
Mas corrijo. A rigor, time pequeno não deveria ter vez nunca. Ou, por outra, só em casos excepcionais tão isolados que só devem servir como a tal exceção que justifica a regra. Como um Bangu duas vezes, um São Cristóvão uma, só para ficarmos no Campeonato Carioca, e assim por diante. Time pequeno deve ser pequeno mesmo, os grandes é que devem triunfar. Senão não seriam eles, os grandes e, os outros, pequenos. Simples assim.
Acontece que, nos últimos tempos, por motivos os mais variados, o futebol como um todo – e o brasileiro em especial – tem se nivelado por baixo. É muita gente ruim jogando nos lugares em que, tradicionalmente, se viam os craques. Tem muito cabeça de bagre que se esconde por trás da famigerada “falta de qualidade” apontada com a equivocada correção política pela crônica esportiva. Os caras são ruins e ponto final. E nessa terra de cego, não se faz mais a diferença com o craque, mas sim, e infelizmente, com detalhes que não vestem a camisa nem entram em campo.
Já disse aos quatro ventos que, no ao passado, foi esse tipo de coisa que fez do São Paulo, um time medíocre cujo goleador é um goleiro, o grande Campeão Brasileiro. Até os basbaques sabem disso. Quem venceu o título para o time paulistano foi a organização, a estrutura, os salários em dia, o treinador, e blá blá blá. Digo isso porque boa parte das outras equipes não era tão melhor ou tão pior que a do Morumbi, mas perdia nesses detalhes, que, repito, só sobressaem num mundo de pernas de pau como o de hoje.
E aí volto pra o Campeonato Carioca. Nos últimos dois anos as equipes grandes têm cortado um dobrado para conseguir sucesso. E isso num certame cuja tabela, cheia de semifinais e finais, faz de tudo para que os grandes da capital (o Rio é a única capital onde existem quatro) cheguem na disputa final. Embora Botafogo e Fluminense tenham vencido nos anos passado e retrasado, respectivamente, foram as campanhas de Madureira e Volta Redonda, os vice nos mesmos anos, que chamaram a atenção. Ou, por outra, foi a inconcebível lavada que os grandes levaram dos pequenos, muitas vezes ficando fora de semifinais onde dois se classificam em meio a seis equipes. Crescimento dos pequenos? Decadência dos grandes? Não, simplesmente falta dos tais detalhes que levou o São Paulo ao título do ano passado.
Tudo indica, no entanto, que, enfim, os dirigentes e profissionais dos clubes de uma forma geral, estão aprendendo a trabalhar de acordo com o novo e consolidado calendário (quem diria) para triunfar hoje como acontece há mais de cem anos. Mesmo com um campeonato de calendário espremido pela Copa do Mundo no ano passado, todos conseguiram iniciar a tempo a tal da preparação, muitos já com elenco bem definido ou em fase de conclusão. Alguns, como o Fluminense, que desfruta de uma parceria milagrosa, contrataram muitos e bons jogados; outros, menos e não tão bons assim, mas contrataram. Os quatro, sem exceção, mantiveram os treinadores que encerraram a campanha de 2006, com destaque para Renato Gaúcho, que permanece no Vasco há mais de um ano, um verdadeiro recorde para o Rio. Goste ou não deles, estão todos tendo a tal condição de trabalho que tanto se comenta por aí.
Tudo isso leva a crer que teremos um Carioca dos mais emocionantes, com as coisas no seu devido lugar: os grandes no lugar dos grandes e os pequenos no lugar dos pequenos. Esse ano não vai dar para os pequenos. Ao menos até os jornalistas esportivos irem lá cobrir o dia-a-dia deles também... Mas, pensando bem, quem se importa?
Até a próxima, que o Flamengo vai de torres gêmeas nesse ano!!!
Impressionante! Acabo de ler sua crônica de dezembro do ano passado (sou um bisbilhoteiro contumaz) e, em meio a ponderações interessantes, me deparo com a seguinte passagem:
"Mas o grande mérito do rebaixamento desse ano, e da ascensão da série B, é o de não termos, enfim, nenhum desses clubes encardidos do interior de São Paulo que nunca tiveram futebol de primeira, e chegaram a elite à custa de pressões diversas da federação daquele estado. Cai, assim, o mito do tal “interior forte” tão decantado – de novo – pela crônica além Dutra. Do interior de São Paulo restou apenas o Santos, que, graças à era Pelé, é hoje um clube grande e repleto de tradições. E volta à tona a hegemonia carioca, já que o Rio é a única cidade a ter quatro clubes na primeira divisão – de novo – em 2007. Cabe, então, o clamor da crônica esportiva para descobrir o que está acontecendo no futebol paulista. Por muito menos essa mesma crônica já chafurdou demais aqui pertinho da praia."
1o) Gostaria de comentar que não existe, nunca existiu e nunca existirá o futebol paulistano, curitibano, belorizontino, recifense, campineiro, campista, campograndense e quetais. Existe o paulista, o mineiro, o gaúcho, o pernambucano, paranaense, fluminense (que ainda é chamado de carioca por força do hábito, já que era o nome correto que tinha antes da fusão entre o RJ e a GB). O futebol de SP ainda é o que sempre foi durante as 1as três primeiras décadas do século XX, e também nas cinco últimas décadas do mesmo século (exceto a 1a metade dos anos 80, graças ao Flamengo de Zico, até o advento do grande São Paulo de Cilinho) e esta 1a décad do XXI, ou seja, o mellhor do país, disparado.
2o) Nos últimos 10 anos, os clubes de SP venceram seis vezes o brasileiro, três vezes a libertadores, duas vezes o mundial, três vezes a Copa do Brasil e três vezes o Rio-SP(com direito a um Rio São Paulo em 2002, onde o campeão, vice, 3o, 4o e 5o colocados foram clubes paulistas. Fora que foram campeões em quase todas as edições da copinha. Falar em supremacia fluminense parece gozação ou delírio causado por exposição a um sol de 45 graus.
3o) O Santos é um clube paulista, sim, mas aqui no estadão sempre foi colocado entre os Super-Grandes (São Paulo, Timão, Verdão, Peixe), quando os considerados grandes eram 7 (além dos quatro acima citados, também a Macaquinha, o Bugre e a Lusa), e continua, mais do que nunca, sendo um dos grandes de SP e, portanto, é sempre citado entre o 4 grandes da capital, numa licensa poética utilizada pelos jornalistas do estado, bem como pelo povo em geral. Isso faz ainda mais sentido quando se sabe que o Campeonato Paulista (o mais velho do país) era disputado, até 1949, por clubes de Santos, da capital e de São Caetano. A cidade de Santos fica pertíssimo da capital (67km), na Baixada Paulista (ou Santista, como é popularmente conhecida), LITORAL de SP(não interior!!!) e, desde sempre, contou entre seus habitantes, torcedores de todos os times grandes do estado, assim como de torcedores da Portuguesa Santista e do Jabaquara. Na região da capital (grande SP) as pessoas também se dividem entre os 4 grandes paulistas, sendo que o Santos conta com 1 milhão de torcedores naquela região (assim como o Timão conta com grande torcida em toda a baixada). Resumindo, o que quero dizer é que na cultura esportiva paulista, o termo time do interior, no mais das vezes, é apenas metafórico, referindo-se a equipe pequena. Assim, muitas vezes a "Briosa" (PortSantista) e o Juventus ("Moleque Travesso"), Santo André e Nacional (da cidade de SP) são chamados de equipes do interior. Todo mundo entende do que se está falando. Quando alguém faz essa divisão do futebol paulista por cidades, coisa que nunca houve antes destes 1os anos do novo século, causa estranheza aos ouvidos paulistas e, sempre que isso ocorre, é da parte de jornalistas comentando em programas gerados em outros estados. AInda assim é muito mais exceção do que regra, já que fica patente a tremenda "forçação de Barra".
4o) Pressões da federação paulsta? O Brasil inteiro sabe que a CBF, o STJD, COBRAF e quetais sempre tiveram suas sedes na capital do RJ e sempre foram dominados por cariocas. Decisões polêmicas tanto nos gramados, como no tapetão, coincidentemente, sempre encontravam Cruzeiro (74), S. Caetano (00), Santos (95), São Paulo, Gama (99) no lado dos inconformados, choradores, vencidos e, do outro, clubes "da casa", ou seja, conterrâneos das instituiçoes. Achar que qualquer federação, que não a do RJ, tenha qualquer força nas carioquíssimas CBF, COBRAFs e STJDs sediadas no Rio de Janeiro é, para dizer o mínimo, falta de conhecimento do futebol brasileiro.
5o) SP ainda tem 4 equipes na 1a divisão, 8 na 2a e mais um montão na 3a. Os clubes paulistas foram campeões de quatro das últimas cinco edições do campeonato brasileiro. A equipe melhor classificada do estado que, segundo você escreveu, é o que tem o melhor futebol do Brasil atualmente, foi o Vasco da Gama. SEXTO colocado! Me desculpe, pois gostei mesmo, de modo geral, do seu artigo(tirante o trecho que ora comento) , mas gostaria de saber se você realmente não estava delirando quando teceu essas considerações
6o) Um grande e forte abraço. Espero que continue a ficar "um pouquinho" bravo com seus comentários, pois isso significará que o futebol de SP, o futebol paulista continuará reinando, como quase sempre reinou, e dando vazão a comentários pouco felizes como esses que acabo de comentar.
América 2x1 Vasco, Volta Redonda 3x2 Fluminense, Friburguense 1x1Fluminense, Madureira 2x2 Botafogo, bem feito pro Renato Gaúcho.
Vamos esperar o final? E o Friburgense perdeu pra o Fluminense por 1x0.
Putz, Roberto, só agora vi o que você escreveu... E foi tanta besteira que nem sei por onde começar. Eu sabia que os idotas da objetividade logo apareceriam por aqui, mas você se superou. Vou pegar só os principais pontos, até pra evitar polêmicas estéris:
1- Criar uma geografia futebolística só para dizer que Santos fica na cidade de São Paulo é de um tendencionismo atroz;
2-Fazer estatísticas parciais apontando só os períodos da história que interessam para o nosso argumento não é nada honesto, né?
3- Dizer que São Paulo (a cidade) já teve mais de três clubes grandes chega a colocar em xeque a inteligência alheia;
4- Apontar o fato de CBF, STJD e COBRAF terem sede no Rio a razão para o sucesso do futebol carioca é ridículo, senão seríamos sempre os vencedores - e você próprio mostrou o contrário. Há exemplos de "garfadas" histórcas em vários casos. E pode levar esses malas para São Paulo, se é que aí já não tá cheio delas, né?
Grande abraço!