
Coisa que, se querem saber, pouco (ou nada) me apetece. Que adianta o meu time contratar, por hipótese, o Pelé? Trazer, para guarnecer a nossa lateral, Nilton Santos? Ou, para o gol, ressuscitar Castilho? Para o banco, no comando, Elba de Pádua Lima, o Tim? De nada adiantará. Nada, podem acreditar, meus amigos. Lembro muito bem de ver a torcida do Flamengo em polvorosa com a contratação de Romário, então campeão (e melhor) do mundo atuando pela gloriosa seleção de 1994. Junto vieram Edmundo, Luxemburro (chamavam o técnico assim na época) e uma pá de outros craques. Era o “centenário” do clube a Gávea, e os dirigentes pensavam em ganhar tudo. (Usei as aspas para indicar que o centenário do futebol, de verdade, ainda não chegou para o clube de remadores). Pois eis que, neste ano, justamente neste ano, o rubro-negro nada ganhou, e levou a pecha de “derrotado no ano do centenada”. No Rio, o modesto Fluminense de Joel Santana e Renato “gol de barriga” Gaúcho deitou e rolou.
Por isso dou de ombros para as contratações de final/início de temporada, ainda mais em tempos de futebol brasileiro de quinta divisão – as quatro primeiras estão na Europa, vocês sabem. Prefiro, antes, vibrar com a lista de dispensas, tão pouco noticiadas pela crônica esportiva, a menos quando acontece uma transferência imediata de um clube para outro. Por exemplo. Vibrei quando vi que Pedrinho, o menininho doentinho, saiu do Fluminense. Quando Pitbull se pirulitou. Quando Thiago para sempre contundido parece ter ido para o Flamengo – é genial se livrar de um encosto colocando-o justamente no rival histórico. Só não pode acontecer o mesmo como tal Renato Silva, né?
Disse que curto ver a lista de dispensa de cada clube, sobretudo do meu, porque jogador ruim tem que ser escafedido o quanto antes. Pô, Rissut não deu certo? Azar o dele, vaza! Rogério foi mal? Rala! Contratação é assim. Há que se ter um pouco mais de paciência com o jogador formado no clube, craque ou não – ou vocês acham que só craque se forma? Porque, via de regra, jogador formado clube que chega à equipe principal ruim não é. Senão não chegaria até ali. E se não der certo no profissional, tem que ser negociado com muito cuidado, para se recuperar, no mínimo, tudo o que foi investido nele desde que chegou nas categorias de base: anos e anos de moradia, alimentação, educação, assistência médica, etc, não podem ficar de graça. No mínimo, empresta-se o garoto pra ralar num campeonato de várzea, tipo as divisões inferiores de São Paulo, para ver se ele, ou aprende algo, ou se valoriza. Ou os dois.
De todo modo, ou de mais a mais, como dizia o Mestre, o melhor mesmo é ver como o treinador vai conseguir montar cada equipe. Já disse em verso e prosa (nem tanto, nem tanto) que o campeonato brasileiro de 2006 foi vencido com méritos pelo São Paulo, mais por detalhes extracampo do que pelo futebol apresentado. Então é hora de ver como está o tal do planejamento – eita palavra subjetiva – e como cada treinador se portará ante as condições elaboradas por cada clube. Ou seja, enquanto a bola não começar a rolar, há nada a fazer.
Por isso, se você, torcedor incorrigível, se pinica na poltrona atrás de uma atração futebolística, dever se ligar mesmo, ao menos por hora, é na Copa São Paulo de Futebol Junior – transformada em balcão de negócios, é verdade -, mas que mostra, antes, os craques do amanhã. Ou no sul-americano sub-20, que será disputado no Paraguai. Entre os convocados estão o lateral Marcelo (revelado pelo Fluminense, atual Real Madri), o meia Lucas (do Grêmio e da Seleção Brasileira) e Denílson, meia do Arsenal.
Até a próxima, que a barca tá passando!!!