O Homem Baile
25 de novembro de 2006
Bom de palco, The Bravery coloca fãs para cantar
Quinteto americano tocou ontem, no Circo Voador, no Rio, e mostrou que pode ir muito além do hype. Moptop abriu a noite.

Ir a um show do Bravery no Circo Voador é como checar uma nova banda que todos dizem que é legal na sua cidade. Tanto que a abertura ficou à cargo do Moptop, grupo que deve ter mais ou menos a mesma idade dos americanos, sendo que ambos, embora bons, ainda têm muito espaço para conquistar algo além do hype local (para um) e global (no caso do outro). Por isso a noite de ontem lembrou os bons tempos em que o Circo Voador abria espaço para novas bandas. Isso lá pela década de 80, berço estético, aliás, do próprio Bravery.

É só observar o modo que a bateria da banda é conduzida – com ênfase em contratempo e caixa – que fica claro onde bebe o Bravery. E olha que a voz de Sam Endicott em alguns momentos se parece bastante com a de Robert Smith, do Cure, como na segunda música do set, na qual um baixo marcado à Joy Division completa bem o leque de referências oitentistas. A essa altura os problemas com o som, que atrapalharam toda a primeira música, já estavam definitivamente resolvidos. Só na terceira, entretanto, a nova “Believe”, que está no já gravado segundo álbum, “The Sun And The Moon”, a ser lançado no ano que vem, é que a tecladeira deu o ar da graça. Talvez seja o teclados o elo entre o Bravery e o Killers, bandas que se consideram rivais no novo rock americano.

Outras músicas novas fizeram parte do show, como a ótima “Every World From Your Mouth Is A Knife In My Ear”, cujo título se transforma num refrão maioral rapidamente assimilado pelos ouvidos do público. Ao invés de cobrar o tradicional cachê, o pessoal do Bravery, que já viria mesmo ao Brasil para o Nokia Trends, que acontece hoje em São Paulo, topou receber o pagamento pelo show em reservas num hotel carioca por cinco dias. Tempo suficiente para perambularem pela cidade, provando de tudo. Por isso Sam dedicou “Give In” à “nossa comida”. O vocalista teria se encantado com os pastéis cariocas. Durante o set, Sam recebeu do público um bilhete que pedia um dólar ou uma cerveja, e cedeu uma latinha ao fã pidão.

Da metade da apresentação em diante o guitarrista Michael Zacarin, que é canhoto, começou a se destacar, com solos agressivos e boa performance no palco, se movimentando muito. Nas duas últimas músicas, com menos de uma hora de show, ele simplesmente roubou a cena, com evoluções bem técnicas e solos bem mais elaborados do que aquele feijão com arroz em geral apresentado por esse tal do novo rock. Antes, houve tempo para a banda tocar “Don’t Change”, do INXS, e ainda ficou faltando um anunciado cover do U2. Nem precisava, já que músicas como “Unconditional” e “An Honest Mistake” são muito boas e ao vivo deram conta do recado.

Na abertura o Moptop mostrou que nada fica a dever a outras bandas de sua geração, incluindo aí as internacionais. Mesmo com o Circo vazio – e não encheria tanto depois – o grupo levantou boa parte do público. Além dos já hits “O Rock Acabou”, “Paris” e “Tão Igual”, eles tocaram “Rock And Roll”, uma da época em que as letras eram feitas em inglês.

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