
Edward (Johnny Depp), o personagem título, é um típico desenho de histórias em quadrinhos. Ele foi “concebido” num castelo mal assombrado por um cientista que moldou cada parte do seu corpo. Só que morreu entes de concluir o trabalho, e como conseqüência, nos lugar das mãos do rapaz, estão enormes lâminas. No aspecto visual, Edward tem um élan dark: se veste todo de couro preto, tem o rosto pálido e os cabelos espetados e impávidos.
Edward é encontrado por Peg (Dianne Wiest), uma pacata senhora, vendedora de produtos de beleza Avon, de porta em porta. Ela tenta integrar o rapaz à rotina de sua monótona cidade, que praticamente só tem pequenas casas, num passado que o filme não precisa quando é. A princípio, Edward é a sensação do pedaço, principalmente entre as senhoras, vizinhas de Peg, graças as suas habilidades para fazer rapidamente suntuosos penteados e para cuidar dos jardins.
É aí que entram em cena os problemas típicos do ser humano. Ao se sentir atraído pela filha de Peg, a bela Kim (Winona Ryder), Edward tem que lidar com o ciúme violento do ingênuo namorado dela (Anthony Michael). Mais tarde uma das amigas de Peg, infeliz no casamento, tenta seduzi-lo, mas a recusa de Edward levanta a ira da coroa. No final das contas, ele se transforma no inimigo número um da cidade, perseguido, inclusive, pela polícia.
Os espectadores, claro, ficam do lado de Edward, com toda sua simplicidade e candura. Mas isso não quer dizer que ele se sairá bem no final. Pior para a os moradores da vila, que volta a ser monótona quanto antes.
O casal Johnny Depp e Winona Ryder, um dos preferidos do diretor, está muito bem em cena, principalmente Depp, que mais tarde faria um papel esteticamente semelhante em “A lenda do cavaleiro sem cabeça” (1999), também de Burton.