
Digo isso, entretanto, fazendo como os comentaristas de última hora, analisando a tabela de classificação. E analistas de tabela conhecem pouco de futebol, o que quer dizer que o campeonato está, sim, aberto. Os números do matemático Oswald de Souza, apresentados ontem no Jornal Nacional, são tão precisos quanto o futebol é impreciso, e servem mais para agitar (para cima ou para baixo) torcidas, do que para chegarmos a alguma conclusão. Em geral cobramos palpites dados por comentaristas, sobretudo na TV, mas alguém já fez o mesmo com os matemáticos? Nada contra esses precisos profissionais, mas se matemático ganhasse jogo, treinador seria formado em contabilidade.
Disse lá em cima que o São Paulo, líder do campeonato e franco favorito ao título – admito – é um time que joga torto. Falei ainda que o Santos, segundo colocado, tem uma equipe fraca. E vou mais longe. Grêmio e Inter, os brothers gaúchos que vêm em seguida, são fracos também, além de o primeiro ainda estar cheirando a várzea, já que voltou para a primeira divisão nesse ano, e o segundo só pensar no mundial, no final do ano. Digo também que Paraná, que vem em seguida, é time pequeno que nada ganha, que o Cruzeiro é irregular e que o Vasco não ganha nem torneio de garçons de madrugada no Aterro. No maior estilo comentarista de tabela preenchida, não titubeio: é tudo time mais ou menos.
Explico. De nada adianta olhar para tabelas de classificação sem analisar como jogam as equipes. Pois hoje em dia é justamente o que os comentaristas fazem. Olham para a tabela, às vezes para o elenco de jogadores de uma equipe, para sacramentar opiniões e posturas que mudam de acordo com o sobe-e-desce de classificação. Por exemplo. O Corinthians. Há séculos ameaçado pelo rebaixamento, retira dos analistas, quase com unanimidade, que a equipe, cedo ou tarde sai “dessa situação” – como dizem os envolvidos. Eis que cegamos a dez rodadas do fim, e ta lá o Coringão na zona de rebaixamento. No que eu pergunto: alguém viu a equipe jogar para saber se ela é boa, ruim, ou que diabos está acontecendo?
Na mesma direção, com sentido queda livre, está o Fluminense. Olham para o elenco e perguntam: como pode esta equipe, com um elenco dos bons, e melhor que o de muitos clubes em melhor colocação, rumar deliberadamente para as últimas posições? No que eu retruco: alguém tem visto a equipe das Laranjeiras jogar? Pois eu tenho, e além da falta de sorte típica de qualquer fase ruim, incluindo aí as sempre fracas arbitragens, não tem ninguém jogando nada ali embaixo do Cristo. É só olhar para o entra-e-sai de técnicos, que se diagnostica que o problema está nos jogadores ou na diretoria do clube. E não me venham com essa de divisão entre jogadores “da casa” e “contratados”, que o que falta é futebol mesmo, de parte a parte.
E aí eu volto onde comecei, e, na verdade, onde queria chegar. Pois foi contra este fraco Fluminense em queda livre que o líder São Paulo jogou um futebol medíocre, e venceu mesmo tentando empatar a partida, sobretudo na segunda etapa. Paulistas de plantão argumentaram que o São Paulo sempre teve o jogo nas mãos, mas o que se viu no final da partida foi um sufoco do Fluminense, com Muricy recuando Deus e o mundo para garantir o resultado. Por isso digo que esse São Paulo não está com essa bola toda. O favorito ao título tomando sufoco de uma equipe em queda livre. Não é mole, não.
Por que, então, é o São Paulo o líder? Poderia dizer que são coisas do futebol, citar sorte ou azar, mas, acreditem, vou ficar com o que diz a crônica esportiva. Num campeonato nivelado tão por baixo, as diferenças são muito sutis, e podem estar na organização de um clube (São Paulo), num técnico que nasceu com o traseiro virado para a lua (Santos), no conjunto força-união-motivação (Grêmio), e assim por diante. Na outra ponta é a falta disso tudo e a pequenez vocacional de alguns (Santa Cruz, São Caetano, Fortaleza) pode justificar “aquela situação”. E tenho dito.
Até a próxima, que só tem time ruim!!!