
Considerava, de uma forma geral, as mulheres impiedosas com ele. Tinha como conceito que, uma mulher, uma amiga ou que tal, não precisava necessariamente corresponder o que ele sentia por ela, mas poderia, sim, evitar o constrangimento de agarra-se com outro rapaz bem ali, na sua frente. Era para ele a pior cena de todos os tempos: ver a amada atracada com outro. Uma cena que havia se repetido durante toda a sua vida e da qual não conseguia se livrar. Tinha, entretanto, e também, um “quê” de masoquismo nisso. Tanto que se sentia atraído por esse tipo de situação. Ao menos era o que achava sobre si próprio àquela altura da vida, com a idade já avançada e poucas, mas intensas relações contabilizadas. Era uma confusão só.
Ouvira, de um amigo, que o primeiro passo para se resolver um problema é a sua admissão. Assim, uma vez constatado essa tendência, pôs-se a pensar. Metódico, fez anotações. Listou, uma a uma, cada relação por qual passara, numa obstinação por resolver a coisa toda. Nos últimos tempos, vinha assim, tentando resolver toda a carga de problemas que acumulara durante os anos. Queria zerar o passado e melhorar de vida, ao menos no plano pessoal. Também ouvira, certa vez, de uma amiga psicóloga, que, nesses casos, era preciso concentrar a problemática em si próprio, ao invés de ficar procurando as justificativa nos eventuais erros de outras pessoas.
Percebeu, na sua análise, que perdera o contato com boa parte daquelas pessoas. Lembrou de momentos intensos em que sua cabeça não conseguia compreender o que se passava. Mas continuava a não acreditar no retorno do amor. Viu, que, com algumas mulheres, por algum tempo, até foi feliz - embora não gostasse nem sabia como usar essa palavra, mas foi tudo tão depressa que não houve tempo para perceber justamente o que a relação tivera de melhor. Com outras, viu que elas é que se arrebentaram, mas tomava consciência disso sem mostrar, no semblante, qualquer sinal de remorso ou sentimento semelhante. Fora, ele próprio, cruel com aquelas mulheres das quais se achava vítima. Mas nunca, em nenhum hipótese – não que ele soubesse, ficara com uma pequena na frente de outra que por ele estivesse caída de paixão. E talvez por isso mesmo não acreditasse no retorno do amor.