
Imaginem, por hipótese, se o campeão fosse o Grêmio, recém erguido da segunda divisão, e com um time meia boca de dar dó. Ou o Santos, uma das piores equipes do campeonato, que chegou a faturar o campeonato paulista, que a crônica além Dutra cisma em chamar de forte. Sim, cheguei a apontar o Grêmio como um dos candidatos, mas mais pela tradição de ser uma equipe de “chegada”, do que pelo time propriamente dito. Imaginem, de outro lado, um Paraná campeão. Ou, ainda, aquele pavoroso time do Vasco. Estaria certamente ainda mais envergonhado.
Citei os colocados entre o terceiro e sexto lugares de propósito, pois o único time que faria jus a tomar o lugar do São Paulo seria o segundo, o Internacional, campeão da Libertadores e que deve disputar o título do mundial contra o Barcelona. Não que tenha um timaço, mas pelos mesmos motivos extracampo que deram resultado no São Paulo. Os dois são uma espécie de gêmeos no atual medíocre futebol brasileiro. Como disse o atento Marco Bianchi, a primeira, segunda, terceira, quarta e quinta divisões do futebol brasileiro estão na Europa, aqui é apenas a sexta, e olhe lá.
Falei do Grêmio e vi com prazer o ranking do ano divulgado pela CBF. Nele, o time gaúcho aparece na liderança, e o São Paulo vem só em quinto, atrás ainda de Corinthians, Vasco e (vejam só) Flamengo. Duvidam? É só olhar aqui. Outras coisas que descobri no site oficial, olhando já nas estatísticas do brasileirão que se encerrou, é a impressionante marca alcançada pelo São Caetano. A equipe do ABC detém simplesmente oito dos dez piores públicos de todo o campeonato, sendo que lidera do primeiro ao quinto lugar, com, respectivamente, 363, 446, 687, 693 e 785 pagantes. Pode um clube desses participar de um campeonato brasileiro da primeira divisão, enquanto o Atlético Mineiro joga a segunda? É evidente que não. Daí a conclusão de que um dos grandes méritos do campeonato desse ano foi justamente o resgate desse time de várzea e sem torcida para o seu devido lugar.
Os outros rebaixados também se sentirão mais confortavelmente instalados na segunda divisão. Santa Cruz, Ponte Preta e Fortaleza nada têm a ver com a elite do futebol brasileiro. Mas o grande mérito do rebaixamento desse ano, e da ascensão da série B, é o de não termos, enfim, nenhum desses clubes encardidos do interior de São Paulo que nunca tiveram futebol de primeira, e chegaram a elite à custa de pressões diversas da federação daquele estado. Cai, assim, o mito do tal “interior forte” tão decantado – de novo – pela crônica além Dutra. Do interior de São Paulo restou apenas o Santos, que, graças à era Pelé, é hoje um clube grande e repleto de tradições. E volta à tona a hegemonia carioca, já que o Rio é a única cidade a ter quatro clubes na primeira divisão – de novo – em 2007. Cabe, então, o clamor da crônica esportiva para descobrir o que está acontecendo no futebol paulista. Por muito menos essa mesma crônica já chafurdou demais aqui pertinho da praia.
Voltado a falar de futebol, é muito bacana a CBF premiar os melhores do ano, e na mesma festa reconhecer o mérito de craques do passado – este ano foi a vez de Djalma Santos. Sempre reclamamos que não temos memória, em todas as áreas, e esse é um exemplo de que estamos começando a aprender a respeitar nossos craques do passado. Se até a maculada CBF enxerga isso, é sinal de que nem tudo está perdido. O problema está nos escolhidos como melhores desse ano. Estivesse eu na pele de quem teve a oportunidade de participar da votação, e teria que quebrar – e muito – a cabeça para chegar a três nomes para cada posição. Não quero tirar o mérito de quem foi selecionado, mas a seleção escolhida, posição por posição, se confundiria facilmente com uma hipotética seleção de cabeças de bagre, escolhida pelos mesmos cronistas.
Por exemplo, caro leitor. Você gostaria de ter no seu time – não falo nem na seleção brasileira – jogadores como Souza e Fabão, do São Paulo, Renato, do Flamengo, e Souza, este do Goiás? Eu, francamente, não. Pois todos os quatro estão como titulares na seleção do campeonato. E Obina, do Flamengo, Cícero (quem?), do Figueirense, Jadílson, do Goiás, e Andrade, do Vasco? Pois eles estão entre os três melhores de cada posição. É duro ler isso, não é não? Já entre os técnicos, a escolha de Muricy Ramalho foi óbvia, afinal ser campeão com um time sem meias é mesmo um grande mérito para um treinador, e o mesmo raciocínio se aplica aos casos de Mano Menezes, com o bravo Grêmio, e de Renato Gaúcho, com o – repito – pavoroso Vasco. Foi lindo, de outro lado, ver os arrogantes (embora competentes) Leão e Luxemburgo de fora.
Agora voltam-se os olhos de todos para o campeonato mundial interclubes, cuja final tem tudo para ser entre Inter e Barcelona. Digo tem tudo, porque acho que o América do México poderá pregar uma peça o cansado Barcelona. Não, não vou dizer que Ronaldinho vai amarelar como na Copa do Mundo, mesmo porque o dentuço é um grande jogador de clube. Mas mais do que nunca sou colorado desde criancinha.
Até a próxima, que o Inter vai se igualar ao Grêmio!!!
Você tem algo contra o Grêmio?
O próximo comentário seu vai ser qual, se o Grêmio passar do São Paulo. Que foi injusto? Futebol é futebol, é um jogo, e caso o Grêmio tivesse ficado campeão do brasileiro seria com méritos, pois para se ganhar algo prescisa ter equipe, união, e isso nunca falta no Grêmio, por isso que tantas vezes ele cala boca de gente como você.