Bola e Bola Mesmo
08 de março de 2007
A vitória do óbvio
Como era de se esperar, na hora H o grande massacra o pequeno. Sem dó.

Eu poderia começar essa coluna tirando onda. Estrategicamente adiada de terça para quinta, para poder já analisar o resultado da Taça Guanabara desse ano (pode a finalíssima acontecer numa quarta à noite?), ela poderia vir como uma segunda-feira radiante na vida de um torcedor. Mas, ao contrário, e sem que isso signifique um paradoxo, não vou comemorar, não. Mesmo porque não faço parte a massa ignorante.

Por que razão, então, poderia eu, se quisesse, tirar onda nesta quinta, se pergunta o leitor. No que eu, de imediato, respondo: porque, como disse no início do campeonato, e como digo várias vezes ao longo dos tempos, no final o grande sempre vence o pequeno. Porque, óbvio, o grande é grande porque vence, e o pequeno o é porque perde. Simples assim. Ou vocês acham que o Flamengo teria uma torcida não grande se fosse, historicamente, um clube perdedor? E o Madureira, se fosse vencedor, teria só aquela meia dúzia de amarelos nas arquibancadas do Maraca? Zebras existem, mas no final quem vence é o grande. Se isso não acontecer, temos a exceção que nada significa senão a confirmação da regra.

Argumentarão os de opinião contrária que, no domingo, deu Madureira, e que inclusive a equipe do subúrbio carioca foi escandalosamente roubada no lance em que o atacante Marcelo foi injustamente expulso. No que eu tenho a explicação. Desde sempre, juiz, na dúvida, favorece a camisa de maior tradição, e por isso não titubeou ao colocar o atacante cai-cai para o chuveiro. Mas esse jogo passou e o Madureira ganhou, então não é mais motivo de discussão. Mesmo porque o Flamengo foi sabotado é por sua direção, que cobrou abusivos 40 reais por um ingresso e afastou a torcida do estádio. Pois eis que, ontem, com o ingresso a 20 (que já é caro) a massa rubro-negra abarrotou o estádio (60 mil pagantes) e colocou o Flamengo pra cima do Madureira. Só isso justifica o ímpeto da equipe do Flamengo, inexistente no domingo passado.

O jogo, entretanto, cá entre nós, foi uma pelada. Em 17 minutos os quatro gols no placar só agradaram aos saudosistas de plantão, que acham que muitos gols é sinônimo da volta dos bons tempos. São, isto sim, fruto de falhas de equipes mal treinadas, ou, simplesmente, nervosas. Exemplos? O primeiro gol de Souza, numa cabeçada dupla típica do Aterro; o do Renato Augusto, onde a bola parecia bilha de fliperama nos pés da zaga suburbana; e ainda o gol do Madureira, que saiu, acreditem, de uma “peitada” do volante rubro-negro. É ou não é uma pelada?

Nos últimos anos os clubes de menor expressão do Rio têm surpreendido os grandes, justamente porque sempre têm mais tempo de preparação. Nesse ano foi diferente, mesmo com o intervalo na Copa do Mundo do ano passado, houve tempo para uma melhor preparação. Daí eu ter dito que os pequenos não teriam vez. Confesso que esperava os quatro grandes nas semifinais, mas o título jamais esteve ameaçado. Na Copa Rio, o segundo turno do Campeonato Carioca, que começa no sábado, os grandes que fracassaram no primeiro turno devem se recuperar. Só o Flamengo, com vaga conquistada para a final, e com uma Libertadores a vencer, é que deve relaxar. Isso se não pular fora da competição, muito embora tenha caído num grupo ridículo.

Eu nem ia falar de São Paulo, mas tenho ouvido dizer que o Santos, o líder do campeonato, e o São Paulo, têm os melhores elencos do país. Sim, eu ouvi do país, não foi do estado, não. De cara, achei uma boçalidade, mas procurei entender e fui investigar os elencos. Reparei que o São Paulo já tinha uma equipe mais ou menos, e agora não tem mais jogadores como Lugano, Mineiro, Cicinho e Fabão. Não que fossem eles grandes jogadores, mas, sem eles, o elenco ficou ainda pior. Basta ver que o lugar de artilheiro da equipe, antes ocupado por um goleiro, hoje é do reserva Hugo, aquele mesmo que foi do Juventude, Flamengo e Corinthians. Que elenco é esse?

E o Santos? Foi campeão paulista no ano passado sabe-se lá como, e hoje tem com a dez de Pelé o volante Zé Roberto. Sim, meus amigos, o grande elenco do Santos tem Zé Roberto como grande destaque. E isso sem falar em Rodrigo Tiuí, Jonas, Kleber Santana e outras bizarrices. Façam-me o favor. Vamos elogiar o que deve ser elogiado – os desempenhos de Muricy Ramalho e Wanderley Luxemburgo, por exemplo, que tiram leite de pedra -, mas não os elencos, né? E, ademais, para falar de Brasil é preciso levantar o nariz e olhar além das margens do Rio Tietê.

Até a próxima, que agora o bicho vai pegar!!!

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