Rock é Rock Mesmo
15 de março de 2007
É show que não acaba mais
Colocando a casa em ordem com uma enxurrada de shows internacionais e uma entressafra no rock carioca.

Meus amigos, a maré não está pra peixe. Ou, por outra, está sim. Há tanto trabalho que não tenho mantido a casa em ordem por aqui. A duras penas estou conseguindo recolocar este site razoavelmente em dia. E explico. Com tanto trabalho que paga as contas e as Brahmas (porque ninguém é de ferro), este encravado espaço virtual tem visto a banda passar cantando coisas de amor. E atualização que é bom, nada. Mas isso é bom também. Trabalho sempre é bom, não é não?

Mas deixemos de lenga-lenga e vamos direto ao ponto. Porque se a falta de tempo é tamanha, e se entender o tempo é uma tarefa árdua demais para este velho operário do rock, vamos brincar com ele. Esta Rock é Rock Mesmo, escrita no dia 15 de março (bela data, hein?) vai recolocar tudo em ordem, tudo atualizado. Porém deixando para trás nada menos que sete semanas a serem ocupadas. Ocupação que farei doravante, mas mantendo a data anterior, de modo a deixar tudo na mais perfeita ordem. Sim, meus amigos, vou escrever como se estivesse no passado, antes do futuro. Entenderam? Então tentem ver, em seqüência, as três partes do genial “De Volta Para o Futuro”. Aí, sim o bicho pega.

Vejam vocês que a temporada de shows já começou. Um clichê neste Brasil varonil é dizer que o ano só começa, efetivamente, depois do Carnaval. Eu mesmo já devo ter dito isso por aí, circunstancialmente, porque na guerra de expressões, fico sempre do lado do óbvio, do clichê. Mas hoje vou discordar. Como pode o ano de 2007, por exemplo, só ter começado após o Carnaval? Digo isso porque trabalhei (e muito) em janeiro e fevereiro, e isso não é ficção, são horas e horas de – com o perdão da palavra – encornação. Sim, fiquei praticamente encornado até o Carnaval chegar. Então, para mim, não só o ano não começou depois o Carnaval, como, pela quantidade de trabalho que eu produzi, já era para estarmos em julho. No mínimo.

Mas falava dos shows. Estes sim começam a deslanchar por agora. Ontem foi Pet Shop Boys e já teve Bryan Adams. Semana que vem tem Blind Guardian, Asia e Roger Waters, dois ases do rock progressivo tocando no Rio com um dia de intervalo. Depois tem Placebo, Bad Religion, Aerosmith, Evanescence. Pennywise, Keane, Buzzcocks e por aí a fora. Lembram do maio de 2004? Pois podem esquecer, agora é que o bicho vai pegar de vez. Já até tirei o chicote do armário para fazer o Homem Baile trabalhar ferozmente. Temos que ter tudo resenhadinho no dia seguinte, que isso aqui não é revista, não. Tem que ser on line. Na hora. Em tempo real. Rá! Quem me viu e quem me vê!

Por aqui a coisa vai bem, obrigado. O Autoramas, enfim, parece que vai desengavetar o novo álbum, concluído há quase um ano, e até o DJangos resolveu renascer, está em estúdio fazendo um novo disco coma produção de Marcelo Yuka. Quanto a novos artistas a coisa está mais ou menos. Digo isso porque tenho atuado como jurado nas seletivas que a Revista Laboratório Pop está fazendo para eleger uma banda para tocar no Mada esse ano, em Natal. Fui jurado também no ano passado, e o nível das bandas era muito baixo. Nesse ano melhorou um pouco. Vejam vocês que, numa determinada noite, das sete bandas escaladas para tocar, cinco eram de bom nível. Um recorde, meus amigos, um recorde. Já estão classificados para a finalíssima Rockted, Manacá, R Sigma e Tontera. Hoje e quinta saem as duas últimas.

Ainda assim, acredito que o rock carioca passa por uma entressafra. Não que não tenha bandas novas, o que mais tem é banda em tudo quanto é canto. Mas não são bandas boas, não há, em geral, boas músicas, daquelas com um bom riff, uma boa melodia, um refrão colante que faz a gente cantar sem querer, um solo contagiante... Não há nada. O amigo leitor pode até achar que eu estou exagerando, e eu posso estar exagerando mesmo. Mas apontem uma banda nova aqui do Rio que tenha, ao menos, um desses quesitos atendidos. Pensem bem. Não há. Estamos, sim, numa verdadeira entressafra. O que pode ser bom, afinal da noite mais escura surge o amanhecer. Vamos lá!

Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!

em março 20, 2007 05:39 PM [Otaner]

Bom, tem o Rockz e eu canto o refrão da música "Ora Bolas", sem nem ao menos perceber. E a performance do Cabaret que eu acho muito engraçada.
Legal o blog.
Abraços



em abril 13, 2007 04:17 PM [Yuri Kauss]

Esqueceu de citar, na lista de shows, Velvet Revolver, Jethro Tull e Motorhead. Tudo por agora também. Abs.



em abril 14, 2007 05:04 PM [Marcos Bragatto]

Pois é, Yuri, é tanto show que nem dá tempo de atualizar. Mas acompanhe na seção Fiilpetagem que lá tem tudinho.
Abraço!



em maio 24, 2007 05:47 PM [marvim maciel]

Marcos, gostei dos seus comentarios (rock é rock mesmo)quando você diz que há uma entre safra de bandas e diz que o nível não está muito legal. Pois bem, me parece que tá acontecendo o seguinte: o cara tem uma banda,.uma graninha (paitrocinador), pega e contrata uma produtora ou assessoria de imprensa ou sei lá o que, acontece que o pessoal recebe a grana e pouco importa o que está se jogando no mercado (se as bandas têm qualidade ou não) e as bandas que não têm grana (com talento ou não) fica vendo o bonde passar.



em setembro 8, 2007 06:59 PM [Chico Junqueira]

Concordo com a entressafra, mas do Rio recomendaria El Efecto, Rockz e Wagner José e Seu Bando.



em novembro 29, 2007 09:11 AM [MARCELO]

Beleza? Estou nessa pela 1ªvez. Gostaria de saber se alguém sabe se o Taurus vem pra Teresina-Pi. E quem poderia me ajudar a acessar páginas .com (ponto com) do meu serviço. O mesmo é bloqueado para .com (ah, já descobriram o beenblocked.org). Valeu, stay heavythrash.



em outubro 4, 2008 09:58 PM [Zemiro]

Entressafra de boas músicas? Entressafra de bons artístas? Minha opinião - alguém pediu a minha opinião? -, é que a verdadeira entressafra é de gravadoras e/ou selos ! Conheço pelo menos umas dez bandas só no Rio de Janeiro que já deveriam estar tocando na rádio em horário nobre a muito tempo.
Otimismo exagerado? Ufanismo de minha parte? Falo como músico que sou. Não vou citar o nome da banda a qual faço parte, pra não dizerem que estou forçando uma barra ou puxando a sardinha pro meu lado. Vou fazer melhor do que isso; vou nomear as "pelo menos" dez bandas que com um mínimo de investimento financeiro e de marketing, já poderiam estar colhendo louros nacionais, porque talento e inspiração elas tem de sobra: Companhia Itinerante, Filhos da Judith, Fuzzcas, Álister, Estação 22, Projeto Drenna, Menino Prodígio, Os Macraios, Lunar 4, Na Casa do Sino.
E não me venham com a aquela historinha do Boi-tá-tá de que hoje em dia está mais fácil para os músicos, devido ao barateamento das gravações, com o advendo da gravação digital! Seria cômico se não fosse trágico! Mas isso é um outro assunto. Jogo essa garrafa no mar da WEB, quem sabe um dia alguém ouvirá a minha história.

Zemiro Bentox
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