Bola e Bola Mesmo
13 de março de 2007
Muita discussão por nada
Resenhas esportivas gastam muito tempo discutindo erros de arbitragem. Mas que Ana Paula Oliveira errou no clássico de domingo, errou. E duas vezes.

Os programas esportivos de hoje são assim. Você liga para ver os melhores momentos dos jogos, análises, etc, e acaba se deparando com infindáveis entrevistas de quem tem pouco a perguntar com que tem pouco (ou quase nada) a dizer. Ou, então, com discussão sobre lances de arbitragem. Duas das coisas mais chatas das nossas programações esportivas. A primeira citei a título de floreamento, e vou aprofundar-me no assunto numa coluna específica. Hoje é dia de arbitragem aqui em Bola é Bola Mesmo.

O leitor mais observador já deve ter percebido que vou me referir aos erros que a bandeirinha Ana Paula Oliveira cometeu no clássico de domingo, mas usei o fato apenas como ponto de partida, ou, como se diz na linguagem jornalística, como gancho. Disse bandeirinha e repito: ban-dei-ri-nha. Porque, para mim, não adianta a FIFA falar, não adianta o camarada contar passos numa falta próxima à lateral do campo ou dedurar o zagueiro que deu um soco na cara do atacante, que isso não o promove a auxiliar. Para mim, será sempre um bandeirinha, aquele que levanta o bastão com um pano atravessado para indicar uma irregularidade – em geral um impedimento. Tanto bandeirinha não é juiz que não apita. Nasce, cresce e morre bandeirinha. E não há demérito algum nisso.

Disse, também, juiz. Os experts vão dizer que o certo é árbitro, e é verdade, mas eu prefiro – e insisto – no juiz. Sim, aquele todo vestido de preto que se diferencia de todo e qualquer jogador. Sim, do bom e velho juiz ladrão. Porque, para mim, já disse, todo juiz é ladrão. Não no sentido dá má intenção à Edílson, o nefasto apostador, mas ladrão no sentido esportivo de se roubar no jogo. Porque juiz não erra, rouba mesmo. Ou, por outra, até quando erra está a garfar alguém. E se todo juiz é ladrão, os banderinhas são seus comparsas, pouco importa se é a bela Ana Paula que está em questão.

Ana Paula é, sim, uma boa banderinha (sem trocadilhos), mas cometeu um erro crucial em sua carreira. Aceitou o convite para ser comentarista de arbitragem no Sportv. Digo isso porque não é possível (eticamente) ser bandeirinha e comentarista de arbitragem ao mesmo tempo. Além de comprometer sua carreira, o fato constrange profissionais do canal de esportes da Globo, que têm que se posicionar com isenção ante as suas atuações. Admira-se, inclusive, que os editores do Sportv, experientes até o último fio de cabelo, tenham sido seduzidos pela idéia de ter a bela na tela. E nem vamos falar que, para ter a moral de ser comentarista, Ana Paula ainda tem que comer muito angu.

Mas vamos ao jogo de domingo. Ana Paula errou duas vezes e ponto final. Numa, invalidou um gol em que o atacante do Santos estava em posição legal. Noutra, como que fizesse uma compensação no subconsciente, simplesmente não viu Zé Roberto impedido do gol do Santos. Errou é tá acabado. Os mais rigorosos dirão que a fofa interferiu no resultado do jogo, o que é verdade; e os mais otimistas preferirão falar que uma falha zerou a outra. No que eu retruco: nem uma coisa nem outra.

Os erros de Ana Paula não mudaram o resultado do jogo, porque eles simplesmente fazem parte do jogo. Qual seria o resultado se ela não tivesse cometido erro algum ninguém sabe, porque aí a história seria outra. Até os basbaques sabem que no futebol não existe “se”. E definitivamente um erro não compensa o outro. Erro é erro e não se fala mais nisso; a bandeirinha errou duas vezes e cabe à federação avaliar a gravidade desses erros e suas conseqüências, para saber o que fazer com ela. Advertência, punição, reciclagem, agora é com eles. Para mim uma descompostura está de bom tamanho. Menos, Ana Paula. Menos.

Mas o assunto aqui nem era arbitragem, juiz ladrão, bandeirinha ou Ana Paula. O que me impressiona é o tempo que as resenhas esportivas gastam analisando e comentando os erros de arbitragem repetidas vezes. Ao que tudo indica, o assunto deve gerar um Ibope dos mais satisfatórios. Os caras têm comentaristas de arbitragem (geralmente árbitros aposentados e corporativistas), mas todos opinam e desopinam durante muito tempo, e, o pior, sem chegar a conclusão alguma. Ótimo – dirão os democracistas de plantão, mas eu não pago TV à cabo para ter dúvida, quero é saber a opinião definitiva dos especialistas, senão vira tudo turma do amendoim.

Na verdade – e prometo aprofundar isso numa coluna específica – no futebol tem muita imprensa e pouco notícia, daí os caras ficarem tirando leite de pedra o tempo todo. É muito noticiário pra pouca novidade, aí vêm aquelas discussões sempre sobre o mesmo tema. A demanda deve ser grande mesmo ou há algo de podre por trás das lentes.

Até a próxima, que os grandes começaram a atropelar!!!

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