
Falo do The Who e já não sei o porquê. Não era esse o assunto que deveria tratar hoje. Ou, por outra, era só um deles, em meio a tanta coisa que ocupa aquele que se interessa pelo rock. E em qualquer jornalismo que se preze é preciso ter idéias, pautas, iniciativa de fazer alguma coisa dentro dos critérios jornalísticos e que possam interessar aquele público que a gente julga ser o público que lê o veículo para o qual escrevemos; seja por orientação de superiores, fruto da análise de pesquisas metodológicas e científicas ou por pura intuição mesmo. E repito. Não é possível o jornalismo sem as sugestões de pauta. E olha que não me refiro às “sugestões de pauta” enviadas rotineiramente pelas vãs assessorias de imprensa. Falo de pautas mesmo. Jornalisticamente falando.
Imaginem vocês que, ao falar isso, me lembro da jornalista infeliz, que, confessou-me, certa vez, não ser “boa de pauta”, e uso aspas para configurar que as palavras são dela própria. Não compreendi bem o que ela queria dizer com aquilo, mas para mim soou como a admissão involuntária da própria incompetência. No que acabo de escrever isso aqui volto a ter outra lembrança, dos tempos da faculdade, quando uma estudante dizia aos quatro ventos que adorava a faculdade de jornalismo, mas não gostava de ler jornal, muito menos “entendia de política”. Uso aspas dessa vez pra identificar uma expressão muito usada pelas pessoas mais simples que já conheci em minha vida, que, alijadas do processo de cidadania, num período pré-fim da ditadura, a usavam como forma de expor a exclusão. Jamais pensei que ouviria isso numa faculdade de jornalismo. Sim, eu retruquei: “então o que você está fazendo aqui?”, e a fofa nunca mais falou comigo.
Narciso acha feio tudo o que não é espelho, mas posso me orgulhar tranqüilamente de que a maioria absoluta das matérias que eu publico aqui e acolá são resultado de pautas previamente sugeridas junto aos meus queridos editores. Não tive a mesma sorte, entretanto, quando eu próprio exerci esta função. Mas isso é uma outra história, mesmo porque não se pode exigir profissionalismo e ética quando não se é de verdade. Não dá pra ser mais realista que o rei, nem citando Caetano.
Só que pautas, acreditem, não surgem ao acaso. É fruto do acompanhamento de tudo o que rola por aí, dentro da ótica de cada veículo especificamente. E, lógico, do conhecimento de causa. Os telejornais noturnos se pautam pelos diários impressos, assim como a web, nos últimos tempos têm pautado tudo e todos, e, ainda, por sua vez, repercute tudo o que aparece impresso ou é dito ou mostrado em transmissões de rádio e TV. Sim, meus amigos, é a cobra mordendo o próprio rabo. Assim como rock é rock mesmo, jornalismo é jornalismo mesmo. Discussões sobre o mesmo tema. Formas diferentes de falar a mesma coisa. Novas informações que se acrescentam ao assunto que vem sendo apresentado, não mais dia após dia, mas minuto atrás de minuto. Estamos na era da informação, lembram? Uma verdadeira revolução.
O paciente leitor que chegou até aqui, e está acostumado a ler estas linhas já deve estar se recalcitrando sobre a cadeira. E o rock? E o rock? Pergunta ele. No que eu respondo: é preciso estar atento e forte. Digo isso – e venho escrevendo isso tudo – por que me preparo parar falar de um assunto encalhado aqui já há muitas semanas, e que me foi pautado justamente por outro jornalista, em seu blog pessoal. Não é que ele tenha me pautado, assim, diretamente, mas o que ele escreveu lá, despertou o meu interesse para comentar aqui. Sabe aquela vontade incontrolável de dar um pitaco, meter a colher? Pois então.
Como disse, e repito, quem trabalha no ramo da música e da crítica tem que ter uma opinião formada sobre tudo, nada de metamorfoses ambulantes. Pois foi só ver um resumido paralelo entre Gram e Moptop feito pelo Mário Marques, no site da Laboratório Pop, que decidi eu mesmo entrar no mérito. Não para provocá-lo, mas porque acho que há mais a dizer – do lado de cada tela sempre há. O problema é que, mais uma vez, falei tanto que o espaço urge. O que quer dizer que vou ter uma semana a mais para falar o que quero já há vários dias. And the dance goes on. Paciência.
Até a próxima e long live rock’n’roll!!!
"And the dance goes ooooon, and the dance goes on and on..."
Me amarrava nisso aí. Quero dizer, ainda curto!
Complemento o teu "Jornalismo é Jornalismo mesmo" com "Leitura é Leitura mesmo" e "Futebol era Futebol mesmo"!
É... vamos lá esperar. "... e a fofa nunca mais falou comigo. '' kkkk Muito boa!