Bola e Bola Mesmo
19 de setembro de 2006
Golaço pra vender jornal
Quando um time grande vence o pequeno, nada acontece. Mas quando a vitória se dá com um golaço, ou quando Obina faz três num jogo só, aí, sim, as rotativas não param.

Podem até dizer que estou pegando no pé, mas como não iniciar esta coluna reconhecendo o óbvio? Qual deles? Pergunta o leitor. No que eu respondo: que o São Paulo está, aos pouquinhos, voltando a ser aquele time amarelão de outros tempos. Aquele que tem uma terrível síndrome de América, que só não nada, nada e morre na praia porque praia, em São Paulo, inexiste. Depois do Campeonato Paulista e da Libertadores, na quinta foi a vez da Recopa. Ok, podem dizer, agora, que a disputa não vale coisíssima nenhuma – o que é verdade – mas entrou, disputou, tá valendo. Então, bem-vindo São Paulo, ao seu lugar de origem.

O engraçado é que escrevo isso ao mesmo tempo em que um desses cronistas esportivos decreta, numa das mesas redondas das segundas-feiras, que será muito difícil tirar o título das mãos do São Paulo, já que a equipe está com uma vantagem de quatro pontos em relação ao segundo colocado, faltando 14 rodadas, e ainda com um jogo a menos. A análise factual é até procedente, mas cai por terra pelo detectado no ali em cima. Ademais, 14 jogos são 42 pontos, ou seja, é ponto pra dedéu. Que São Paulo que nada.

Digo isso com convicção, mas já admito que eu próprio me estrepei ao apontar cinco fantásticos favoritos ao título. Desses cinco, dois caíram vertiginosamente: Cruzeiro e Fluminense. Eles foram substituídos por Grêmio e, curiosamente, Vasco, um dos piores times até da pelada do Aterro. Disse ainda que não era preciso se preocupar com o Paraná, que este é um time pequeno. Pois podem anotar. Ele – o Paraná -, Juventude e Figueirense nada vão ganhar, porque são, sim, pequenos. Coadjuvantes natos. E o Vasco, a reboque, não ganha porque não tem time. Claríssimo isso.

Disse – e como tenho dito – que o Santos é também um time horroroso. Imaginem que até Rodrigo Tiuí, refugo do Vale das Laranjeiras, tem vaga. Disse que, com esse cata-cata, o Santos não vence, a não ser pela sorte sem fim do mal educado Vanderlei Luxemburgo. Daí o medo particular – não do time, mas da sorte do engravatado. Quarta tem Santos x Fluminense na Vila, e eu aposto tranqüilamente no Fluzão, ainda mais se a dupla Marcelo e Pet (sobretudo o sérvio) funcionar. Quem não viu os dois belos gols do tricolor no domingo, tem que ir lá no you tube (ou outro lugar na rede) se deliciar. Marcelo bate um reles lateral, recebe de volta, passa por quatro ou cinco adversários, no embalo, e toca de calcanhar para Pet. Este havia passado da bola, mas tem domínio exuberante, se aprofunda na área driblando a zaga, e toca na sida do goleiro, de biquinho. Lindo. Gol do Campeonato até aqui, fez lembrar da saudosa Máquina Tricolor dos anos 70. No segundo, Pet dá uma bola com açúcar para Beto acertar o travessão. No rebote, Tuta, um dos artilheiros do brasileirão, completa para o gol.

Por essas e outras é que vi vários jornais dando grande destaque para a partida, que a bem da verdade nem foi um jogão. A exceção de alguns periódicos, que dividiram o destaque com a vitória do Flamengo sobre o Fortaleza, afinal, quando Obina faz três, há algo de inusitado, só deu Flu na cabeça. Isso porque a beleza no futebol ainda encanta, e muito. E, cá entre nós, não existe nada mais ordinário do que o Fluminense vencer o Figueirense, e o Flamengo o Fortaleza. Isso, repito, é o óbvio, não vende jornal. A não ser por causa do show de Pet e Marcelo, ou pela façanha de Obina.

Mas falei, falei e pulei o que queria dizer. Disse que Cruzeiro e Fluminense abandonaram o posto de cima da tabela para o Vasco (que repito, logo despenca) e para o Grêmio. E é aí que mora o perigo. Não que a equipe que ascendeu esse ano para a primeira divisão seja um esquadrão, e nem mesmo depois da vitória sobre um Botafogo traumatizado, que chegou a costurar alguma goleadas por aí, mas por causa da tradição mesmo. O Grêmio é um time acostumado a vencer, e pratica esse futebol de marcação, saúde, correria e faltas já há muitos anos. O Grêmio é o precursor desse futebol feio, de marcação, e, acreditem, vencedor. Portanto, num campeonato fraquíssimo, com equipes meia-boca, pode, sim, ser o grande vencedor. Resta saber se terá fôlego, ou se cairá e dará lugar a outros emergentes da hora. Ou ainda a remanescentes como Cruzeiro e Flu.

Até a próxima, e que o Rivelino encarnou no Pet!!!

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