
A expectativa para ver o Beastie Boys onze anos depois que da primeira vinda ao Brasil era se eles tocariam como banda de verdade, executando aqueles hardcores que fizeram história, ou se ficariam só no lero-lero. Quando o DJ Mix Master Mike apareceu fazendo malabarismos com as pick ups no meio do palco, veio a resposta: os três homens brancos mais famosos do hip hop aparecerem trajando terninhos à “Pulp Fiction” e começaram a mandar os raps que sacolejaram o público por pouco mais de uma hora.
No final, veio a surpresa: um pano preto é desfraldado e surge uma bateria em tons verdes, indicando que enfim o trio tocaria pra valer. Em seguida a decepção, já que só duas músicas foram tocadas nesse formato, com os instrumentos mal afinados e os músicos exaustos. Foram “Gratitude” e “Sabotage”, a primeira quase irreconhecível, já que um baixo ultradistorcido estragou tudo, e a segunda, um desfecho que poderia ser irretocável saiu muito meia boca. Eles até disseram que queriam tocar mais e que não podiam continuar por causa do formato do festival, mas certamente agradeceram a Deus por terem terminado o set tão depressa.
É evidente que “Cê” não é um disco de rock, e o repertório apresentado mostrou isso: uma série de músicas lentas, perto do acústico, que remetem aos piores momentos do artista. Salpicadas aqui e ali, aí sim, referências ao Sonic Youth e à nova mpb de Los Hermanos e adjacências, e ainda “Rocks”, com pegada radiofônica, podem até dar a impressão de que estamos num show de rock, mas são passagens isoladas e pouco significativas que revelam mais oportunismo (lembram de “Velô?”) do que a sinalização para o gênero do qual Elvis é rei.
Os que apontam este álbum como “de rock” devem estar se referindo à simplicidade das músicas – algo que não combina com Caetano - e dos arranjos, todos feitos em cima de baixo, guitarra e bateria. Por isso talvez o show na engrene por um minuto sequer, o que, excetuando-se o gargarejo, levou muita gente para casa antes do fim do set.
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