
Digo isso porque andei prometendo lançar mão de uma relação de melhores do ano já há um tempão, e até agora nada. Enrolo tanto que já tenho, de antemão, a usual desculpa: a clássica de não querer furar aqueles que me pediram listas. Só que hoje, dia 11, o site da Bizz, por exemplo, já está bombando com os votos da crítica, uma vez que, na revista, não foi publicado os votos de cada um dos colaboradores. E lá o que interessa é o resultado de público, que consagrou, quem diria, Pitty, que nada lançou em 2006. O da crítica eu ainda não sei, mas chuto que deve ter dado Racounteurs – o queridinho da vez. Eu, garanto, não votei neles. Aliás, sequer tive a oportunidade de ouvi-los, mas isso é outra história.
O detalhe é que lá no site da Bizz não foi publicada a totalidade dos votos da crítica, só as categorias música e disco. Ou seja, mais um motivo para colocar todos os meus votos aqui. O que eu pretendia era publicar também minha votação para o site Scream & Yell, mas lá a coisa ainda não desenrolou. Acreditem, vale à pena ver as duas, mesmo porque existem categorias e critérios diferentes em cada uma, e elas foram elaboradas em épocas diferentes. Os votos da Bizz compõem o tal Prêmio Bizz, e o período de votação é entre outubro de 2005 e setembro de 2006. Isto é, a escolha foi feita antes e inclui coisas de 2005. O do S&Y foi finalizado praticamente ao apagar das luzes de 2006, e só tem coisa de 2006 mesmo.
Mas em verdade eu vos digo. Elencar melhores do ano para uma publicação grande como a Bizz tem lá suas peculiaridades. Artistas que às vezes já são conhecidos há tempos da gente voltam a aparecer como revelação. Moptop, por exemplo. Já havia concorrido ao Prêmio Dynamite em 2004. Mas, numa publicação de porte maior, que atinge um público também mais numeroso, é considerado novidade. Se, por hipótese, uma revista numerosamente lida como a Veja, resolvesse escolher a revelação musical de 2007 (sim, eu disse 2007), muito provavelmente uma banda como o Moptop ainda concorreria na categoria revelação. Talvez por isso mesmo Pitty, que há tempos é destaque no mercado, incluindo veículos mainstream, só agora conseguiu romper com o preconceito e virou capa da própria Bizz. Não adianta, crônica musical. Você têm que aturar o rock bem feito no mainstream. E nem venham me torcer a cara.
Não citei a Veja por acaso. Nesta semana, a principal revista semanal do País resolveu descobrir o Brasil. Digo isso porque publicou uma matéria sobre a reação do rock independente a gêneros “dominantes”, intitulada “A Reação Roqueira” e assinada por Sérgio Martins. Uma matéria que diz aquilo que tá todo mundo vendo há séculos no meio independente, mas que às vezes precisa ser mostrada para um público maior, e está aí a tarefa da Veja, e também do jornalista. O texto não conta nada de novo para quem vem aqui ou ali na Internet, freqüenta os festivais independentes e é antenado nas bandas novas. Mas vale para apresentar – e muito bem – esse universo consolidado e crescente para um outro Brasil: aquele do qual fazem parte a família da gente, vizinhos, professores e outras pessoas ditas “normais”.
Mudando de assunto, vocês devem ter percebido que o Humaitá Pra Peixe desse ano já começou e o Homem Baile, nada, né? Bom, para quem quiser acompanhar uma cobertura bem resumidinha, vai lá no site da Outracoisa, que vale. Ou, então, prometo falar algo toda quinta aqui mesmo. A primeira semana, por exemplo. Na sexta (agora o HPP acontece nos finais de semana) tocaram A Filial, que faz um rap chatíssimo e que pouco acrescenta ao que já existe no meio, e Curumim, que toca bateria e uma mini-guitarra. Ele adora dar uma roupagem diferente a músicas de outrem. Foi assim com Madonna (“Like a Virgin”) e Mc Batata (na pavorosa “Feira de Acari”). E ainda rolaram alguma citações, como Black Sabbath e a clássica “War Pigs”. Apesar da ausência de uma certa personalidade, até que, no fim das contas, a coisa ficou legal.
No domingo o Rockz mostrou, pela primeira vez, que pode ir além de uma cópia insossa do tal novo rock à Strokes e similares. Foi o melhor show deles dentre todos que eu pude ver, com o som estupidamente alto (o que é sempre bom) e uma música emendada na outra, praticamente sem intervalos. Só falta agora o vocalista acertar o passo. Depois foi a vez do Scracho, que parece ter sido a opção da produção para repetir o fenômeno Forfun. Não deu certo. Além de ruim, a banda não tem público e o tiro saiu pela culatra. No sábado rolaram Rio Maracatu e Ordinário Groove Combo, mas eu preferi o Heavy Duty. Foi mal. O HPP continua amanhã e a cada final de semana de janeiro. A programação completa está aqui.
E como promessa é dívida, eis aqui a relação completa dos meus votos para o Prêmio Bizz:
Músicas
Audioslave - Original Fire
Coldplay - Talk
Green Day - Wake Me Up When September Ends
Killers - When You Where Young
Luxúria - Ódio
Moptop - O Rock Acabou
Muse - Starlight
Wolfmother - Woman
Iron Maiden - Brighter Than A Thousand Suns
Scar Symmetry - The Illusionist
Discos
Iron Maiden - A Matter of Life and Death
Killers - Sam's Town
Moptop - Moptop
Muse - Black Holes and Revelations
Sepultura - Dante XXI
Sonic Youth - Rather Ripped
Wolfmother - Wolfmother
HIM - Dark Light
Soulfly - Dark Ages
Echo And The Bunnyman – Siberia
Videoclipe
Audioslave - Original Fire
The Killers - When You Were Young
Pearl Jam - Life Wasted
Revelação
Wolfmother
Scar Symmetry
Show
Iggy Pop & Stooges
Patty Smith
Pearl Jam
Livro
Rádio Fluminense FM: A Porta de Entrada do Rock Brasileiro nos anos 80 - Maria Estrella
1985: O Ano em Que O Brasil Recomeçou - Pedro Só e Edmundo Barreiros
DVD
Botinada! - A Origem do Punk no Brasil
Rush - R30
Siouxsie And The Banshees – Hayena
Hall da Fama
Barão Vermelho - pelo lançamento do DVD triplo MTV
Artista do ano
U2
Iron Maiden
Muse
Coisinha ridícula do ano
Mais um Rock in Rio apenas em Portugal
Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!