Som na Caixa
24 de março de 2007
Audioslave - Revelations
Sony-BMG. Publicado na Outracoisa 19, de fevereiro de 2007.

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Não deve ser fácil para uma banda diferenciada como o Audioslave se renovar a cada álbum lançado. Como é possível, então, um terceiro disco dotado de uma variedade sonora e de arranjos tão diversa? A resposta talvez esteja mais na forma do que no conteúdo. Ou, por outra, no jeito como a forma molda o conteúdo, uma vez que, nota-se, o quarteto foge de todos os caminhos óbvios na hora de compor. Neste disco, o trabalho de guitarras de Tom Morello está mais apurado do que nunca, não no sentido “solo” da coisa, mas do ponto de vista da criação de evoluções e texturas. Algo que, dentro da música pesada, só ele mesmo é que sabe como fazer. A faixa-título já abre o álbum com ênfase nessa faceta, que muitas vezes salva composições não tão brilhantes – aqui não é o caso. “One and the same” vale-se quase do mesmo expediente, e, se olharmos com atenção, esta é a malha sonora que sustenta a específica sonoridade do Audioslave. Específica e, na maioria das vezes, indigesta. O que torna a coisa muito mais palatável é esse expediente, numa banda que, como nos velhos tempos, se orgulha de fazer toda a sua música tirando o máximo de criatividade do mínimo disponível, usando apenas o básico: guitarra, baixo, bateria e vocal. E está no vocal a segunda porção que adorna este disco (e toda a obra) do Audioslave. O insuperável Chris Cornell é sem dúvida um dos maiores cantores da música pop contemporânea; além de voz, tem a medida certa do que e quando usar. Num álbum repleto de momentos especiais, ainda dá pra destacar o crème de la crème: “Original fire”, um funk rock dos bons, “Somedays”, de refrão colante, e “Shape of things to come”. Numa palavra: discaço.
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