Bola e Bola Mesmo
20 de fevereiro de 2007
Ainda não foi dessa vez
Botafogo e Fluminense fracassam e ficam fora das finais da Taça Guanabara. O primeiro, vítima de sua tradição; o segundo, da incapacidade de contratar um treinador.

Àqueles que vieram aqui nos últimos trinta e poucos dias eu devo pedir desculpas pela falta de atualização desta coluna, inicialmente planejada para ter periodicidade semanal. Isso, logo que se inicia, na prática, a temporada de 2007, é mesmo uma falha clamorosa. Acontece que compromissos profissionais dos mais inapeláveis tomaram conta o meu tempo desde meados de janeiro, e fiquei refém dos prazos que me impuseram, e, também, e sempre, dos meus vencimentos. Mas quem não os têm? Então, vamos a luta.

Os mais maledicentes pode pensar que estava me esquivando de mim mesmo. Explico. Relendo agora a coluna anterior, publicada em 11 de janeiro, apontava eu que dessa vez, no campeonato carioca, os times pequenos não teriam a mínima chance de sucesso. Ontem, atualizando enfim, os comentários do site, vi que um dos parcos leitores já apontava, em 10 de fevereiro, vários resultados ruins para os quatro grandes. Pois que estes devem estar pensando que eu andei sumido daqui para não ter que explicar esse ou aquele resultado. Ledo engano.

Muito embora eu seja contra o resultado no futebol, ou, por outra, contra o futebol de resultados, devo reconhecer os fatos. E eles dizem que a preparação dos clubes grandes do Rio, embora bem melhor do que a feita o ano passado, ainda não foi suficiente. Só isso pode explicar a quinta colocação do Fluminense, por exemplo, num grupo composto por seis clubes, sendo dois grandes e quatro pequenos. O Fluminense, definitivamente, não se preparou bem. O caso do Botafogo me parece mais de fatalidade, daquelas coisas que só acontecem com o Botafogo. Só isso justifica aquela patacoada de sábado de carnaval lá em Saquarema. O time tinha o cenário perfeito, bastava vencer o eliminado Boavista (que não havia vencido ninguém) para se classificar. Mas, além de perder, ainda classificou o rival Flamengo. Botafoguismo clássico, pois não?

É preciso reconhecer que nesse ano o Flamengo se preparou melhor, a começar por desistir daquela idéia absurda de jogar com reservas e priorizar outras competições, como fez o ano passado. Mesmo porque, atualmente a fase inicial a Libertadores é de longe mais fácil que um campeonato regional como o carioca ou o paulista. Jogar contra Maracaibo e Real Potosí é bem mais fácil que encarar o Vasco numa semifinal. E nem vou falar do Madureira de Marcelo, porque apologia a time pequeno, vocês sabem, não é comigo, não. Muito menos a refugo do Vale das Laranjeiras.

Voltando ao Fluminense, a diretoria melhorou a forma de trabalho, só não aprendeu um detalhe: contratar técnico. Era óbvio que Paulo César Gusmão, discípulo de Luxemburgo, não conseguiria montar uma equipe com tantos jogadores à sua disposição. Tanto que, depois de quase trinta dias de preparação, não conseguiu repetir a mesma equipe uma única vez, justamente o básico para um treinador. Seu substituto provisório, Vinícius Eutrópio, fez isso logo nas duas primeiras partidas, contra o time lá do Acre e contra o Vasco. É o básico, repito. PC gosta é de treinar time ruim, aí ele valoriza o “grupo”, faz uma campanha mediana e vira herói. E, ademais, ele sequer tem o élan necessário para trabalhar num clube com as tradições do Fluminense.

Ok, vamos ao que interessa aos leitores e só serve para se voltar contra quem escreve: os palpites. É óbvio que o campeão da Taça Guanabara vai sair do clássico Vasco x Flamengo, qualquer um deles é superior, em time e camisa, a Madureira e América. Boto fé no Vasco (até porque é bom que ele esteja desmotivado no segundo turno) e no América, para ver o grande clássico da paz decidindo o campeão. Para o segundo turno aposto, como de hábito, o quatro grandes como semifinalistas, porque não sou bobo de apostar em time fraco, não.

No campeonato paulista aquela fórmula quadrada e equivocada não ajuda, mas como acontecia em 2006, também no brasileiro, Santos e seu coletivo de cabeças de bagre, e São Paulo, com o time medíocre do goleiro artilheiro, estão na frente de Palmeiras e Corinthians, o time sem dono – nem Leão manda mais lá. O bravo Noroeste repete a dose e se mantém entre os primeiros, e o São Caetano, que no brasileiro voltou para o devido lugar, surpreende sem ressaca, mas com uma boa campanha, ao menos até agora.

Sempre acredito que o timão e o verdão consigam se superar e chegar entre os quatro, afinal a tabela foi feita para que os quatro grandes se encontrem nas finais. E, também, que o nível do paulistão já foi muito melhor no passado, hoje o que temos é um sem número de clubes de pouca expressão e equipes abaixo da média de um futebol de primeira divisão, mesmo para um estadual. Não vi ainda nenhum pequeno bem arrumado, mas só de saber que o candidato a rebaixamento São Bento, treinado por Rincón (?), deu uma rasteira no Santos de Luxemburgo em plena Vila Belmiro, já morri de rir.

Até a próxima, que eu acredito em Papai Joel!!!

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