Das desavenças que levaram à separação do Blink 182, há dois anos, o guitarrista Tom DeLonge montou o Angels And Airwaves e foi fazer música pomposa à anos 80, e os outros dois remanescentes entraram de cabeça neste +44 (leia-se “Plus Forty Four”). Para a gravação deste disco, Mark Opus (baixo/vocal) e Travis Baker (bateria) recrutaram os guitarristas Shane Gallager e Craig Fairbaugh, de bandas poppy punk de menor expressão. Pouco imbuídos da missão de tentar buscar uma alternativa ao som praticado pela banda de origem, os rapazes acabaram andando em círculos, como se este projeto fosse uma espécie de seqüência natural do Blink. O problema é que o poppy punk já se auto-encurralou há muito tempo, e é preciso muito mais do que mudar de nome para escapar desse beco sem saída. Com boa vontade, o +44 até consegue em algumas das faixas, mas a voz típica do Blink quase joga tudo por água abaixo. É o caso de “155” (que coisa, esse negócio de números), uma das melhores, que também vai na onda oitentista, só que num outro viés; da pulsante “Cliffdiving”, e da esquisita “Weatherman”, que lembra, de longe, Depeche Mode. Parece que os rapazes deliberadamente tentaram, de um lado, segurar os fãs das antigas fazendo muita coisa com a cara do Blink, e, de outro, ousar um pouco mais. O resultado acaba sendo um disco marcado pela indecisão, que deve trazer saudade para a primeira parte e indiferença para a segunda.