Bola e Bola Mesmo
14 de dezembro de 2006
Mundial de clubes: apesar da euforia, nada está decidido
Parece discurso de time mais fraco, mas o imponderável pode já ter comprado ingresso para a final do Mundial de Clubes, no domingo, em Yokohama.

Disse aqui na semana passada que o América do México ia complicar a vida do Barcelona. Pois não é que não complicou nadinha? Tanto que Abel Braga, que viu jogo da arquibancada, saiu propagando que o Inter não vai dar a mesma moleza, não. Vai chegar juntinho, não vai deixar o Ronaldinho e companhia jogarem. Foi tão enfático que alguns puristas da crônica esportiva logo taxaram o Abelão de fazer apologia ao jogo violento. Ora, meus amigos, nem o Moisés faria isso nos dias de hoje.

Não acho o Abel um bom técnico, mas concordo com ele. Se o Inter deixar o Barcelona com a bola nos pés, assim, jogando à vontade, seus jogadores vão fazer o que quiserem, simplesmente porque eles são muito bons. Não é esquema tático, não. O único mérito de técnico Frank Rijkaard é justamente o de deixar todos eles jogarem como querem, desde que seja para a frente. Quem tem que pensar demasiadamente em táticas e estratégias é Abel, que tem um time bem inferior e que depende, este sim, da superação de seus jogadores, todos meio assim, assim.

Só uma forte marcação pode recuperar a bola para o Inter criar um contra-ataque veloz, que surpreenda a zaga do Barcelona, bem fraquinha e cuja mania é jogar adiantada pra dedéu, já que o time todo se coloca mais à frente que o normal. Por isso Abel tem que implantar uma tática de marcação implacável aliada a uma saída de bola precisa. Se entrar numa de partir para o ataque vai levar uma enfiada. Sim, pode acontecer de Ronaldinho sumir em campo, de Deco errar mais que acertar e de o caldo catalão desandar, mas Abel não pode nem pensar em contar com isso.

Eu posso. E até acredito numa reviravolta à favor do Inter. Explico. Depois dos jogos das duas equipes, criou-se, com justiça, diga-se de passagem, uma atmosfera de amplo favoritismo para o Barcelona. Se o inter suou para vencer o fraco Al Ahly, o Barça deu um passeio magistral no América do México, adversário notoriamente mais forte. Nunca uma equipe foi tão boa numa partida se compararmos com o desempenho do outro semi-finalista. Qualquer basbaque afirma hoje, sem medo e errar, que o Barcelona, mais do que em outras análises, é amplo favorito para o jogo de domingo em Yokohama. Eu, aliás, também penso assim.

Pois é justamente aí que mora o perigo. No futebol, quando antecipadamente uma vitória parece tão cristalina, é aí mesmo que o revés cisma de comparecer. Vou evitar fazer a comparação rasteira com o Brasil na Copa do Mundo desse ano, mesmo porque eu nunca apostei na vitória da nossa seleção. Mas vou evocar resultados do passado, onde cansamos de ver times excepcionais perdendo para verdadeiros timecos, justamente quando se comemorava, por antecipação a vitória do favorito. Brasil e Uruguai na Copa de 50, o Flamengo de Zico tomando de quatro do Botafogo da Paraíba em pleno Maracanã, o Flamengo de Lúcio e Iranildo, Sávio e Romário perdendo para um Botafogo com um time todo reserva, a Máquina Tricolor perdendo nos pênaltis a semifinal para o Corinthians de Russo e Tobias (quem?) no mesmo Maracanã e 1976, e assim por diante.

Digo isso, mas também aponto o Barcelona como favorito. Faço, todavia, ressalvas de que o jogo não está ganho para a equipe catalã, porque o jogo só se resolve – máximo dos clichês – dentro de campo, depois que a bola rolar. Só uma coisa é certa, se Ronaldinho repetir o show que deu hoje e for o campeão, vai aumentar, e muito as suas chances de voltar a vencer a eleição para melhor do mundo, apesar do desempenho medíocre na Alemanha. Esse, meus amigos, não será apagado nunca.

Até a próxima, que hoje teve show no Japão!!!

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