Fazendo Historia
07 de outubro de 2006
‘A FESTA NUNCA TERMINA’ ESTRÉIA EM SÃO PAULO
Texto sobre o filme que conta parte da história do rock de Manchester. Publicado na Dynamite On Line, em 2002, às vésperas de o filme estrear no circuito em São Paulo.

Depois do grande sucesso no Festival Rio BR, quando lotou as cinco sessões programadas e ainda um terceira extra, o filme “A Festa Nunca Termina” (“24 Hour Party People”), que cobre a cena musical de Manchester desde o pós-punk inglês até o sucesso dos Happy Mondays, estréia em São Paulo no próximo final de semana.

O filme é contado sob a ótica do jornalista Tony Wilson (Steve Coogan), um dos fundadores do selo independente Factory, responsável pelo lançamento de bandas como Joy Division, New Order, Durutti Column e A Certain Ratio, entre outras. Tudo começa (claro) depois que umas quarenta pessoas assistem um show dos Sex Pistols em Manchester.

Wilson resolve criar um clube para as bandas se apresentarem, e é lá que toca, pela primeira vez, o Joy Division, ainda sob o nome Warsaw. O crescimento da cena rock na cidade leva o jornalista a fundar o selo Factory, que ajuda a colocar as bandas nas paradas inglesas. Assinado com sangue (se fosse heavy metal todos debochariam), os contratos da gravadora eram famosos por respeitar os artistas com as grandes gravadoras não faziam.

Um dos momentos mais marcantes é o suicídio de Ian Curtis, ao assistir o filme “Stroszek”, de Werner Herzog. O fato desencadeou uma nova onda musical no Reino Unido, responsável pelo surgimento de bandas como o Cure, Sisters Of Mercy, The Mission, Bauhaus e tantas outras, voltadas para o chamado positive punk, ou gothic rock. No Brasil, essas bandas ficaram conhecidas como dark. Pena que, após o suicídio de Ian Curtis, o filme deixa esse lado da história de lado, e parte para anos adiante

. É quando o ainda jornalista Tony Wilson, que, apesar da fama, continua trabalhando naqueles programas de TV cafonas, funda o Clube Hacienda, o grande impulsionador de toda uma cena que se transformaria na mania das raves, reproduzidas, mais tarde, pelos quatro cantos do planeta. O Happy Mondays aparece como principal grupo do período.

Em determinado momento, Wilson fala com o espectador e mostra o ponto exato em que as bandas deixaram de interessar ao público, e movidos a ecstasy, todos se entregaram à música eletrônica das raves. Momento histórico e ponto alto do filme.

No filme, além dos atores, muitos representando ícones do rock, como Bernard Summers e Ian Curtis, há muitos músicos da época trabalhando como atores. Quem prestar atenção vai reconhecer, em papéis secundários, nomes como Viny Reilly (Durutti Column), Mark E. Smith (The Fall), John Squire (Stone Roses), entre outras celebridades.

Em São Paulo, o filme vai se exibido na Mostra Internacional de Cinema. Confira abaixo os locais e horários, mas compre o ingresso com antecedência, que a procura, como no Rio, promete ser grande.

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