
Ao fundo do palco, uma bela paisagem (seria a entrada da Baia de Guanabara de séculos atrás?) ganhava vida de acordo com a iluminação usada em cada música, e via à sua frente uma banda muito bem ensaiada, tocando com uma vontade juvenil uma série de músicas que, embora fosse baixa a média de idade do público, agradariam mais a um público sexagenário. Já na postura de palco Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, os dois frontman, guardam semelhanças com um espetáculo distante do rock, e que hoje flerta com a fina e burguesa flor da mpb e (até) do samba de raiz.
Mas o fato, digno de registro e de certa consternação, não deixou o grupo aquém de uma performance de qualidade, mesmo porquê as músicas ditas novas funcionaram bem ao vivo, comprovando o talento dos meninos para fazer arranjos “catchy”. Foi o que aconteceu com a ótima “Cara Estranho”, em “O Pouco Que Sobrou” (mistura de Police com rock progressivo), e “A Outra”, com jeitão surf, entre outras. “A Flor”, que fechou o show com peso inexistente em uma hora e quarenta minutos, e “Fingi Na Hora Rir” resgataram o segundo disco, enquanto “Bárbara” e sobretudo “Pierrot” foram as ausências imperdoáveis. Ah, “Anna Júlia”, candidata a “Starway to Heaven” da banda, também ficou de fora.
Assim, o bom show “Ventura” reafirma a tendência do disco homônimo, e coloca o Los Hermanos, dada a pobreza generalizada e repetitiva do mercado fonográfico nacional, na ponta-de-lança da mpb. O que não é pouco para banda e público, todos tão moços.