ainda tem que comer muito angu.
Mas vamos ao jogo de domingo. Ana Paula errou duas vezes e ponto final. Numa, invalidou um gol em que o atacante do Santos estava em posição legal. Noutra, como que fizesse uma compensação no subconsciente, simplesmente não viu Zé Roberto impedido do gol do Santos. Errou é tá acabado. Os mais rigorosos dirão que a fofa interferiu no resultado do jogo, o que é verdade; e os mais otimistas preferirão falar que uma falha zerou a outra. No que eu retruco: nem uma coisa nem outra.
Os erros de Ana Paula não mudaram o resultado do jogo, porque eles simplesmente fazem parte do jogo. Qual seria o resultado se ela não tivesse cometido erro algum ninguém sabe, porque aí a história seria outra. Até os basbaques sabem que no futebol não existe “se”. E definitivamente um erro não compensa o outro. Erro é erro e não se fala mais nisso; a bandeirinha errou duas vezes e cabe à federação avaliar a gravidade desses erros e suas conseqüências, para saber o que fazer com ela. Advertência, punição, reciclagem, agora é com eles. Para mim uma descompostura está de bom tamanho. Menos, Ana Paula. Menos.
Mas o assunto aqui nem era arbitragem, juiz ladrão, bandeirinha ou Ana Paula. O que me impressiona é o tempo que as resenhas esportivas gastam analisando e comentando os erros de arbitragem repetidas vezes. Ao que tudo indica, o assunto deve gerar um Ibope dos mais satisfatórios. Os caras têm comentaristas de arbitragem (geralmente árbitros aposentados e corporativistas), mas todos opinam e desopinam durante muito tempo, e, o pior, sem chegar a conclusão alguma. Ótimo – dirão os democracistas de plantão, mas eu não pago TV à cabo para ter dúvida, quero é saber a opinião definitiva dos especialistas, senão vira tudo turma do amendoim.
Na verdade – e prometo aprofundar isso numa coluna específica – no futebol tem muita imprensa e pouco notícia, daí os caras ficarem tirando leite de pedra o tempo todo. É muito noticiário pra pouca novidade, aí vêm aquelas discussões sempre sobre o mesmo tema. A demanda deve ser grande mesmo ou há algo de podre por trás das lentes.
Até a próxima, que os grandes começaram a atropelar!!!