
Historicamente o Rasmus está para a Finlândia assim como o Silverchair está para a Austrália. A banda se formou com os integrantes ainda adolescentes e rapidamente atingiu um grande sucesso, o que se desdobrou em vendas estratosféricas numa ótica doméstica. A diferença é que hoje o Silverchair é uma banda grande, reconhecida em todo o mundo, enquanto o Rasmus, ao que parece, ainda tem muito chão para percorrer. Musicalmente o grupo é parente próximo do conterrâneo HIM, só que bem mais pop, e muito menos dramático e identificado com o gothic metal de Ville Valo e companhia. Às vezes a semelhança é latente, o que ao vivo ficou claro em músicas como a ótima “Immortal” e em “Heart Of Misery”.
O show durou pouco mais de uma hora, e o repertório é todo calcado nos dois últimos discos do grupo, justamente aqueles que foram distribuídos fora da Europa – nada dos quatro festejados discos anteriores foi incluído. Ou, se foi, aconteceu num set acústico que eles fizeram bem no meio do show, que, se nada acrescentou, musicalmente falando, permitiu uma aproximação maior dos músicos ao público, pequeno, mas numa animação só. Talvez isso é que tenha deixado o grupo tão à vontade. O baixista Eero Heinonen, por exemplo, ao anunciar “Keep Your Heart Broken”, disse estar adorando a cidade, e que à tarde tinha visitado o Corcovado. O agitado vocalista Lauri Ylönen não parou um segundo sequer, nem em músicas mais climáticas como “Funeral Song” (outra que remete ao HIM, já no título) e na balada “Don’t Let Go”, que fecha o último disco, “Hide From The Sun”, e também encerrou o show.
Embora a banda tenha várias músicas fáceis e colantes, ficaram para o final algumas das mais conhecidas. Caso de “In The Shadows”, que tem mais de um trecho para se cantarolar, e a chicletuda “No Fear”, que deu início ao bis. Se a turnê brasileira do Rasmus é precoce, só o tempo vai dizer, mas a falta do apoio da gravadora e de quem produziu a turnê contribuíram para o esvaziamento do show. O bom é que a banda deu de ombros e fez o melhor show que pode, deixando satisfeitos os poucos fãs. Mostrou também, um grande potencial para fazer hits, e boa presença de palco. Que venham novos discos e turnês.
Na abertura a banda mineira Uberro até que se saiu bem. De um início sob a desconfiança do público, acabou saindo aplaudida, mesmo fazendo um som mais pesado e radiofônico, sobretudo nas músicas “Na Mira” e “U Homem Matador”, que fechou o curto set. Só poderiam ter poupado a todos da versão ruim para “Até Quando Esperar”, da Plebe Rude.