
O fato é que ninguém quer estragar a festa de Romário. A mim, pouco me importa se ele fez novecentos e tal ou mil e cacetada. Romário é craque e ponto final. Não é só um grande artilheiro, não só venceu uma Copa sozinho para o Brasil, não é só o gênio da grande área, como disse outro gênio, Johannes Cruyff - que preferiu esquecer as arrancadas sensacionais da juventude do Baixinho. Romário é craque em todos os sentidos, até na incorrigível marra que ele carrega. Foi assim que ele ganhou folga, certa vez, quando jogava no Barcelona, para passar o Carnaval no Rio. Apostou com o mesmo Cruyff (então técnico da equipe catalã) que se fizesse três gols no jogo de domingo, seria liberado. Só o marrento Romário protagonizaria uma história dessas.
Chegar a mil ou quase mil, no entanto, não aproxima o futebol de Romário ao de Pelé. No futebol, este esporte terreno que estamos acostumados a ver na TV às quartas e domingos, o crioulo não conta. Ou, por outra, está acima do bem e do mal. Tanto que Pelé fez mil gols “sem perceber”, aos 29 anos, não neste verdadeiro calvário de um insustentável quarentão. O que não tira, repito, o mérito de Romário. Porque o craque é o craque, independente dessa controversa contabilidade.
Mas por que razão, ora pois, existe a tal controvérsia? – pergunta o leitor. Não é só pesquisar os últimos vinte, trinta anos e fazer a contagem? É, e imagino que o próprio Romário tenha contratado gente do ramo para fazer o serviço. O problema é que cada um conta de um jeito, de modo que o PSV, por exemplo, apresenta uma soma, e Romário, outra. E, também, a marca é tão inusitada (morreremos todos sem ter outro jogador a atingi-la) que não há um padrão estabelecido por nenhuma entidade ou mesmo pela crônica esportiva. Então porque não se afiançar nas contas de Romário? Vamos comemorar e ponto final. Eu, no entanto, fico com a ressalva feita pelo PVC, o estatístico mais confiável do futebol brasileiro. Para ele, o certo é dizer que, desses mil gols que Romário completará já, já, 904 foram feitos no futebol profissional, 77 no amador e 19 em jogos festivos. Estou com PVC e não abro.
Mas vamos à rodada do final de semana. Vivo falando que os pequenos têm mais é que se estrepar mesmo. E que, no fim das contas, é sempre isso que acontece, simplesmente porque o grande é grande e o pequeno é pequeno. E ponto final. Vejam, por exemplo o caso de São Paulo. Durante infindáveis treze rodadas, vimos o triunfo de clubes do interior ocupando indevidamente o espaço dos grandes entre os quatro que se classificarão para as semifinais. Mérito deles e culpa da draga em que se encontra o Corinthians e da renovação que o Palmeiras promove. Mas eis que, agora, após a décima quarta jornada, Paulista e Noroeste escorregaram para fora da zona de classificação, dando lugar à esquadra de Edmundo e Valdívia. De intruso, só restou o indefinível São Caetano, muito embora o cata-cata do Parque São Jorge venha atropelando pela raia de fora, ocupando (já), aos trancos e barrancos, o sétimo lugar.
E olha que eu nem precisava tocar nesse assunto. Porque, verdade seja dita, mesmo que dois pequenos se classifiquem para as semifinais, não passarão dali. É evidente que, nesse caso, Santos e São Paulo se pegarão na final. Mas se Palmeiras e Corinthians se afirmarem na zona de classificação, aí realmente tudo pode acontecer. Mesmo porque é inconcebível que times ruins como Santos e São Paulo continuem na ponta da competição. Uma hora eles têm que sucumbir, nem que seja à raça ou ao atropelo de campeão.
No Rio, afora o monopolista Romário, a renúncia do Flamengo deve apontar ao menos um dos pequenos nas semifinais da Taça Rio. Botafogo, Vasco e Fluminense têm que segurar suas respectivas vagas, mesmo tendo um regulamento esdrúxulo no qual o êxito de um depende da derrocada dos outros do mesmo grupo. A receita (novidade...) é dizimar todos os pequenos e segurar as pontas nos clássicos, onde, tenho dito, tudo pode acontecer.
Até a próxima que quem deve cobrar pênalti é o presidente do clube!!!