Bola e Bola Mesmo
17 de outubro de 2006
Show de horrores no Maracanã
Clássico que já foi encontro de grandes equipes viu lambança generalizada.

O resultado de um clássico que reúne as duas maiores torcidas do futebol brasileiro terminar em três a zero para um dos lados pode dar a impressão de que o time vencedor deu um banho de bola naquele que tomou o sapeca. Foi com esse pensamento que fui ver os gols de Flamengo e Corinthians. A idéia era ver depois o videoteipe completo da partida, afinal de contas um três a zero, mesmo num campeonato marcado pela ruindade generalizada, é um três a zero, ora pois.

Eis que, para minha surpresa – ou decepção – os gols nasceram de lances bisonhos e até inusitados. Aliás, antes mesmo de qualquer lance de perigo de gol aconteceu um de perigo de vida. Dois jogadores do Flamengo, Renato e Renato Silva, se atropelaram mutuamente dentro da área do Corinthians, numa verdadeira vídeo-cassetada. Era o prenúncio de que muita coisa ruim ainda estaria por vir. No primeiro gol do Flamengo, por exemplo. O zagueiro Marinho, ao tentar se livrar da bola, acerta o imponente Obina. A bola vai em direção a linha de fundo, faz que sai mas não sai e o próprio comedor de moqueca chuta para a área, a esmo, e acaba encontrando Sávio, que, como de hábito, cai. Surge então a figura de Marquinhos, o outro zagueiro, aquele mesmo que deu uns cascudos no Tevez. Ao invés de sair jogando com qualquer um dos vários jogadores corintianos que estavam ao seu redor, dispara um canhão que atinge Sávio, estendido no gramado. Caprichosamente a bola sobra para Leo Medeiros (quem?) que, livre de marcação, já que os zagueiros estavam envolvidos naquela trapalhada, faz o gol.

Poderia detalhar as jogadas que desaguaram nos outros dois gols do Flamengo, mas vou ser mais sucinto. No segundo, o lateral Juan, a luz no fim do túnel de pernas de pau do Flamengo, cavou um pênalti cometido bisonhamente – de novo – por Marinho. Renato bateu mal e fraco, mas como a fase do Timão é ruim, Silvio Luiz – o goleiro de um clube só – não conseguiu segurar. O terceiro, ah, o terceiro. O Corinthians tomou um gol do contra-ataque em escanteio, e puxado, acreditem, pelo corpulento Obina. Tal qual um Adílio, deixou Juan – de novo – na cara do gol. E pensar que quem treina o Corinthians é um dos melhores técnicos do país.

Falava da fase ruim, e de como as coisas não dão certo quando, repito, a fase é ruim. Aconteceu ontem com o Corinthians, não só no lance do gol de pênalti, mas em outros envolvendo seus atacantes. No clássico das quatro da tarde, aconteceu mais ou menos a mesma coisa como Fluminense. Fez um jogo praticamente igual contra o Inter no primeiro tempo, mas saiu derrotado porque os atacantes do Colorados estiveram no melhor. No segundo tempo, o Flu voltou com alterações que fizeram a equipe partir pra cima e buscar o (já merecido) gol de empate. Oportunidades não faltaram, mas a bola não entrou. Do outro lado do campo, entretanto, uma bola resvalada deixou o atacante Michel, que vinha sendo escorraçado pela torcida, de cara para o crime. Veio o castigo final para o Fluminense, dois a zero para o Internacional. Que fase... Diria Milton Leite.

Mas por que falarmos de jogos secundários se o líder do campeonato ganhou de cinco a zero e parece, a essa altura, inalcançável? Estava eu no Live N Louder, em São Paulo, desde cedo, quando os alvissareiros torcedores do favorito ao título já registravam o três a zero, ainda no primeiro tempo. E isso contra o Juventude, que, se é uma equipe modesta e candidata a nada, deveria fazer mais frente contra um time que joga sem meias, e cujos gols vêm de jogadores de defesa, incluindo aí, acreditem, o goleiro. Só fui desvendar o mistério no domingo, ao saber que o time capenga de meias só conseguiu construir o placar dilatado após a expulsão de dois jogadores do Juventude, entre eles o incorrigível zagueiro Antonio Carlos. Se mereciam ou não ser expulsos, isso é outra história, o fato é que nosso líder sem graça encontrou moleza pela rente. De novo.

Disse isso para concluir que, num campeonato em que todo mundo é japonês, esses detalhes acabam fazendo certa diferença em alguns jogos. E a distância técnica – não de pontos – entre um campeão e outro rebaixado é exígua, o que realça muito mais o que envolve uma equipe, do que o futebol propriamente dito. E aí me lembro dos lamentáveis melhores momentos do clássico do Maracanã. Ai, ai, ai...

Até a próxima, que em terra de cego quem tem Obina é rei!!!

em outubro 20, 2006 08:38 PM [Rosana]

O único comentário do momento é que o autor desta página continua batendo um BOLÃO.

GOLAÇO!!!



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