Bola e Bola Mesmo
26 de setembro de 2006
Campeonato ruim é isso aí
Num ano de nível técnico baixíssimo, equipes lideram o campeonato brasileiro mais por incompetência das demais do que por seus próprios méritos.

Não resta dúvida de que estamos vendo um dos piores campeonatos brasileiros de todos os tempos. Sim, começo a escrever assim, de supetão mesmo. Se considerarmos somente a era dos pontos corridos pra cá, então, aí é que a afirmação passa a ser categórica mesmo. Não há uma grande equipe como o Cruzeiro de 2003, nem arrancadas como do Atlético Paranaense em 2004, que por pouco não tirou o título do Santos, muito menos uma briga pela liderança como a que acontecia entre Internacional e Corinthians, ou pela Libertadores entre Palmeiras e Fluminense, ambas no ano passado.

É só olhar para as equipes, rodada após rodada, e não se vê uma boa seqüência de vitórias, na parte de cima, nem de derrotas, na de baixo. Nenhum time tem, nos números, uma campanha minimamente regular, nem, na prática, um desempenho que mereça o mais abalizado elogio. A crônica esportiva, sobretudo os comentaristas de resultado, pisa em ovos e come vidro o tempo todo. Pois se as equipes não se estabelecem, ela é que não consegue se afiançar em nada. Nadica de nada.

Observem que, como eu próprio já afirmei na semana passada, o São Paulo, o líder do campeonato, é uma equipe claudicante. Perdeu jogadores depois da eliminação da Libertadores, tem jogado mal pra burro e sofrido derrotas e empatado mais que o esperado. Uma equipe cuja obsessão, até por vocação, é ser superada perto do fim da competição, mas que, entretanto, não consegue ser ultrapassada pelos rivais. Neste final de semana, por exemplo, mesmo perdendo para o Palmeiras, viu a dupla Gre-Nal perder pontos e a oportunidade de diminuir a diferença entre ele e os dois trapalhões diminuir.

O Grêmio. Depois de uma arrancada sensacional, caiu domingo frente ao Goiás. E de quatro. E para um Goiás em vias de ser rebaixado. Vejam vocês que, depois de duas vitórias seguidas – sobre Botafogo e Ponte Preta – pelo mesmo placar, foi a vez do Grêmio cair de quatro. O Fogão, por sua vez, havia ele próprio goleado o Atlético Paranaense, de 5, e o Paraná, de 4. Paraná que, segundo a crônica esportiva, faz campanha surpreendente, mas ficou uma pá de jogos sem vencer, e ainda ocupa, como que por milagre, a quinta colocação na tabela de classificação. Ou seja, um samba do crioulo doido dos diabos, isso sim.

Mais? Observem o Vasco. Há quanto tempo Renato Gaúcho comemora empates e o time não vence um jogo sequer? Há seis jogos a equipe da colina só empata, e, ainda assim, continua a ostentar orgulhosamente uma sexta colocação no campeonato. Digo orgulhosamente porque a equipe do Vasco é um horror. Só que, assim como o São Paulo tenta, mas não consegue ser destronado, as equipes da parte de cima da tabela, em geral, vão se mantendo por li a custa de campanhas ruins, sim, mas melhores que aquelas que vêm em seguida, que não conseguem ultrapassá-las. Ou, se o fazem, voltam a cair logo em seguida. Por isso nossos geniais comentaristas detectam um bolo e equipes próximas da zona da Libertadores, porém com um pé na do rebaixamento.

Outro dia, por acaso, parei no tal do Rock Gol, programa que já vi muito, mas hoje cansei de ver/ouvir as mesmas piadas de sempre, e me deparei com uma tabela de classificação invertida, de ponta cabeça. E não é que fez sentido? Assim como o São Paulo quer deixar a liderança e não consegue, Santa Cruz e Fortaleza fazem de tudo para sair da lanterna e fracassam sucessivamente. Não há, no entanto, o que reclamar da zona de rebaixamento. É muito bom ver times pequenos como Santa Cruz, Fortaleza, São Caetano (a coisa mais bizarra que aconteceu o futebol brasileiro desde o Bragantino) e Ponte Preta a caminho da segundona. Lindo, lindo, lindo, diria Geraldo José de Almeida.

O que importa, acabo de ler na web, é que agora só falta um terço do campeonato a ser jogado, e quem der uma arrancada agora conquista o título ou mesmo outras benesses que o torneio oferece. Mas, dado o que se viu até agora, alguém acredita que alguma equipe será capaz disso? Eu, de meu lado, acredito que o São Paulo vai acabar conseguindo entregar o ouro; que o Santos, com um time muito ruim, pode chegar por causa da “estrela” do treinador; que o Paraná, por ser pequeno, e o Vasco, horrível, estão fora. Restam ainda Inter, Grêmio e Cruzeiro, que podem ter fôlego para chegar lá. Time, sabemos, ninguém tem. E que, no final das contas, este campeonato, no ano em que jogamos o hexa no lixo, vai ser um dos piores em todos os tempos. No campo e nos números. Podem anotar.

Até a próxima, que em terra de cego, que não tem um olho sequer é cego também!!!

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