
No dia 14 de outubro, antes mesmo de eu reconhecer a firma do título do São Paulo, o amigo Carlo Antico me observava, vejam vocês, em pleno Live’N’Louder, que, ao ler esta Bola é Bola Mesmo, se divertia quando eu apontava a falta de meias do São Paulo como uma verdadeira calamidade pública. No que eu reforço: não é possível uma equipe sem meias. Ou, por outra, é possível, sim, mas nunca uma equipe vencedora. Times repletos de cabeças de bagres existem aos borbotões, mas estes estão - e merecem, com justiça - condenados ao fracasso. Não é possível, refaço, um time vencedor sem meias. Daí o triunfo do São Paulo ser, para mim, uma verdadeira perturbação.
O curioso é que, dia desses, vi um gol do São Paulo com a participação magistral de um meia. Não, não foi o Danilo, mesmo porque este nunca o foi, e, a bem da verdade, não tem jogado nada, a ponto de amargar um inquestionável banco. Me refiro ao jogo contra o Santos, que aconteceu há dez dias, na Vila Belmiro. Naquela jornada, marcada pela embromação dos treinadores, que sonegaram a escalação das equipes, ferindo inclusive o regulamento, o time de Muricy Ramalho fez um a zero no de Wanderley Luxemburgo. O gol da vitória, como dizia, foi pura arte. Mineiro tocou para Lenílson, que, de calcanhar, deixou o mesmo Mineiro na cara do gol. Bola na rede. Exemplo clássico de que, quando tem um meia, tanto o São Paulo, quanto qualquer outro time, joga melhor.
Envergonha-me, porém, enaltecer aqui o medíocre. Porque Lenílson, que se destacou jogando pelo inexpressivo Noroeste, no campeonato paulista, não é e nunca vai ser – pela idade – um craque. Trata-se de um reles jogador mediano, que, às vezes, até raramente, tem um lampejo como este do jogo contra o Santos. E Mineiro, que tem muitas qualidades, e, claro, tem vaga no meu time, não passa de um volante – moderno, é verdade – que desarma e sabe sair jogando. Coisa muito comum no passado (lembram de Zé Mário, Andrade e Pintinho?), mas rara, cada vez mais rara nos nossos tempos. Pois foram os dois, Lenílson e Mineiro, que construíram uma das jogadas mais bonitas deste campeonato brasileiro.
A essa altura as redações dos grandes jornais e das TVs, precavidas, já devem estar preparando especiais sobre o São Paulo, enaltecendo a grande campanha do grande campeão. Números é que não faltam, eles jamais mentiram. A Folha, então, que segundo outro amigo, Caros Eduardo Oliveira, é recheada de são-paulinos, já deve ter até o poster do campeão impresso. Eu, do meu lado, fico pensando numa explicação para tal aberração. Na verdade, admito, já tenho uma. E já até andei comentando sobre is por aqui, noutras colunas. Grosso modo, o São Paulo só é o vencedor porque, num campeonato nivelado pelo mais longínquo subsolo, o que vence são detalhas que, acreditem, pouco têm a ver com a bola rolando.
Pois podem escrever aí, para os anais da história. O São Paulo está levando o caneco não porque tem um timaço, daqueles que dá gosto ver jogar, um escrete, uma sensação nacional. O São Paulo é o campeão porque (e aqui dou razão à famigerada crônica esportiva) tem mais estrutura para trabalho, um grande técnico, salários pagos em dia e blá blá blá. Sempre procurei atribuir vitórias ou derrotas de determinadas equipes a outros fatores, como tradição, sorte, o imponderável e por aí vai. Mas até eu percebo que o futebol mudou, e a coisa anda tão ruim que a diferença se faz, lamentavelmente, fora do campo. Porque dentro dele, nesse campeonato brasileiro, é todo mundo japonês.
Ou alguém aí do outro lado da tela acha que o São Paulo tem um time bom? Como explicar, por exemplo, e vou pular a questão absurda da ausência de meias, que o artilheiro do time campeão é justamente Lenílson, um reles reserva? Que, depois dele, o goleador é o... Goleiro? E que os gols de ambos, somados, não superam a marca do artilheiro do campeonato? É de se elogiar a performance de Rogério Ceni (como negá-la?), mas imaginem esse mesmo Rogério jogando numa equipe como o Flamengo de Zico. Ou o Inter de Falcão. Ou o Vasco de Roberto Dinamite. O Santos de Pelé. O Cruzeiro de Tostão. A Máquina tricolor. Certamente ele jamais sairia sequer da pequena área, quiçá bateria faltas e pênaltis.
Rogério Ceni só se sobressai, sem querer, de novo, diminuir seus predicados, porque atua num time medíocre, sem meias, sem artilheiros, sem craques, sem nada. É uma espécie de vergonha nacional um time campeão sem ataque, sem meias, que vive de gols de goleiro. Fosse sério o futebol, o campeonato e o Brasil, estariam automaticamente demitidos todos os atacantes, “jogadores de meio campo”, treinador e afins. Mas, ao contrário, temos um enaltecido campeão. E, lamentavelmente, aqueles que sistematicamente exigem da seleção brasileira o tal do futebol arte, notadamente da imprensa além Dutra, hoje se locupletam dessa conquista chinfrim. É mole?
Já que toquei no assunto seleção brasileira, soube que Ronaldinho Gaúcho vai ser banco de Elano amanhã, na partida contra a Suíça. Fala sério, Dunga...
Até a próxima, que o Galo está de volta!!!
Realmente faz algum sentido tudo isso. O fato de o goleiro ser goleador porque o time não tem atacantes... É justo. Mas não se pode querer que o São Paulo se pareça com o Corinthians que no ano passado com o Tevez ganhou o campeonato e nesse ano está desastroso. O São Paulo é um time regular. Há uns bons anos tem mantido uma posição de destaque no topo do futebol brasileiro e neste ano o trabalho bem feito está se refletindo nesse título. (Na minha opinião é, na média, o melhor time do Brasil.) E realmente é dificil ver craques nos times brasileiros quando todos eles, após uma boa temporada, são comprados pelos times europeus. Bem, não sou especialista em futebol para ficar falando... Mas sou um são-paulino satisfeito.
Até mais. A propósito, você é corinthiano?
O São Paulo pode não ter meias e nem artilheiros como foi citado e muito menos jogadores de qualidades. Mas o São Paulo com esse time de jovens tem ganhado muitos títulos, o Brasileirão esse ano, o Paulistão, a Libertadores e o Mundial ano passado. O São Paulo é o melhor time do Brasil, mesmo sem meias, sem artilheiros e sem estrelas. Somos Tetra!
NÃO SEJA TÃO INVEJOSO. TIME MEDÍOCRE É O PALMEIRAS E TIME RIDÍCULO É ESSE CORINTHIANS.
Pô, sou palmeirense mas o time não tá indo. É foda, mas a paixao pelo meu time é maior mesmo assim vamo verdão!