É difícil imaginar como uma banda como o Culture Club fez sucesso antes do fortalecimento da causa gay. Em 1984, o grupo de Boy George, que só aparecia em cena vestido de mulher e hiper-maquiado, curtia o auge do sucesso com o álbum “Colour By Numbers”, do qual saíram oito músicas apresentadas neste show gravado na Austrália (entre elas, as maiores de todas, “Karma Chameleon”, e “Miss Me Blind”). O país do falecido caçador de crocodilos era um lugar especial para os músicos: lá seus discos vendiam mais que banana em dia de convenção de imitadores de Carmem Miranda. O show, gravado numa casa noturna enorme e com o público composto por meninas adolescentes, começa com George pendurado num coração gigante que desce no palco. A música é “Take Control” e, como incita o nome, inicia a apresentação em clima de catarse coletiva. Os músicos se vestem com aquelas roupas típicas da década de 80 (e isso deixa claro a motivação para o desenvolvimento da profissão de personal stylist, na década seguinte). Para completar o visual, reforço dos cortes de cabelo, da bateria eletrônica (com aquelas caixas hexagonais), fumaça de gelo seco, e muito raio laser. Alguns efeitos colocados sobre as imagens da apresentação dão o mesmo dos videoclipes da época. Hoje parecem bregas, mas que funcionavam, ah, funcionavam! Boy George troca de roupa mais duas vezes, e cada vez vai ficando mais extravagante. Em “Victims” pega uma boneca no colo. Musicalmente, precisa de ajuda: durante todo o show sua voz rouca é ajudada por uma vocalista de apoio que segura a onda. A performance da banda também não ajuda - é muito fraca. Mas tudo isso pouco importa para a multidão enlouquecida que dança igual ao ídolo e ergue capas de LPs (lembra disso? Aqueles de vinil) em sua homenagem. Trash é exatamente isso aí.