O Homem Baile
05 de novembro de 2006
Edguy arrebata público com um punhado de refrões colantes
Grupo alemão se apresentou pela primeira vez no Rio, ontem, no Claro Hall. Público decepcionou. Fotos: Marcelo Pereira de Souza

Foi a primeira vez da banda alemã no Rio de Janeiro, e o público escasso mostrava que ainda é preciso que eles voltem mais vezes, mesmo porque a empolgação foi geral e auspiciosa. Tobias Sammet, o vocalista prodígio, comandou o público com um carisma de fazer inveja a ícones do gênero, e o show de ontem, no Claro Hall, acabou convencendo, também por um repertório (enxuto, é verdade) dos mais bem selecionados.

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Tobias Sammet impressionou pelo carisma
Uma das especialidades do Edguy é criar refrões colantes, irresistíveis e que fazem até aquele que nunca ouviu a música começar a cantar os versos principais. Imaginem quando tocados ao vivo. Foi assim logo na abertura, com “Catch Of The Century”, cujo título já diz tudo. Foi o suficiente para a animada platéia vir abaixo, e ficar claro que os anos de estrada transformaram aquele grupinho de adolescentes do interior da Alemanha numa banda de arena capaz de levantar multidões. Até na mal encaixada “Sacrifice”, a segunda da noite, e outra com refrão colante, desaguou no desvario do público. A essa altura o som estava perfeito, mas a banda, que se portava bem no palco, com todos fazendo backing vocals, optou por usar teclados pré-gravados e ecos na voz de Tobias, o que puxou o “punch” dos meninos para baixo. Tobias nem precisa desse tipo de artifício, e poderia ele próprio tocar os teclados ou a banda ter trazido um tecladista de apoio.

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Tobias Exxel foi simpático com o público e
segurou bem os backing vocals
O que realça no palco, entretanto, é a postura e a atitude do Edguy, tocando com extrema facilidade e com jeito de banda veterana, mostrando uma evolução sonora – não é só aquele metal melódico épico de outrora – e de bagagem de palco mesmo. Anunciada como “uma canção heavy metal de verdade”, “Babylon” é dessa fase, mas aparece com um peso inédito, e, em determinada altura, leva Dirk Sauer, Tobias Exxel e Jens Ludwig para frente do palco, num dos grandes momentos do set. Até em baladas como “Land Of The Miracle” e a ruim “Save Me” os caras se saem bem, muito por causa dos – de novo – refrões colantes. Mas é nas músicas mais recentes, nas quais andou rolando um namoro firme com o hard rock de raiz, que o Edguy tem ficado bem à vontade. Foi assim em “Fucking With Fire” e na pegajosa “Lavatory Love Machine”, que incluiu aquela tradicional “guerra de gritos” entre os dois lados do público e empolgou geral.

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O solo de Felix Bohnke durou quase dez minutos
A primeira parte do show dura cerca de uma hora e termina com um solo de bateria de Felix Bohnk, que teve uma citação a “Star Wars”. Na volta, o falante Tobias, que anuncia e comenta praticamente todas as músicas, se surpreende com um coro puxado espontaneamente pela platéia em “Superheroes” – até então era ele quem puxava tudo: palmas, pulos, gritos... O final foi com “Tears Of Mandrake”, do álbum que marcou a virada sonora e o amadurecimento da banda. Para o bis Tobias anunciou uma música que não é da banda, e chegou a citar Britney Spears antes da banda iniciar a genial “Avantasia”, do projeto paralelo homônimo do vocalista.

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Tobias e Dirk Sauer
Em ”King Of Fools”, que encerrou a noite, ele comparou o vazio de reality shows do tipo “Ídolos”, que fabricam artistas que logo desaparecem, e citou como contraponto a longevidade de bandas como o Iron Maiden, há mais de 25 anos na estrada. Foi o fecho formidável, com Exxel e Ludwig tocando em cima da parede de amplificadores, e Tobias ainda possesso, correndo de um lado a outro do palco. Pena que, em relação ao show de sexta, em São Paulo, registrado para um DVD, duas músicas tenham sido limadas: “Mysteria” e “Out Of Controls”. Para a primeira vez na Cidade Maravilhosa, bem que o show poderia ter durado mais que uma hora e meia.

Veja também:

Entrevista com Edguy

Resenha do álbum "Rocket Ride"

Resenha do EP "Superheroes"

Foto de Tobias Sammet e André Matos juntos

em novembro 7, 2006 03:13 AM [Marcus Marçal]

Tenho medo desse tipo de bandas, por tudo o que representam.



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